E 2012 (Até Agora) Foi Assim

Um balanço prematuro do ano nos mostra suas muitas qualidades, como nos ter revelado bandas do nível de Alabama Shakes (foto)

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Fotos: Pieter Van Hattem

Se por um lado “o tempo voa” e as pessoas estão surpresas por já estarmos na segunda quinzena de setembro, é possível sermos surpreendidos também com uma certa sensação de “como assim, ainda estamos em setembro?”. É que 2012, principalmente no último mês, já teve tantos lançamentos e sucessos, esperados ou não, que pode parecer que o ano já acabou e está na hora de fazermos aquela avaliação de sempre com o que já aconteceu.

Logo em janeiro, Howler e Lana Del Rey lançaram seus álbuns de estreia após os tantos singles em 2011, sendo os primeiros grandes lançamentos do ano: America Give Up e Born to Die, respectivamente. Enquanto a banda norte-americana conseguiu manter nossas expectativas com um trabalho sólido, a cantora não só desapontou com o disco, como realizou uma apresentação desastrosa no Saturday Night Live que deu muito o que falar. E esse é um ponto interessante na história: quase não se ouve mais falar em Howler, enquanto Lana continua onipresente em sites, páginas no Tumblr, revistas de moda e videoclipes.

Outros dois novos nomes que já deixaram sua marca no ano foram Alt-J (∆) e Alabama Shakes. A banda britânica com o triângulo no nome tem se destacado por investir pesado em qualidade, seja em seus videoclipes ou em sua música. O melhor índice do resultado de tanto investimento é a indicação que seu primeiro álbum, An Awesome Wave, teve ao Mercury, o principal prêmio da música no Reino Unido. Do outro lado do Atlântico, a melhor estreia que nos pegou quase desprevenidos foi Boys and Girls, do grupo de Brittany Howard. Assim como no caso do Alt-J (∆), o ótimo desempenho nas vendas (número 3 nas paradas britânicas e 6º lugar nas americanas) veio como reflexo de músicas excelentes.

Quem não foi surpresa alguma para ninguém foi Jack White com seu Blunderbuss – justamente porque ninguém esperava que seu primeiro trabalho solo fosse desapontar. Ao lado de Lana Del Rey, o músico e produtor foi notícia durante diversos meses antes, durante e após o lançamento do álbum em abril. O cara teve show transmitido pela Web, participações em programas de TV, discos em balões, presença em diversos festivais e um merecido primeiro lugar na Billboard.

Em um ano com diversos novos trabalhos de nomes tão celebrados (Two Door Cinema Club, The Killers, Passion Pit, The Vaccines e muitos, muitos outros), um dos lançamentos que mais fez barulho foi o segundo disco da The xx, banda com um som mais quietinho que de qualquer uma dessas, mas que comprovou seu impacto assim que Coexist apareceu. Falando bem ou mal, todos falaram dele por todos os cantos.

No cenário brasileiro, foram dois os discos muito aguardados e aprovados pela maioria dos fãs de música: Tudo Tanto e Estrela Decadente, respectivamente os segundos trabalhos de Tulipa Ruiz e Thiago Pethit. O que esses dois lançamentos tem em comum é a maneira com que trabalham aspectos musicais propriamente tupiniquins e, ao mesmo tempo, contemporâneos e universais – o que, como muitos afirmam, são características fortes em nossa cultura, principalmente a do presente. É muita poesia, muita guitarra, parcerias e uma possível pluralidade nos públicos e contextos por onde esses sons se proliferam.

Mesmo com a exposição prolongada de trabalhos lançados no ano passado, como os de Adele, The Black Keys e Gotye, os dois nomes mais possíveis de serem apontados como verdadeiros ícones de uma certa “geração 2012” seriam artistas já conhecidos há algum tempo em seus meios, mas que viraram referência absoluta nesse ano. A primeira é a canadense Grimes, que meio que com Lana Del Rey o posto de “musa hipster” do ano, embora Lana ganhe na categoria “beldade” e Grimes, como “freak”. O seu do it yourself tem causado tanto impacto no trabalho de artistas do Lo-fi Eletrônico tanto quanto seu visual tem resumido como jovens ao redor do mundo querem ser vistos. O outro é Ty Segall, um superativo músico que parece não parar de trabalhar em seus mais diversos projetos e parcerias. Ao contrário da cantora canadense, que parece às vezes não saber ao certo o que está fazendo e apenas experimenta com sorte em seu som, Segall vem surpreendendo com seu estilo de tocar guitarra, o que o coloca como referência no tal revival do Garage Rock e em cenas de Lo-fi e Psicodelia com talento o suficiente para em breve estar em meio aos grandes nomes do instrumento.

Se o mundo vai acabar em dezembro de 2012, como costumavam dizer (e ainda não foi comprovado que sim, nem que não), pelo menos podemos nos certificar que até agora o ano foi muito frutífero nas mais diversas cenas musicais, da mais underground ao mainstream. Ficamos na torcida para em 2013, quando percebermos que ainda estamos vivos, todos (artistas, público e mídia) mantenham a mente aberta para quebrar seus paradigmas e aproveitar o “recomeço” para aprendermos a fazer, ouvir e pensar música cada vez melhor – como cada um desses nomes nos ajudou de alguma forma.

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Autor:

Comunicador, arteiro, crítico e cafeínado.