Dez Estrofes para Morrer de Amores pelo Disco “The Smiths”

Álbum homônimo da banda de Morrissey completa 30 anos de seu lançamento

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Ouvir o álbum The Smiths trinta décadas após seu lançamento ainda é um trabalho para se apaixonar – seja por alguém, pela sua dor ou pela banda de Morrissey. Este, inclusive, é seu trabalho de estreia, digno de meses e meses nas paradas britânicas e daquele gostinho de clássico com que ele vem hoje.

Desde seus primeiros acordes, nos deparamos com a melancolia e os acordes em tom menor que fizeram The Smiths ser uma das bandas de maior estaque da década de 1980 e imensamente querida por fãs ao redor do globo até hoje.

Se você chegou agora e ainda não captou a essência do grupo, separamos dez estrofes cantadas ao longo das dez faixas do álbum original (mais uma bonus track no meio) que dão uma boa ideia do estilo The Smiths de ser e compor. Fica aí também a oportunidade de começar a vasculhar a discografia da banda.

Reel Around the Fountain

“Fifteen minutes with you / Well, I wouldn’t say no / Oh, people said that you were virtually dead / And they were so wrong”

O refrão da música que abre o disco traz o romantismo sensível com um quê fora da curva que rende identificações das mais diversas até hoje, seja na hora de ouvir as músicas com fones de ouvido ou nas imagens compartilhadas com versos no Tumblr. No caso, ele proclama o amor por uma garota por quem ele enxergava um valor que os outros não viam. Adorável.

You’ve Got Everything Now

“I’ve seen you smile / But I’ve never really heard you laugh”

Existe uma certa exaltação da melancolia em The Smiths, daí suas músicas serem às vezes tidas como depressivas. Não chega a ser o caso desta, mas a menina cuja canção se refere, que sorri, mas nunca ri, é um bom exemplo do público que se identifica com esses discos – além de ser uma personagem muito interessante.

Miserable Lie

“I need advice / Nobody ever looks at me twice”

Nesta faixa, Morrissey canta que o amor é apenas uma mentira contada pra se passar um tempo com alguém e o eu-lírico se sente abusado, destinado a sempre estar apenas uma noite com alguém. É triste, mas de uma sensibilidade muito compreensível, mesmo se você nunca passou por nada parecido.

Pretty Girls Make Graves

“I could have been wild and I could have been free / But nature played this trick on me”

Timidez e constrangimento se misturam nesta canção sobre não saber lidar com uma menina bonita, do tipo que te deixa sem saber o que falar e tudo o que você pode fazer é vê-la aceitando feliz o pedido de um outro cara. Quem nunca, né?

The Hand that Rocks the Cradle

“And when darkness lifts and the room is bright / I’ll still be by your side / For you are all that matters / And I’ll love you to till the day I die”

É esse o nível de intensidade romântica de alguns dos versos da banda, como o já clássico “To die by your side / Is such a heavenly way to die” de There Is a Light That Never Goes Out. Fica difícil não se apaixonar assim.

This Charming Man

“Will nature make a man of me yet? “

Curiosamente, esta faixa não estava no lançamento original de The Smiths na Inglaterra, tendo sido incluída na versão lançada nos Estados Unidos e em todos os relançamentos do disco desde 1992. No final, virou uma das melhores e mais conhecidas do disco e deve agradar quem gosta de letras como De Onde Vem a Calma, que Los Hermanos lançou em seu Ventura.

Still Ill

“I decree today that life / Is simply taking and not giving”

No maior estilo Pós-Punk, Morrissey faz uma declaração hedonista que, na verdade, mascara suas inseguranças e insatisfações. É aquela emoção adolescente que faz a pessoa gritar de raiva quando está triste e ir pro quarto chorar por não saber lidar com nada disso.

Hand in Glove

“No, it’s not like any other love / This one is different – because it’s us”

Quem é que nunca quis viver algo único? E quem nunca passou por uma história que jurava ser totalmente incrível? É, tem um pouco de todos nós em The Smiths.

What Difference Does It Make?

“I’m so sick and tired / And I’m feeling very sick and ill today / But I’m still fond of you”

Sabe música que você ouve e tem vontade de abraçar quem está cantando? Costumo passar isso com Keaton Henson, mas nesta aqui a gente quase sai correndo por um túnel do tempo e falar “dá cá um abraço, Morrissey” em 1984.

I Don’t Owe You Anything

“Life is never kind / Oh, but I know what will make you smile tonight”

Às vezes, tenho a impressão que a alegria só está presente verdadeiramente em The Smiths em uma via de mão única, de dentro pra fora. O eu-lírico está sempre disposto a fazer alguém feliz, mas se encontra sempre nesse débito. Como diz aqui, “I don’t owe you anything, but you owe me something”.

Suffer Little Children

“You might sleep / But you will never dream”

Um tributo às jovens vítimas de assassinatos ocorridos em Manchester entre 1963 e 1965 encerra o primeiro álbum da banda, como um grande lamento dissonante, um verdadeiro pesadelo do terror que vem à mente quando se pensa no assunto. É interessante como só na última faixa o eu-lírico para de olhar a si mesmo (e para a garota que tanto quer) e enxerga o que está a seu redor, ainda que faça isso revirando sua memória – ou seja, ainda está fechado em si mesmo. Esse é o tom introspectivo que impera pela obra de The Smiths e que faz com que pessoas de todas as idades, em qualquer época, consigam se identificar com a banda.

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ARTISTA: The Smiths
MARCADORES: Aniversário

Autor:

Comunicador, arteiro, crítico e cafeínado.