Coleção de Selos: Sub Pop

Representante do “Som de Seattle” nos anos 90, hoje, a empresa não se detêm em um só estilo ou sonoridade

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Quem, hoje em dia, vê nomes como The Shins, CocoRosie, Mogwai, Washed Out, Fleet Foxes e Beach House pode nem imaginar que o grande sucesso da Sub Pop aconteceu na verdade no final dos 80 e começo dos 90. Os grandes hits do selo estão profundamente ligados ao movimento Grunge, que surgiu na mesma época em Seattle. A gravadora utilizou a mesma fórmula bairrista de gravadoras independentes como Motown ou Factory e começou a fomentar (e explorar) a cena local – sendo muito importante para popularização do estilo, bem como para a popularização de si mesma.

A história da Sub Pop é de certa forma única, conseguindo alcançar um status em que a marca em si chamava mais atenção que seus próprios artistas. Comprar um disco da gravadora, na época, se tornava mais legal do que comprar o álbum da banda X, Y ou Z. É claro que a música nunca ficou em segundo plano e foi a partir dela que toda essa hype em cima da cena, do Grunge e até mesmo o selo em si se formou, mas ainda assim a marca por si só ganhou muito da atenção por parte de jornalistas e ouvintes e foi uma das principais responsáveis por difundir o que foi chamado na época como “Som de Seattle” – período retratado no documentário Hype!. Como vocês bem sabem o estilo não durou pra sempre e após sua “morte”, a Sub Pop se viu em uma situação perigosa e que a levou, a exemplo de outras tantas gravadoras, tornar mais vasto seu catálogo e apostar em outros tantos estilos.

Mas agora voltaremos agora ao inicio – para ser mais preciso antes do inicio. Tudo começou com Bruce Pavitt, muito antes de ele sonhar em criar um selo de música independente. O futuro curador e empresário escrevia uma fanzine chamada Subterranean Pop, que após algumas edições teve o nome encurtado para como conhecemos hoje em dia, e teve a ideia de fazer compilações de artistas locais e vende-las juntamente com as revistas – e não é que isso deu muito certo? Em 1986, ele se juntou com Jonathan Poneman (alguém com uma boa visão de negócios e com um dinheiro para investir na ideia) e fundou a Sub Pop, agora como um selo. Bandas como Green River, Screaming Trees, Mudhoney, Soundgarden e Nirvana tiveram seus primeiros trabalhos lançados pela gravadora e foi nessa época que o Grunge se tornou um estilo radiofônico e a dupla explorou ao máximo tudo o que o estilo tinha a lhes oferecer.

Às portas de completar dez anos a empresa ia mal, com os sócios brigando pelo seu controle e um saldo bancário não muito positivo. Em 1996, grande parte da Sub Pop foi vendida a Warner – e a partir daí uma nova postura e abordagem mudaram (e muito) os seus rumos. Nessa época, Pavvit saiu do controle do selo alegando que queria passar mais tempo com sua família e com Poneman no controle e sem focar em uma cena especifica, a renascida a gravadora começou a busca por novos nomes e durante o fim dos anos 90 assinou bandas como o Sebadoh, Mark Lenegan, Sunny Day Real Estate, The Vaselines e The Spinanes – uma fase chamada Post-Grunge, mas que já abria as portas para uma nova musicalidade que invadiria a Sub Pop na próxima década.

Dos anos 2000 pra cá o selo entrou de cabeça na música Indie (como a conhecemos hoje em dia) e tem muita gente legal saindo de lá. Desde então a gravadora não se preocupa mais em fomentar uma cena ou alguma sonoridade especifica e ao invés disso, a ela parece buscar nas mais diversas vertentes artistas que se mostrem bons (e lucrativos, é claro): o Indie Pop/Rock do The Shins, Wolf Parede e The Postal Service; o Folk de Father John Misty, Fleet Foxes, nossa mais recente dica do Ouça, Rose Windows, e Iron & Win; o Noise Pop de No Age, Dum Dum Girls e METZ; o Synthpop do Beach House, Memoryhouse, Still Corners e Niki & The Dove; o som Experimental de Goat e CocoRosie e até o Post-Rock com Mogwai são alguns exemplos de um vasto catálogo recheado de bons nomes. Como uma pequena curiosidade, até mesmo bandas Foals (Total Life Forever), Band of Horses (Everything All the Time e Cease to Begin) e CSS (Donkey) já tiveram seus discos distribuídos pela Sub Pop.

Discos Fundamentais

Nirvana – Bleach

Foi só depois do lançamento de Nevermind que este disco conseguiu sua devida atenção, mas esse foi o estopim da cena Grunge e um dos principais discos já produzidos pela Sub Pop.

The Postal Service – Give Up

A primeira e única obra de Ben Gibbard e Jimmy Tamborello é um disco que rende inúmeros clássicos instantâneos e deixou muitos fãs órfãos de uma banda realmente incrível. Para quem estava ávido por novidades, a dupla se reuniu para comemorar os dez anos da obra e em seu relançamento divulgaram muitas faixas-bônus.

The Shins – Oh, Inverted World

Esse disco, lançado em 2001, foi um dos principais responsáveis pela aposta do selo na Música Indie no novo século. Sucesso estrondoso, o álbum, junto com Give Up, bateram recordes de venda e começaram ali a propagar o Indie Pop no mainstream.

Sebadoh – Bakesale

Depois de Lou Barlow do Dinasaur Jr., ele pode se focar inteiramente ao seu projeto paralelo que acabou virando principal. Esse disco de 1994 se mostra um dos mais coesos e potentes discos já produzidos por Barlow e sua turma e também o começo da mudança de sonoridade do selo durante a década de 90.

Sunny Day Real Estate – Diary

A década de 90 foi o principal berço do Emo no mainstream e esse disco foi um dos principais representes e responsáveis por cristalizar o movimento nos próximos anos. E mais que isso, ele prova que muito antes de o estilo virar um pastiche sem fim com delineadores e maquiagens sombrias, ele era muito bom.

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Autor:

Apaixonado por música e entusiasta no mundo dos podcasts