Há uma frase dita por aí – cujos créditos incertos (ou inventados) vão de William S. Burroughs a Elvis Costello, de Miles Davis a Steve Martin – que diz que “escrever sobre música é como dançar sobre arquitetura” (ainda existe a versão “falar sobre música é como cantar sobre economia”). O argumento, que tenta rejeitar o papel da crítica ou do jornalismo musical, é o de que notas, melodias e harmonias são feitas para sentir. E quem discorda?
Mas, quando bem coreografada, a dança do jornalismo musical incrementa, amplia e diversifica a arquitetura de sentimentos depois que o play é apertado. Mais do que isso: transforma notas, melodias e harmonias em cultura. Discos, em assunto. E, emprestando a clássica provocação de Antônio Abujamra, faz do som um periscópio sobre o oceano do social.
Desde 2012, o Monkeybuzz trabalhou com esse manual debaixo do braço – um que diz que música é coisa séria. Que análises, artigos e entrevistas podem ultrapassar os 20, 30 mil caracteres, se assim o que for dito pedir. Em um mundo de atenção tão fragmentada, de pressa e tempo curto, nós seguimos pedindo ao leitor: pare, leia, ouça.
Entre centenas – na verdade, milhares – de conteúdos publicados no Monkeybuzz ao longo desses 13 anos, além de resenhas e matérias, destacam-se colunas e seções especiais, como Revisitando Meus Clássicos, 5pra1, tantas coisas, Playlist da Vida, Sinapse, Nos Bailes da Vida, Mono Podcast, Dip Recordings e muitas outras.
Espaços em que os jornalistas mantiveram seu radar ligado, tanto para novidades quentes, como para pérolas que mereciam atenção e a escuta de mais gente. Cada autor colocando ouvidos, talento e paixão a serviço de textos que, com certeza, cravam lugares especiais na história do jornalismo musical brasileiro. E eu agradeço a todos vocês!
Por me deixarem saborear esse desafio durante quase seis anos: ler e editar textos que expressam a subjetividade, os recortes, os enfoques e a emoção criativa de cada um – garantindo a linha editorial e, ao mesmo tempo, fazendo ressoar vozes tão únicas. Textos, sim, do Monkeybuzz e, sobretudo, de cada autor. O site continua para sempre como memória, arquivo e fonte.
Obrigado a todos que escreveram, obrigado a todos que leram (ou lerão). Lutamos a boa luta, combatemos o bom combate – e vendo tudo o que foi produzido ao longo dessa jornada, eu digo que vencemos.
Maurício Amendola Assis – Editor do Monkeybuzz
Publicações marcantes escolhidas pelos próprios autores
Ana Laura Pádua
Isabela Yu
Lucas Repullo
LCD Soundsystem – This Is Happening
Victor Puia
2BUNK assiste ao caos pela janela
Lucas Freire
Deserendando Nabru
Gabriel Rolim
Gabriela Amorim
Bebé: de janela aberta pra luz que vem de dentro
Roger Valença
Radiohead – A Moon Shaped Pool
Lucas Borges Teixeira
Revisitando Meus Clássicos: Martinho da Vila – Canta Canta, Minha Gente (1974)
André Felipe de Medeiros
Isadora Almeida
Nik Silva
Lucas Cassoli
Ouve que lá vem trilha (do Hélio Ziskind)
Juliana Ferreira
A Califórnia de Anderson .Paak
Pedro João
New Broadway Cast of Merrily We Roll Along – Merrily We Roll Along
Thaís Regina
Uma entrevista com Febem (ou uma matéria sobre Febem)
Maurício Amendola Assis
Stevie Wonder e a vida como ela é
João Victor Medeiros
A ponte entre Hip Hop e stand-up comedy
GG Albuquerque
Tuin, montagens no Fruity Loops e som de passarinhos: no estúdio com DJ K e JLZ
Brenda Vidal
Savannah: a festa comandada por imigrantes africanos na capital mais ao sul do Brasil
Thaís Ferreira
De: Rachel Chinouriri. Para: Rachel Chinouriri
Luan Gomes
10 anos de “Heaven Adores You”: uma jornada pelo legado de Elliott Smith
Daniela de Jesus
Renan Guerra
Monstros e fantasia com Oliver Sim
Dora Guerra
Leo Gimenes
Bole árabe: uma breve história dos ritmos árabes no funk
Nicolle Cabral
Amanda Cavalcanti
Guilherme Araújo
Mon Laferte, a nossa senhora do drama
Márcio Bastos
O pop da virada do milênio ainda está entre nós
![]()
