Dá Tempo de Ouvir Música do Seu Jeito

Cada pessoa tem uma percepção diferente de uma faixa e da melhor maneira de escutá-la

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O tempo é medido da mesma forma para todos, mas cada um percebe seu passar de uma forma diferente. Uma faixa de doze minutos pode passar rapidinho pra alguns enquanto aquela de três e meio parece interminável para quem não lhe gosta. Em música, “tempo” ainda tem a ver com o ritmo, algo que também é medido da mesma forma, mas apreendido de maneira pessoal (o que pra você é uma batida agitada, pra outros pode ser bem menos). Mas e a vida útil de uma faixa ou disco, como você a percebe?

São muitos os lançamentos diariamente e parece que uma música fica “ultrapassada” rapidamente. Entre gente que consome muitos discos, clipes e streamings, não é difícil ouvir que algo foi lançado “há muito tempo” ou que é “velho” quando saiu há, por exemplo, dois meses.

Às vezes fica até difícil acompanhar os lançamentos (e o Monkeybuzz trabalha justamente pra você não ficar por fora do que mais interessa) e rola aquele medo de você deixar passar alguma coisa imperdível. Então o que fazemos? Aceleramos a audição! Você ouve o quanto antes tudo o que aparece pela frente.

Mas e aí, será que esse apetite voraz segue o compasso da digestão? Em outras palavras, será que ouvir tanta música só pra fazer a fila de discos andar não atrapalha na hora de aproveitar plenamente aquela obra? Desse jeito, dá pra prestar atenção nos detalhes e na mensagem (geralmente em poesia) que o artista colocou ali?

Tenho a impressão que algumas músicas são feitas para serem eternas, sem data de validade, enquanto outras são lançadas com ambições mais imediatas. Como público, é difícil nós medirmos a intenção por cada composição – e nem precisamos, na verdade, já que o que importa é a relação que nós mesmos estabelecemos com aquela obra.

Daí, vai ter coisa que vai durar mais ou menos pra você e pros outros não. A banda lançou um disco novo, mas você ainda tá ouvindo o antigo, ou toca na rádio ou na festa a novidade, mas você queria era ouvir aquela anterior – acontece. Normal também é alguém (ou todo mundo) começar a escutar agora alguma coisa que você já ouve há meses, até nem ouve tanto mais.

É aí que a gente se dá conta de que é ótimo compartilhar e conversar sobre música, mas essa é uma tarefa melhor desempenhada sozinho, ao seu próprio tempo. Pra você desenvolver uma boa relação com a música sem deixar de acompanhar os lançamentos, estas três dicas podem vir a calhar:

Encontre o seu ritmo

O pessoal tá consumindo música assim ou assado, mas não quer dizer que isso vai te fazer bem. Se o mais legal pra você é escutar pela primeira vez, não perca tempo e vá atrás de quanto mais discos conseguir. Se for o contrário e você precisar de meses até virar para o lado-B, não tem problema. O que importa é você aproveitar ao máximo.

Descubra o seu formato

Tem gente que precisa ouvir álbuns inteiros, enquanto outros gostam de músicas soltas (tipo modo shuffle ou programa de rádio), talvez a mesma faixa por horas no repeat. Há também os que preferem consumir playlists e estão todos certos. Saber como você absorve melhor o som vai ajudar a fazer com que as músicas durem o tempo certo pra você, seja isso alguns dias ou uns bons anos.

Não se contente em apenas ouvir

Como dissemos antes, compartilhar e conversar sobre o que você está escutando é sempre legal para ouvir ideias diversas e pensar melhor sobre as músicas. Porém, para você aproveitar ao máximo, vale a pena ler mais (sejam resenhas ou artigos diversos) e conhecer mais da banda, do estilo ou mais sobre a arte e o mercado musical como um todo.

Se o que é bom dura pouco, música pode ser a exceção da regra e valer pelo tempo que te for melhor. Aproveite.

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MARCADORES: Discussão

Autor:

Comunicador, arteiro, crítico e cafeínado.