Cansei de Ser Sexy: Irreverência e Performance Deixam Saudades

Filhos da primeira geração de conectados a Web, banda colheu bons frutos do “hype”

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Sabe aquele disco lançado há algum tempo que você carrega sempre com você em iPod, playlist e coração, mas ninguém mais parece falar sobre ele? A equipe Monkeybuzz coleciona álbuns assim e decidiu tirar cada um deles de seu baú pessoal e trazê-los à luz do dia. Toda semana, damos uma dica de obra que pode não ser nova, mas nunca ficará velha.

Cansei de Ser Sexy – Cansei de Ser Sexy (2005)

Já ouviu falar de Fotolog? Dependendo da idade que você tenha, talvez não lembre, mas esse site que compilava imagens já foi uma sensação em tempos áureos na Internet. Foi por lá que os membros do Cansei de Ser Sexy começaram tudo e despontaram mesmo sem saber ao certo tocar seus instrumentos. O grupo nasceu em 2003 e foi como um grito de liberdade na cena sonolenta paulistana do começo de 2000. Um grupo de jovens garotas sem pretensões se uniu a Adriano Cintra e bombardeava o público em shows underground com toda sua performance e atitude, mostrando que o se faz bem em palco pode ser mais que o suficiente para garantir a fama por anos.

O primeiro álbum, que levava o mesmo nome do grupo, saiu em 2005, mas antes disso o quinteto já foi uma das poucos convidados nacionais à participar do finado TIM Festival, que em 2004 recebia os grandes nomes Kraftwerk e 2ManyDJs. O disco lançado pela Trama foi um dos maiores sucessos da gravadora e emprega a diversão do começo ao fim, explorando sem medo a música Pop e o Indie Rock numa pegada mais próxima ao marginal e com letras nada rebuscadas, em sua maioria cantadas em inglês. A escolha do idioma e alcunha CSS, inclusive, foi uma das alavancas para que o grupo galgasse o sucesso ao redor do globo de maneira astronômica ao passar do tempo.

Fora da nação, a banda replicava as canções com o EP CSS SUXXX, que foi uma alternativa para propagação de seu nome para a nata gringa, mostrando que nem só de pandeiro e bola viviam os brasileiros. Em 2006, um contrato foi assinado com a Sub Pop, que exportou as canções para a Europa e Estados Unidos, tirando apenas as faixas cantadas em português. Donas dos hits Alala, Music Is My Hot Hot Sex e Let’s Make Love And Listen Death From Above deslanchavam como nunca, ganhando espaço em grandes festivais como O2 Wireless, Coachella, Itunes Festival, V Festival e Rock-en-Seine (França).

O sucessor Donkey, que veio em seguida, ainda chamou atenção do público por bons hits, mas nos anos próximos os conflitos tomaram conta do grupo, em boa parte pelas garotas não se esforçarem para melhorar sua técnica, como relatou Adriano Cintra. O rapaz, que mostrou-se o cérebro e a força-motriz do grupo, acabou saindo em 2011, deixando para elas algumas das produções assinadas por ele no material La Liberación. O recente disco Planta, lançado em 2013, embora tenha sido produzido por Dave Sitek (Tv On The Radio) mostra como a banda já não tem mais a mesma força e originalidade, levando em conta o cenário atual. Ainda assim, a boa lembrança é a que fica, e pode ter certeza que toda vez que você ouvir uma das faixas do tal álbum, vai querer dançar como se fosse na época do Fotolog.

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Autor:

Jornalista por formação, fotógrafo sazonal e aventureiro no design gráfico.