Clube da Luta: Testosterona e Música Eletrônica no fim dos anos 90

Os produtores Dust Brothers conseguiram criar uma ambientação tensa, mas não agressiva, para este clássico de David Fincher

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Clube da Luta (Fight Club, 1999) faz parte daquele grupo de filmes da década de 1990 que mostram sem muitos freios como é a frustração da pós-modernidade, como Um Dia de Fúria e Trainspotting. A produção conta a história de um empregado de uma grande corporação (vivido por Edward Norton), bem sucedido em sua carreira, que frequenta os mais variados grupos de apoio como uma maneira de combater a insônia. Ao conhecer Tyler Durden (Brad Pitt), logo após perder todos os seus pertences em uma explosão, os dois criam uma nova forma de passar o tempo – o tal clube do título.

Trailer – Clube da Luta

Reza a lenda que o diretor David Fincher (o mesmo de Os Homens Que Não Amavam as Mulheres), que estava empenhado em entregar uma obra que não fosse convencional para Hollywood, gostaria que quem fizesse a trilha-sonora fosse inexperiente no assunto. Dizem que ele considerou convidar a Radiohead para a função, mas sabe-se que quem ficou com a responsabilidade de musicar a película foi a dupla de produtores Dust Brothers.

O trabalho dos “irmãos” – que tinham acabado de produzir Odelay do Beck – foi criar uma ambientação que fosse apropriada para desde os momentos mais tensos da trama, quanto aos mais bem humorados. Para isso, eles produziram mais de 40 faixas com diversas tendências eletrônicas da época, cheias de samplers, efeitos e instrumentação pesada.

Dust Brothers & Tyler Durden – This Is Your Life

Com cenas tão violentas, sejam elas graficamente ou na temática dos diálogos e divagações dos personagens, a trilha opta em focar em uma certa tensão, ao invés de soar agressiva. Assim como as cores quentes da película, a música parece transpirar friamente a cada corte, exalando testosterona e retratando a “panela de pressão” que é o espírito pós-moderno.

Ao fim do filme, no já clássico último plano, ouve-se Where is My Mind, do Pixies, lançada em 1988 e que ganhou um novo fôlego com sua inserção no longa, gerando as mais diversas covers (como Arcade Fire, M.I.A., Nada Surf e Placebo). Acima de tudo, os versos que repetem o nome da música são o desfecho perfeito para a obra, refletindo tanto a vibe da época, quanto o momento que os personagens vivem naquele momento e a nossa sensação ao subir dos créditos.

Pixies – Where Is My Mind

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MARCADORES: Trilha-Sonora

Autor:

Comunicador, arteiro, crítico e cafeínado.