Belle & Sebastian: Twee Pop em estado de excelência

“The Life Pursuit” é uma obra doce e frágil ao mesmo passo que é consistente e vibrante

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Belle & Sebastian é um dos nomes mais fortes do Twee Pop desde o surgimento do gênero. O estilo apareceu junto ao Pós-Punk entre o final dos anos 70 e o começo dos 80, depois dos últimos anos terem sido carregados por grupos de garotos sujos com canções agressivas e de protesto, o que brotou e ficou foi uma porção de jovens tímidos, com uma estética sonora doce, frágil e ligeiramente peculiar.

Se hoje em dia existe um vasto número de bandas que fazem um som fofo e vulnerável, provavelmente elas se inspiraram em algum momento na coesa e firme carreira da banda Belle & Sebastian. O destaque da vez fica para o disco The Life Pursuit, lançado em 2006, e, segundo as estatísticas, um dos mais bem vendidos discos dos escoceses e que consagrou de vez o grupo de vez, agradando fãs que já os acompanhavam desde o começo e trazendo novidades do que vinham apresentado desde então.

Além de ser reconhecido internacionalmente e produzir um som atemporal, o coletivo de músicos de Glasgow mostra todo seu potencial de gerador de hits bem aqui nesse álbum, mostrando que o bom Pop não necessariamente precisa ser um filhote do consumismo, da exploração sexual ou do desespero pelo retorno financeiro depois de grandes investimentos em divulgação. A regra é clara: Se a música é chiclete, tem refrão marcante (e quase sempre repetitivo) e uma estrutura não muito rebuscada, temos uma obra Pop. Nesse trabalho, os louros vão direto a canções como Another Sunny Day, The Blues Are Still Blue, White Collar Boy, Funny Little Frog e For The Price of The Cup of Tea.

Vale ressaltar o talento do líder Stuart Murdoch em sua inventividade e habilidade enquanto músico e compositor, que aqui replica em faixas todo seu poder de expressão cotidiana, como vista nos demais trabalhos. A habilidade de contar pequenas histórias, que as vezes se entrelaçam (e outras não) como crônicas concede ao ouvinte uma experiência diferente, seja descrevendo a plena atividade de uma garota (Sukie In The Graveyard) ou observações pontuais e plenamente assertivas, como a de uma pessoa sentada em um banco na rua, vendo quem passa e comentando sobre o movimento do dia (Mornington Crescent).

No quesito novidade, o grupo explora e experimenta também de diferentes formas sons díspares sem que isso destoe de sua base musical. Song For Sunshine traz uma pegada muito próxima do R&B, principalmente pelos teclados recheados de Groove, assim como em We Are The Sleepyheads, uma doce e muito ágil progressão de cordas dá personalidade a canção. Tudo isso muito bem acompanhado dos frequentes teclados e eventuais instrumentos de sopro que aparecem aqui e ali no decorrer do encantador disco, que se mostra como uma das obras mais assertivas da década. E o melhor de tudo: Sem parecer se esforçar pra isso, soando sempre da maneira mais fluída possível.

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MARCADORES: Fora de Época

Autor:

Jornalista por formação, fotógrafo sazonal e aventureiro no design gráfico.