Double trouble

Cinco bares em São Paulo em que trilha e bebida harmonizam perfeitamente

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Fotos: @mdemuto/Bar Fel

O Ministério da Saúde deveria advertir: se beber não dirija, não mande mensagens para o seu ex e, muito menos, se obrigue a ouvir música ruim. Para não correr, pelo menos, por este último risco e tomar aquele negroni, gin-tônica ou bloody mary preferido em paz, separamos alguns pontos em São Paulo onde o coquetel e a música ambiente são feitos com a mesma excelência.

Heute

Quem é de bater ponto em clubes e festinhas, uma hora ou outra precisa passar no Heute, que fica no 26 da Aureliano Coutinho, no bairro de Santa Cecília. Focado em drinks e brunch ele funciona tanto como o pré quanto como o pós da fritação. Paredes descascadas, tapeçaria antiga, e sofás e poltronas vintage dão o clima do espaço interno, mas o agito mesmo do negócio só rola quando o público passa a ocupar a calçada da frente, com suas taças bem generosas de gin-tônica ginger na mão. O hype – com motivo – vem dos donos, a modelo divertidíssima Ellen Milgrau e o músico e artista plástico Stroka. Do residente da Capslock e de sua namorada sai o repertório eletrônico da casa, que é muito mais tranquilo que seus sets, mas não decepciona nenhuma clubber. Com sorte, também, você pode contar com um L_cio ou Tessuto, em eventos especiais.

Caracol

No número 76 da Rua Jaguaribe, na Vila Buarque, está o Caracol. O espaço, que tem como um dos sócios Millos Kaiser, o co-criador da festa Selvagem e da Selva Discos, tem a música como uma coluna vertebral. Não que a cozinha e os coquetéis sejam menos importantes – tanto a burrata quanto o gin basil smash comprovam isso –, mas não é todo bar que consegue manter um padrão de convidar grandes DJs para tocar praticamente todos os dias. Estão na lista nomes como Renato Cohen, Gui Scott, Rico Jorge, Andrea Gram, Nyack, Vermelho, e o próprio Millos que, no analógico, colocam para funcionar caixas importadas de Oregon, EUA. O gostoso do lugar é que a arquitetura privilegia momentos diferentes e você pode começar despretensiosamente no balcão, partir para a parte aberta, que fica nos fundos, e voltar com tudo para a pistinha e curtir Ambient, Disco, Soul, Boogie, Synth Pop, algumas brasilidades e sempre aquele bom e velho House.

Bar Fel

Na República, o Fel está praticamente escondido na rua que acompanha a curva do Copan. O espaço é pequeno e até desconfortável para grupos, mas com jeito intimista acolhe bem uma dupla ou alguém que queira beber sozinha. Sim, o Fel foi criado exatamente para visitas únicas e momentos de introspecção. Com humor ácido, eles dizem que os seus coquetéis, ou “poções de ilusão”, dão uma força àqueles que perceberam que a vida está uma derrota. “Música triste, coquetelaria clássica e pouca luz”, é o jeito que o Fel passou a ser chamado. Tudo melhora, realmente, com a carta de drinks pensada e executada pela premiada equipe de barmaids – como quando se toma o The Communist, um soco alcoólico de esquerda delicioso. Mas como momentos de reclusão pedem mesmo uma boa fossa, espere por Leonard Cohen, Maysa, Nick Cave, Aldir Blanc, Johnny Cash e Belchior dando o tom.

Pavão

Um dos novos pontos da Santa Cecília, o Pavão fica no 155 da Sebastião Pereira. Assim como o pássaro que dá nome a casa, eles também têm “cauda” colorida – os banheiros laranja e azul do fundo são bem instagramáveis, para quem é de selfie – e não tem a menor vontade de ser convencional. A maior prova disso é o cardápio que conta, até mesmo, com patacones de língua bovina. Contudo, o trunfo mesmo está no espaço grande, com mesas que funcionam para grupos de amigos, e pista de dança sempre preparada para minifervos. Baladas como o Baile do Risca Fada, o Clube do Desejo e o Piranha Elétrica, levam DJs como Dan Nassor, da festa Chorume, e Wesley Miranda, da Batekoo. Nas primeiras horas e nos primeiros goles, todas ficam bem finas com um pouco de Disco no ar, mas quando o álcool sobe e momentinhos de Pop e bagaceira começam a aparecer, tudo muda. Até um Fat Family rola, se ficar até o final.

Mandíbula

“When you got the music, you got a place to go”. Citando Radio, do Rancid, que o bar Mandíbula se descreve. Localizado no segundo andar da Galeria Metrópole, na Praça Dom José Gaspar, a casa tem cara e atitude Indie-Rock. É ali que acontece a festa Prata da Casa, com Punk e pós-Punk toda quarta-feira, mas se abre cada vez mais para outros movimentos e sons. Ou seja, se você conhece o Mandíbula de outra temporada, vale a pena o comeback para sacar o que está rolando de novo. Quando acontece o Baile Hermoso, por exemplo, dá para tomar cerveja ouvindo música jamaicana. E não perca as segundas-feiras, principalmente. O dia pode parecer pouco convidativo para molhar as palavras, mas a festa Escuro te faz beber de leve enquanto escuta uma seleção chique de Black Music. Curta a varanda para uma conversa com os amigos ou vá sozinho para admirar o Louvre (não a torre, mas o edifício), bem em frente.

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