Cinco Rappers Que Você Deveria Prestar Atenção

Novos nomes do estilo trazem em suas letras assuntos que estão presentes em nosso cotidiano

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Desde que surgiu, o Hip Hop vem evoluindo e moldando-se nas mais diversas formas, se tornando ao longo de várias décadas, cada vez mais abrangente. Seja para denunciar o cotidiano e violência dos subúrbios, para exacerbar os bens materiais alcançados através da música (ou do envolvimento com alguma organização ilegal) ou ainda para outros tantos fins, o estilo vem há pelos menos 40 anos servindo como veículo para rappers confessionarem sobre suas vidas e o ambiente que os cercam.

Se muita coisa mudou dentro do estilo em quatro décadas (contando a maneira de fazer seus beats, a ascenção do gênero ao mainstream e sua difusão para muito além de onde começou), uma coisa continua sendo verdadeira: o Rap continua dando voz aos novos artistas. E ainda é um dos melhores meios destes jovens exporem seu cotidiano e realidade, seja lá quais forem.

Os novos nomes do estilo vem se destacando por rimarem sobre assuntos mais próximos de nós, por cantarem suas realidades que muitas vezes são mais semelhantes à nossa do que aquele Rap recheado com versos sobre violência ou ostentação. Por mais que alguns ainda possam se identificar com esses assuntos, creio que poucos ouvintes se comparam a divindades (como Kanye West fez em Yeezus) ou expressam sua raiva com a vida de forma tão mordaz (como Tyler, The Creator em Wolf). Muitos de nós estamos mais próximos dessa vida mais urbana, simples e mundana que esses jovens rappers mostram em seus versos, não menos fortes ou significativos.

Separamos uma lista com cinco novos nomes do cenário que vem se destacando por trazer em suas letras algo com que nós podemos nos conectar e dialogar mais facilmente. Todos nomes muito jovens, que mal passam dos seus 20 e poucos.

milo

Com apenas 22 anos, Rory Ferreira já é um nome que podia ser ouvido desde 2010 no circuito underground. Na época, o rapper de Wisconsin fazia parte do trio Nom de Rap e já chamava a atenção por seus versos mais lentos e, é claro, por suas letras intelectuais (ou “nerds” se preferir). Mas foi só a partir de 2011, com o lançamento da mixtape I Wish My Brother Rob Was Here que o músico conseguiu realmente atrair a atenção de muita gente, incluindo a de Baths, que produziria sua próxima mixtape, Milo Takes Baths (2012). Nos anos seguintes, os EPs Things That Happen at Day/Things That Happen at Night e Cavalcade preparariam o terreno para a chegada de seu disco de estreia, a toothpaste suburb, lançado neste ano.

Cheio de um humor irônico, espontâneo e crítico, o rapper se estabeleceu entre os novatos como um dos que mais consegue se comunicar com o público mais jovem. Ele é aquele cara que joga vídeo games, assiste a séries e filmes, lê livros de Pablo Neruda e passa parte de seu tempo na Internet ouvindo música ou fuçando no Tumblr. Suas letras trazem muito do seu dia-a-dia (através de diversas referências à cultura Pop, RPG e Filosofia), uma crônica que personifica de certa forma nossas próprias vidas e que possibilita nos relacionarmos tão facilmente com suas letras.

Mick Jenkins

Apesar da pouca idade (apenas 23 anos), o rapper de Chicago já esteve envolvido com alguns projetos anteriormente, sendo o coletivo de Rap Free Nation o que ganhou maior destaque, por tentar combater o status quo do estilo. Mesmo longe desse grupo, Mick continua mantendo esse objetivo. O que faz ao trazer tendências do Jazz e Soul à sua música. O resultado desse encontro é um Rap liricamente rico e com beats e arranjos muito bem arquitetados.

Em sua carreira solo, o rapper tem somente duas mixtapes, Trees and Truths (2013) e a ótima The Water [s], lançada neste ano. Nesta sua obra mais recente, Jenkins usa a água como metáfora para tratar dos diversos assuntos (falando de transparência, verdade, conhecimento), que, assim como as letras de milo, trazem muito de sua vida e cotidiano. A água aparece também nas manifestações sonoras da obra, ora sendo plácida e serena, ora feroz e extremamente violenta, mas sempre muito envolvente e sedutora.

Raury

Esse é mais um dos novos prodigios que surgiram dentro do Hip Hop, mas vale deixar claro que o músico se enquadra no Rap, tanto quanto no Folk – e nomes como Bon Iver e Fleet Foxes parecem ter um papel muito importante em sua obra. O jovem de apenas 17 anos começou a ganhar atenção depois dos singles God’s Whisper e Cigarette Song , e até mesmo foi chamado a participar de Higher, faixa de Wonder Where We Land, novo álbum do produtor londrino SBTRKT.

Em sua primeira mixtape, Indigo Child, Raury mostra esse seu lado mais Folk se encontrando com o Rap e dando forma a músicas que são conduzidas por batidas comuns no novo Hip Hop e violões. Uma mistura interessante e que desde já vem mostrando grande potencial. No ponto lírico, o rapper não esconde que tem apenas 17 anos e traz nas suas letras muito desse senso juvenil ao publicar brigas com sua mãe gravadas de forma bem Lo-Fi e algumas letras de amor adolescente (como Cigarette Song, que mostra o rapper com uma garota bonita, desfrutando sua liberdade e fumando alguns cigarros).

Joey Bada$$

Um dos principais nomes do novo revivalismo do Rap feito nos anos 90, o jovem rapper (de apenas 19 anos) mostra em seu estilo de rimar e pelos beats que traz em suas faixas grandes respeito pelos artistas que pavimentaram o caminho que ele segue hoje. Em sua música é muito perceptível a influência de grandes nomes do gênero, como MF Doom, De La Soul e Wu-Tang Clan. Em suas letras, há também um pouco dessa vibe noventista, se tornando quase instrospectivas em alguns momentos, românticas em outros e até mesmo confessionais.

O jovem rapper despontou ainda em 2012, com a mixtape 1999, e desde então apareceu no disco do grupo de rappers que ajudou a fundar, Pro Era (PEEP), e no disco de estreia de A$SAP Rocky, LongLiveA$AP, para então chegar à sua segunda mixtape, a elogiada Summer Knights, que chamou a atenção de ainda mais gente para seu Rap vintage. Quanto às referências nerds, até o mesmo o Pokémon Charmeleon não escapou ser citado (“Young scorcher trying to evolve like Charmeleon / Million, yeah nigga, we tryna get a million”) em Alowha, faixa de abertura de sua mais recente mixtape.

Chance The Rapper

Vindo de Chicago, Chancelor Bennett começou a ganhar atenção com a ótima mixtape 10 Day, lançada em 2012, mas foi só mesmo com Acid Rap, de 2013, que se estabeleceu entre os grandes novos nomes do estilo, mesmo sem ter lançado um álbum propriamente dito. Neste ano ele fez uma ótima apresentação no Lollapalooza de Chicago.

Com grande personalidade (e creio que esse seja seu maior diferencial e destaque), Chance chama a atenção por sua tamanha espontaneidade, energia, seu ritmo frenético e pelas ótimas melodias, isso tudo rimando sobre desenhos infantis dos anos 90, redes de fast-food, algumas passagens sobre violência urbana e, é claro, drogas. Durante grande parte de suas faixas, o rapper parece montar um coquetel de drogas que inclui ácido, maconha, Alprazolam (Zanax) e álcool. Sendo essa uma persona ou não, Bennet consegue, apesar de todos seus exageros, denunciar e tentar combater a violência de onde nasceu ou se mostrar de certa forma mais vulnerável e apaixonado em letras pouco mais românticas (ligadas ou não à sua relação com essas substâncias).

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Autor:

Apaixonado por música e entusiasta no mundo dos podcasts