Do Éden a L.A., o “Tropico” de Lana Del Rey

Em uma festa para os olhos, cantora faz suas vezes como atriz e roteirista em curta dirigido por Anthony Mandler

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Minha missão ao assistir Tropico, o famigerado curta escrito e estrelado por Lana Del Rey, era clara: Contar se vale a pena o leitor não-fã da moça investir quase meia hora de sua vida assistindo ao filme. Para a felicidade geral da Web, digo ao povo que minha resposta é um animado “boa, vai nessa!”.

Não que eu ache que é uma produção que vai agradar todo mundo, mas entendo que mesmo quem não foi fisgado pelas músicas da cantora pode curtir a experiência que acontece após o play. Veja o trailer.

Tropico traz as ideias de Lana pelas lentes de Anthony Mandler, diretor com quem ela já havia trabalhado nos clipes de National Anthem e (o excelente) Ride. O que vemos é mais apropriação de personagens do repertório popular ocidental (como no primeiro) sob a estética da decadência que a cantora trabalha desde Video Games, tudo em um show cinematográfico que expande muito aquilo visto em Ride.

Não espere um filme com uma historinha mostrada em falas, cenas quadradinhas e personagens convencionais. A trama se desenrola por três atos, acompanhados cada um de uma música de Lana (Body Electric, Gods and Monsters e Bel Air, respectivamente), acompanhando um casal (vivido por ela e o ator/moelo Shaun Ross) em um processo de perda da inocência, atingir o fundo do poço e encontrar a redenção, sem nunca sair um do lado do outro.

Cada um desses atos traz um clima muito próprio, o que dá uma impressão de três videoclipes seguidos – mas no bom sentido e sem perder a coesão. O primeiro tem visual propositalmente artificial de estúdio em uma aparência lo-fi, conferindo um caráter espiritual a Marilyn, Elvis e John Wayne no Jardim do Éden. O seguinte vem com alto grau de realismo, mostrando Lana como uma stripper e seu amado como um balconista que encontra no crime um escapismo à vida que levam.

O último traz a redenção em um show de imagens lúdicas e pra lá de bonitas. Tudo é intermediado pela narração carismática da cantora, menções a Bíblia e pequenas referências, até mesmo a Shakespeare, para narrar a insatisfação existencial em uma época regida pela Indústria Cultural.

Admito que é um trabalho muito mais para os olhos (e, obviamente, para os ouvidos de quem curte o trabalho de Lana), já que a história por si só não surpreende – mas também não faz feio. Ela atua direitinho e, isso precisa ser dito, nunca esteve tão bonita.

Reserva aí 25 minutos (28 com os créditos) do seu dia e vai nessa.

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ARTISTA: Lana Del Rey
MARCADORES: Curta Metragem

Autor:

Comunicador, arteiro, crítico e cafeínado.