Com disco “Canções de Bad”, Viis vai “na contramão” de seus outros projetos

Diego Souza (Supercolisor, Luneta Mágica, Alderia) lança primeiro trabalho solo

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Fotos: Roger Lima

A grosso modo, existem dois tipos de “novos artistas”: Os que decidiram agora começar uma carreira e os projetos que nasceram dentro uma trajetória já estabelecida. Não é arriscado afirmar que qualquer um que ouça Viis pela primeira vez sente que seu caso é o segundo – o que é verdade, já que Diego Souza, o nome por trás da banda, é alguém que já conhecemos com os grupos Supercolisor, Luneta Mágica e Alderia.

Há um outro senso de confiança e de – isso mesmo que você pensou – maturidade na maneira de nos apresentar seu primeiro trabalho, Canções de Bad, com lançamento antecipado em um dia pelo Monkeybuzz. Tem a ver com a maneira que ele canta, com as escolhas de produção e, principalmente, com o tratamento que deu a temas não lá tão simples de tratar com leveza sem perder a seriedade. O tipo de coisa que nem todo “novato” conseguiria, ainda mais sozinho.

“Nessa gravação, quase todas as ideias que eu tive acabaram entrando no disco porque o único censor era eu mesmo”, contou Diego ao site, afirmando também que “a produção desse disco e de toda a criação da estética do meu projeto solo foi uma tentativa consciente de ir na contramão dos meus outros trabalhos com bandas da forma mais ampla que eu conseguisse pensar”, o que gerou um resultado bastante diferente do que esperaríamos ao ver seu currículo. “Tem coisa nas letras desse EP que nem meus amigos mais próximos ou minha família sabem que eu penso”, diz ele, “é legal poder botar tudo pra fora, é quase uma forma de terapia”.

Canções de Bad apresenta um clima oitentista e sintetizado que é também bastante contemporâneo (“Marina Lima Vaporwave”, como brincamos na entrevista), o que deve agradar quem tem ouvido André Whoong, Qinho e Séculos Apaixonados, para citar alguns. Ele explica essa estética como circunstacial: ” eu tinha um laptop com uns softwares, peguei um microfone emprestado com um amigo e gravei na raça sem muita frescura, o que acabou fazendo com que o disco soasse lo-fi, quase um som anos 80 underground”, “foi super tranquilo e rápido porque eu não me pressionei a fazer nada, tudo fluiu muito naturalmente”.

“A experiência de já ter gravados vários discos antes me deu mais tranquilidade na hora de produzir, porque aos poucos você vai percebendo o que realmente importa na música e não perde tanto tempo e sono com paranoias sobre o que vai ser bem aceito ou não”, comenta ele, que afirma ainda que o trabalho com o nome Viis o fez “sair da minha zona de conforto artística e me trouxe novos ares e ideias” – algo que qualquer veterano sabe que é essencial para manter sua criatividade em forma.

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Autor:

Comunicador, arteiro, crítico e cafeínado.