Coleção de Selos: XL Recordings

Do Eletrônico ao ecleticismo, o selo sempre conseguiu levar seus artistas e suas sonoridades inovadoras ao mainstream

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Nesse inicio de Especial sobre os selos independentes, você já deve ter notado que mudar de direção no meio do caminho é uma estratégia normal e que muitos dos selos que se depuseram a cobrir o estilo X, Y ou Z nos primeiros anos ou décadas de sua vida, em sua grande maioria, passam a cobrir diversos outros gêneros e sonoridades. Bem, com a XL Recordings (mais um braço da Beggars Group e irmã de selos como 4AD e Matador) a história não é diferente, mas é minimamente curiosa.

No início a gravadora, idealizada por Richard Russell, iria cobrir dois grandes expoentes da Música Eletrônica feita no final dos anos 80 e começo 90 (e que reflete muito bem a virada entre as décadas na qual o selo nasceu): a Rave e a Dance Music. Porém, os ritmos que dominariam o começo dos 90, logo estariam fadados ao esquecimento e a sobrevivência do selo dependeria da sua adaptação ao novo cenário e foi aí que surgiu o Rock na história da XL (que mais tarde abraçaria também inúmeros outros estilos) – mas deixaremos isso para mais tarde.

Os primeiros anos e lançamentos do então dançante selo se concentram em sonoridades eletrônicas que vão desde os bombados The Prodigy e Basement Jaxx, até os que fizeram sucesso somente em seus nichos (T99, SL2 e Jonny L, por exemplo). Mas como já dito, esses movimentos durariam pouco e já no fim dos anos 90 (mesmo com The Prodigy se mantendo em alta após este período), outros tantos gêneros se tornaram mais interessantes e prendiam mais a atenção (e os bolsos) dos ouvintes. Um evento interessante nessa época foi que a curadoria, até então dividida com Tim Palmer, foi deixada somente nas mãos (de Midas, muitos alegam) de Russel – e foi a partir daí que as coisas começaram a ficar interessantes para o selo.

Esse tal toque de Midas ficou em evidencia com a chegada do novo século e com uma mudança um tanto ousada no rumo da curadoria do selo. O que até então fora dominado por vertentes da Música Eletrônica, ganhou o peso da guitarra de Jack White e a crueza percussiva de Meg White para adentrar a nova década com uma sonoridade reformulada e uma proposta mais abrangente – ainda que a alta qualidade fosse o elemento essencial na escolha de novos artistas. White Blood Cells (2001), terceiro disco do duo The White Stripes, porém primeiro pela XL, abriria caminhos para artistas das mais variadas vertentes musicais.

M.I.A., Thom Yorke, Radiohead (a partir do lançamento de In Rainbows), Vampire Weekend, The xx, Adele, Friendly Fires, Beck, Jack Peñate, The Radio Dept., Ratatat, Tyler, The Creator, The Horrors, Sigur Rós, Devendra Banhart, Peaches, The Raconteurs e outros tantos nomes vieram em uma leva estelar de artistas que basicamente dominaram as paradas durante quase toda segunda metade da década de 2000. O mais interessante (e também curioso) é que a gravadora não interferia em nada no processo criativo e de concepção dos álbuns – ela simplesmente fornecia o ambiente e os meios para que estes discos pudessem ser lançados; o resultado dependia totalmente dos artistas.

Mais que simplesmente levar seus artistas ao mainstream, o selo tem como principal característica levar a música inovadora ao mainstream – e partir daí lançar alguns movimentos. Seja o Blues Rock/Indie Rock com o The White Stripes (claro que na época existiam outras bandas também envolvidas na cena, mas sem dúvida Jack e Meg White tiveram um papel importante nisso), o Grime Pop de Dizzee Rascal, o Afrobeat do Vampire Weekend ou ainda o minimalismo em slow motion do The xx, essas foram todas apostas do selo – todas muito bem sucedidas e que renderam dinheiro, premiações e nomeações a melhores disso ou daquilo para estes álbuns. Falando em dinheiro e vendagens, 21 da Adele, um dos discos mais vendidos na Inglaterra, foi lançado pela XL e te garanto que não foi nenhum tiro no escuro – isso sem contar o estrondoso sucesso da cantora com 19 (lançado dois anos antes).

De certa forma, a XL tem o mesmo poder mercadológico que Sony ou EMI, porém com um número incrivelmente menor de artistas e de lançamentos anuais. E isso se deve principalmente a Russel e sua escolha certeira na hora de apostar em novos nomes – e desmistificando essa tal “mão de Midas”, o que Richard realmente traz ao seu selo é a convicção do que ele gosta ou não, bem como trazer artistas com essas mesmas convicções sobre sua própria música e seus gostos.

Discos Fundamentais

The Prodigy – The Fat of the Land

Responsável por levar a marca do selo para todos os cantos do mundo, esse disco um dos últimos suspiros da música puramente eletrônica dentro da gravadora, mas foi também um suspiro que vendeu extremamente rápido (e foi parar até no Guinness World Records por isso).

The White Stripes – Elephant

Mesmo não sendo esse o primeiro disco da dupla a fazer sucesso pelo selo, quando lançado, em 2003, este fez ainda mais barulho que sua estreia pela XL. E se você não se lembra, é deste álbum um dos maiores hinos da recente história do Rock: Seven Nation Army.

Adele – 21

Você deve ter acompanhado no ano passado a moça escalando e chegando cada vez mais alto nas posições de discos mais vendidos e mais tempo no topo das paradas (Isso sem contar os inúmeros prêmios). Bom, foi esse o disco responsável por isso.

Tyler, The Creator – Goblin

Depois de muito tempo, Russel decide novamente apostar em um rapper e quem melhor para se apostar do que no jovem Tyler? Líder do polêmico Odd Future, o músico soltou algumas mixtapes pela XL, mas foi só com seu debut que realmente ganhou maior popularidade.

Vampire Weekend – Vampire Weekend

Desde 2007 muito já se falava muito sobre quatro jovens nova-iorquinos que no ano seguinte lançariam um disco ímpar na história da gravadora. Embarcando influências étnicas ao Indie Pop/Rock feito na época, nascia ali um fenômeno chamado Vampire Weekend – que também ajudou a revitalizar a cultura do Afrobeat no novo século.

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Autor:

Apaixonado por música e entusiasta no mundo dos podcasts