Chris Cohen e sua trilha pelo Pop Experimental

Ao longo de dez anos, o músico foi construindo seu caminho em inúmeras bandas para finalmente lançar o primeiro trabalho que carrega seu nome

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“Every note is an unfinished song” (“Cada nota é um uma música não terminada”). Parece ser esse o mote, retirado de canção Cosmic Sing-A-Long, que inspira Chris Cohen em sua jornada musical. Mas, até começar a trilhar seu próprio caminho, ele percorreu um longo terreno explorando o Pop de diversas maneiras e com objetivos bem diferentes e, ao longo dos anos, criou bandas que por mais que carregassem semelhanças entre si, carregavam também divergências, o que as tornavam únicas.

Inquieto, o músico se lançou em inúmeros projetos e bandas ao longo de quase dez anos de carreira, colaborando também com muita gente e construindo um background para enfim lançar neste ano seu primeiro trabalho solo, Overgrown Path. Você vai perceber que, em sua trilha, o Pop e experimentalismo andam de mãos dadas, criando uma mistura que mesmo fugindo dos padrões consegue ser encantadora.

The Curtains

Esse foi o primeiro projeto de Cohen e surgiu em 2000 com um som puramente instrumental que, ao longo dos próximos anos, foi ganhando mais requinte, experiência dos músicos, e uma voz (a de Chris). Em aproximadamente seis anos, a banda produziu cinco discos que exploravam a música Pop com tonalidades Psicodélicas e experimentais, mas ao contrario do que Ariel Pink fazia nessa época, as gravações não tinham nada da estética Lo-Fi. A banda teoricamente ainda existe, por não ter um fim decretado, mas o último lançamento de Chris sob o nome de The Curtains foi em 2006, com o disco Calamity.

Cryptacize

Lembra-se daquele tal mote? Ele veio de uma das canções deste projeto, que como um trio se estabeleceu fazendo uma mistura entre os clichês do Rock de 50 anos atrás e as mesmas tendências Pop e experimentais de sua banda anterior. O grande charme dele é sem dúvida alguma o vocal doce de Nedelle Torrisi, que se juntando a guitarra ágil e mecânica de Cohen criam uma musicalidade simples, direta e muito divertida. Com somente dois discos, lançados no período entre 2007 e 2009, o grupo chegou a participar do festival SXSW e, desde então, também não deu mais sinais de vida.

Natural Dreamers

Esse é um projeto que lembra os primeiros anos de The Curtains e seu experimentalismo instrumental, mas desta vez nada de Pop por aqui. As guitarras gentis de seus outros projetos são substituídas agora por riffs ásperos e fortes que constroem músicas que rementem ao Noise e Math Rock. O único disco lançado pelo projeto data de 2004 e foi muito bem recebido na época, porém a falta de continuidade fez com que muita gente se esquecesse de sua existência.

Colaborações

White Magic, Cass McCombs e Haunted Graffiti fazem parte de sua lista de colaborações, mas, sem dúvida, o que mais se destaca é sua participação em alguns discos do Deerhoof. O experimentalismo Pop da banda expandia os terrenos já explorados por Cohen e essa parceria foi tão frutífera que o músico esteve em constante contato com o grupo por mais de quatro anos, chegando a fazer algumas turnês com o grupo e contribuindo em cinco discos.

Carreira Solo

Depois de trilhar por todos estes caminhos e recolher bagagem suficiente, o músico decide caminhar sozinho pela primeira vez. O fruto desse primeiro esforço solo é Overgrown Pathque mais vez traz Cohen em um caminho Pop experimental onde consegue botar em prática tudo o que aprendeu ao longo dos anos.

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Autor:

Apaixonado por música e entusiasta no mundo dos podcasts