Diogo Strausz: Convite ao Voo Mais Alto

Músico prepara lançamento de seu primeiro álbum solo

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Fotos: Monkeybuzz

“Mas você gosta de desafios”, sugeri em certo momento da conversa com Diogo Strausz e logo recebi um enfático “muito” com os olhos mais abertos enquanto a palavra saía. Conhecê-lo pessoalmente confirmou minhas suspeitas de uma pessoa criativamente inquieta, de postura sempre crítica munida de um verdadeiro preciosismo poético. Tanto é que, após ter produzido tantos discos que gostamos bastante, ele está prestes a aventurar-se em seu primeiro álbum, que traz participações de músicos com quem ele já trabalhou e outros com quem sempre quis dividir o estúdio.

Aos 25 anos, o ex-R.Sigma (banda que dividia com Castello Branco) direciona sua carreira para a produção musical e já acumula um currículo invejável, ainda que recente. Nascido e criado no Rio de Janeiro, Diogo é filho de cantor e escritora, o que fez com que a arte estivesse já em seu DNA. E ele é desses que conversa usando figuras de linguagem para explicar qualquer coisa e mostra ser bastante analítico sobre as coisas, as pessoas e si mesmo – características que denotam ainda mais sua aptidão para as linguagens artísticas. Em outras palavras, ele parece ter nascido pra isso.

Strausz – Habitat

Além de ser um dos responsáveis pela estreia de Castello Branco (Serviço, 2013), Strausz tem seu nome ligado a outros discos resenhados no Monkeybuzz, como os de João Capdeville e Jacob Perlmutter, assim como o elogiado Rainha dos Raios, de Alice Caymmi. Cada um desses é citado como marcos em sua carreira, que receberá em janeiro Spectrum Vol. 1, álbum cheio de convidados que deve ampliar tanto o público que ouvirá falar do músico quanto o número de estilos ao qual ele pode ser associado.

“Esse disco traz ideias que eu venho tendo já de uns dois anos pra cá”, conta ele “e me deixa muito feliz porque esses últimos dois anos foram de muito estudo pra mim como produtor, e eu tive oportunidade de colocar em prática ideias que eu não sabia se eu conseguia fazer”. “Eu não sabia se eu conseguia há dois anos fazer um arranjo de cordas. Eu ouvia ele na minha cabeça, mas eu não sabia se eu conseguia dirigir um músico”, continua. Ao perceber que poderia executar suas ideias, decidiu fazer o registro.

Castello Branco – Necessidade

Jacob Perlmutter – I Release You

O que ajudou a ficha a cair foi justamente o trabalho com o inglês Perlmutter, que veio ao Brasil só para trabalhar no disco com Strausz. Com orçamento limitado e tempo menor ainda, ele precisou fazer tudo acontecer em apenas três semanas. Após esse teste de fogo, ele saiu como um produtor mais refinado e ainda mais capaz de investir em seu próprio taco.

Ao longo do papo, ele se descreve como organizado e metódico, contando que gosta de trabalhar com pessoas com quem tem afinidade e que acrescentam ao trabalho não só com seus talentos, mas também com suas próprias visões – mais ou menos como os músicos devem pensar ao procurá-lo.

E são pessoas assim também que ele convidou para Spectrum Vol. 1, com lançamento previsto para janeiro, um disco que ele define como “bem desconexo e conectado ao mesmo tempo”, por não prender-se a estilos específicos, porém ter como fio condutor não só as estéticas mais contemporâneas como a ambição de realizar um desafio com louvores – algo que sua carreira tão jovem já esbanja.

João Capdeville – Sua Vitória

Alice Caymmi – Como Vês

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Autor:

Comunicador, arteiro, crítico e cafeínado.