Coldplay Lado-B

Músicas que não viraram single continuam sendo o principal motivo para se ouvir todo um álbum da banda

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É claro que você reconhece o piano de Clocks de longe, ouviu Yellow a vida inteira e talvez nem aguente mais escutar Viva la Vida ou Paradise. Fique tranquilo, você não está sozinho. Esse fenômeno de se cansar dos hits que Coldplay lançou ao longo desses mais ou menos quinze anos de carreira abala fãs e não-fãs desse quarteto londrino que, felizmente, tem muito mais o que oferecer.

Às vésperas de lançar seu sexto álbum, Ghost Stories (que sai em 19 de maio), passear pela carreira do grupo revela que muitas das suas melhores qualidades não aparecem em videoclipes, músicas que vão para trilhas sonoras e não viram verdadeiros hinos para serem cantados em estádios.

É por isso que, por mais legais que Magic e A Sky Full of Stars sejam, é provável que o ouro do disco esteja nas composições que só quem ouvi-lo inteiro desfrutará. Relembre (ou conheça) essas quinze faixas tão boas que dificilmente estarão em um Best of da banda, porém merecem nossa atenção mais do que alguns de seus hits.

A Whisper

Ao sair A Rush of Blood to the Head (2012), o mundo se deu conta de que Coldplay não era uma banda qualquer – culpa de músicas assim, que misturavam vanguardas do Rock europeu com a energia e grandiosidade pelas quais o conjunto hoje é associado.

Low

X&Y é um álbum quase matemático de tão calculado pelo perfeccionismo de Chris Martin (uma reação à insegurança causada pelo sucesso do segundo disco). Foi daí que surgiram canções perfeitinhas como Low, uma faixa divertida, meio dançante e com uma progressão lógica, mas não óbvia.

X&Y

A que dá nome ao disco não poderia ser diferente. Ela encerra o lado A da obra reunindo elementos que constróem uma atmosfera que expressam muito bem o verso repetido no refrão: “You and me are floating on a tidal wave together/You and me are drifting into outer space and singing”.

High Speed

Já no primeiro álbum, Parachutes, uma faixa meio escondida lá pelo fim do disco revelava um tom bem diferente das músicas que viraram single. High Speed é arrastada, com efeitos e frases musicais quase sutis (o que fica em evidência é mais a atmosfera do que a melodia). Chame de Post-Britpop ou do que quiser, ela permanece uma pérola na discografia da banda.

Green Eyes

Preferida de muitos fãs, a balada com pegada acústica é doce e revela um vocal interessante de Chris Martin. É um respiro mais tranquilo em meio a um disco com composições tão impactantes. Menos é mais, né?

See You Soon

Literalmente um lado-B da banda (já que veio ao mundo pela primeira vez no raro EP The Blue Room), a música ficou conhecida como parte do repertório de Live 2003, sua inauguração no mundo das gravações ao vivo. 95% voz e violão, é uma balada daquela de fechar os olhos.

42

Se um dia você tiver que explicar Coldplay pra alguém, mostre essa faixa. Ela começa com piano, toda melancólica, parte para um grande trecho instrumental de transição quase raivoso, meio guitarreiro, para desembocar em um universo colorido que consegue deixar versos como “you didn’t get to Heaven, but you made it close” mais leves.

Glass of Water

Outra música “essencialmente Coldplay”, essa apareceu no EP Prospekt’s March, que acompanhou uma versão especial de Viva la Vida or Death and All His Friends (2008). Da guitarra alegrinha do início ao refrão explosivo, é feita sob-medida para os fãs da banda.

Major Minus

Uma das músicas mais bacanas de Mylo Xyloto (2011), principalmente ao vivo, é também uma das mais subestimadas. No disco, ela serve como a transição entre a efusiva Every Teardrop Is a Waterfall e a fofinha U.F.O.. Sozinha, ou em outro contexto, é um musicão.

Moses

Outra canção retirada do Live 2003, mas essa foi feita especialmente para ele. Ela segue um pouco da pegada de faixas como Low e White Shadows, presentes no lançamento seguinte (X&Y). É mais daquele lado divertido do Indie Rock mais Pop (à la Snow Patrol e Keane) que a banda sabe fazer tão bem.

Spies

Uma das características mais marcantes da banda é construir faixas que parecem crescer naturalmente, até que, em determinado ponto, você se dá conta de que ela está prestes a explodir. Com Spies é assim, uma música que começa quietinha e logo expande seu universo em um clímax marcante.

Sparks

Na sua sequência em Parachutes, vem uma das músicas mais emotivas daquela fase da banda (e que serve de introdução para Yellow). Cantando mais baixo do que de costume, Chris entrega a performance mais intimista de todo o disco. Emociona até hoje.

Daylight

Incrível no disco, maravilhosa ao vivo: Daylight é uma das músicas que denotaram a vontade do quarteto de sair do óbvio. Mais de uma década depois, ela ainda surpreende (e empolga, ô se empolga!).

Twisted Logic

A canção que encerra X&Y (Till Kingdom Come vem como bônus) pega todo calculismo exibido ao longo do trabalho e entra em crise. Dentro de uma estrutura convencional, a dinâmica abre mão de fazer sentido para valorizar apenas a harmonia. É uma verdadeira sinfonia condensada em menos de cinco minutos, sempre com a alma exposta.

Death & All His Friends

Para concluir o álbum que (semi)leva seu nome, os músicos reuniram pequenos versos e uma bela melodia, como se tentassem encaixar o máximo de informação em uma só faixa. Deu certo. Ela vem doce e dinâmica, marcante e prazerosa, sempre emocional. Outra boa ilustração para se entender Coldplay.

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ARTISTA: Coldplay
MARCADORES: Lado B, Seleção

Autor:

Comunicador, arteiro, crítico e cafeínado.