Donny Benét: “Minha nostalgia nunca foi tão intencional, é só o som que eu curto fazer”

Músico australiano exibe persona extravagante e musicalidade carismática

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Donny Benét parece um personagem coadjuvante de uma comédia romântica de Hollywood, aquele cara que consegue encontrar uma referência sexual em uma situação neutra e, ao mesmo tempo, tem seu papel na história ao impulsionar o casal a ficar junto de alguma maneira. Só que sua produção musical, incluindo videoclipes, traz o australiano como protagonista dentro dessa mesma persona, que parece um locutor de rádio das antigas, uma espécie de guru romântico que caiu em uma pilha de vinis dos anos 1980.

Em conversa por telefone ao Monkeybuzz, o músico pareceu conseguir ficar em cima do muro entre expor seu lado mais pessoal e cultivar mais dessa persona. “Acho que as pessoas sempre quiseram interpretar personagens”, conta ele, “quando você é um músico, você ganha a confiança de subir no palco e ser uma pessoa completamente diferente, mesmo se na vida privada você for mais tímido”.

Seu som, como ouvido no disco The Don (lançado em abril), traz a ginga meio cool, meio cafona de um Mayer Hawthorne com a atitude lasciva de nomes como A Band Called Love. É uma estética merguhada em referências oitentistas desencanadas de disfarces, ainda que suas letras falem de temas bastante atuais (como Tinder, por exemplo). Para a gente aqui no Brasil tem um paralelo com o que ouvimos na música popular daquela década que ecoa e inspira até hoje em nomes como Mahmundi e Qinho, por exemplo.

“Acho que hoje em dia estamos o tempo todo tentando nos distrair de tudo o que está acontecendo no mundo, enquanto os anos 80 tinham uma pegada mais ingênua e burrinha, mas de um jeito bastante charmoso, que te faz torcer o nariz e querer mais ao mesmo tempo”, comenta o músico, que afirma que sua nostalgia “nunca foi tão intencional, é só o som que eu curto fazer”.

Sobre o olhar para o passado, ele comenta que sempre “tô sempre tentando reviver alguma coisa de antes, acho que tudo que eu faço na minha vida é assim”. “Uma coisa que eu tenho em mente sempre que componho é que eu vou ter que tocar aquilo ao vivo um dia. E o que faz uma performance ser legal pra mim é poder tocar o som que eu curto”, explica ele.

Conhecido na cena de seu país principalmente por seu trabalho como baixista, ele comenta que o que mais gostou na produção de The Don foi poder explorar os timbres escolhidos no estúdio: “Foi legal poder trabalhar com esses instrumentos, escolher sintetizadores antigos. Foi um processo bastante ‘nerd’, de curtir estudar esses instrumentos e aprender a interpretá-los nos dias de hoje, o que acabou sendo o que tornou o disco especial”.

Mas além de falar sobre suas músicas, é difícil não comentar sobre essa sua persona tão excêntrica – algo que fica ainda mais encorajado por sua atitude blasé ao tratar o assunto. Quando perguntado sobre como as pessoas se travestem de personagens de si mesmas nas redes sociais (uma isca para ele entregar mais sobre si), Donny comenta: “Com Instagram, acho que todo mundo tem que se adaptar para a maneira com que o app funciona. As pessoas escolhem os restaurantes que querem comer baseadas nas fotos dos pratos que veem na rede. Com a música, você pode trabalhar de duas maneiras: Você pode escolher dividir sua vida com estranhos do mundo inteiro, o que pode ser legal, ou você pode dar às pessoas uma experiência nova que faz com que elas queiram gastar tempo com o que você tem a oferecer”.

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ARTISTA: Donny Benét
MARCADORES: Conheça, Entrevista

Autor:

Comunicador, arteiro, crítico e cafeínado.