É hora de saber mais sobre Dubstep

Não tão novo e não apenas restrito a Skrillex. É hora de conhecer o estilo que mistura inúmeros outros e que agora vem conquistando mais pistas e festivais, como Skream (foto)

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Surgido na Inglaterra, mais precisamente em Londres, o Dubstep já possui certo tempo de estrada. Em 1998, já se ouvia artistas que faziam os primeiros sons do que é considerado o “Dubstep tradicional”. Originalmente composto de um mix de Dub, 2-Step/UK Garage, Drum ‘n’ Bass e Bassline, o som vinha do underground das noites londrinas e fazia parte da cena eletrônica que dominava o mundo na época.

Reggae. Sim, Reggae. Pode soar estranho, mas o ritmo jamaicano é a “base de uma das bases” do Dubstep, que é o Dub – um som do gênero que é geralmente instrumental que possui ênfase na bateria e baixo da música e que apresenta uso de reverb, delay, samples de vocais ou de elementos aleatórios, como som de animais e “ruídos”. Além de ajudar a gerar o Dubstep, o Dub foi muito influente para outros estilos, como o Rap, o Hip Hop e o Trip Hop para se criar as batidas de fundo, e até mesmo bandas Punk – mais precisamente Punk Californiano – que traziam uma mistura de Ska Punk.

Além desse sub-gênero, o 2-Step (também conhecido como UK Garage) é mais um estilo que compõe o Dubstep. Originado na Inglaterra, é um estilo de música eletrônica que apresenta uma sonoridade composta por kicks e snares – elementos de bateria tradicionalmente utilizadas na música eletrônica e principalmente no Drum ‘n’ Bass (que é mais um que forma o estilo) – e vocais muito próximos ao House.

Misturando todos esses elementos, o Dubstep por si só é caracterizado por dar ênfase em modulações e alterações de freqüência do baixo e bateria e também variações de tempo – que chegam a possuir amplo valor chegando de 60bpm a 150bpm –, o que gera subdivisões bem claras dentro de cada uma das músicas. Dentro delas, a parte que possui mais ênfase, ou seja, possui o instrumental com maior batida por minuto e uso de modulações é o beat principal, responsável por caracterizar a faixa. Muitas das vezes, esse beat é o bass drop, a parte do baixo com alterações de freqüência constantes, que o torna altamente dinâmico, agitando então essa subdivisão da faixa.

Falando historicamente, é interessante dizer que o Dubstep já existe desde o final dos anos 90, mais precisamente 1998. Foi nesse ano que os principais artistas/DJs como Skream, Burial, Benga, Plastician e DJ Hatcha elaboraram o estilo “puro”. Contudo, apenas em 2002 esse nome foi dado a esse tipo de som. O motivo do nome é simples, por possuir base de Dub e utilizar características do 2-step, a junção dos termos resultou na alcunha do novo estilo.

Ainda muito restrito e conhecido apenas por freqüentadores dos clubes underground, o gênero, aos poucos, foi ganhando espaço após dominar as pistas do clube Foward, que se tornou referência para se encontrar o estilo nas noites londrinas. Com isso, gravadoras como a Big Apple Records e Tempa começaram a produzir os discos dos artistas da época e, em meados de 2006, o estilo ganhava o mainstream. Revistas e sites de música, como o Pitchfork, fizeram matérias especiais sobre o estilo divulgando os principais DJs e comentando sobre o surgimento da cena e todo o seu panorama da época. Além dessa divulgação, uma DJ da BBC Radio 1, Mary Anne Hobbs, organizou um programa especial na emissora, o Dubstep Warz, o qual teve exclusivamnte esse estilo em seu line up e que pode ser ouvido através do Mixcloud oficial da Mary.

Atualmente, o Dubstep vem tomando alguns rumos diferentes e vem ganhando ramificação e linhas que vão além do estilo. O artista mais conhecido e hypado da atualidade com certeza é o Skrillex. Muitos até o consideram o criador do gênero, o que é totalmente errôneo, vide o que foi falado nesse texto. Além dessa discussão, ele faz um som que difere do Dubstep clássico, o qual recebeu da crítica o nome de Brostep – mais agressivo, com maior valor de bpm, robotizado, com mais uso de bass drops e samples pesados e gritados, originado muito do Breakcore e Hardcore.

Essa vertente gera aversão na maioria dos fãs mais tradicionais do Dubstep. Por se tratar de um som que foge do tradicional que começou lá no final dos 90 e por ter um caráter bem comercial, o Brostep é muitas vezes tratado rispidamente.

Além de Skrillex, outros DJs compõem a cena, como Rusko, Caspa, Bassnectar e Datsik. Além desses, dois merecem um destaque por possuírem uma diferenciação. O primeiro é o americano Varien, que mistura o som com instrumentos mais clássicos de orquestras dando um ar que forma um contraste curioso com os bass drops pesados. – e que inclusive fez um remix orquestrado de um pot-pourri de hits do Skrillex.

O outro é o canadense Jeff Abel, que atende pelo nome de Excision e que apresenta um som extremamente brutal e ainda adiciona (ao já pesado Brostep) guitarras bem distorcidas e características do Heavy Metal. Mas não só de som pesado se vive as outras linhagens dessa vertente eletrônica. O Post-Dubstep possui quase que um revival, assim podendo dizer, do Dubstep tradicional, mas com uma roupagem diferente. Podemos ter como exemplo desse estilo o misterioso e mascarado DJ SBTRKT, que mistura o Dubstep com os ritmos do House clássico e do Trip Hop, James Blake e seu Dubsetp com Post-Rock, e Mount Kimbie, que traz um som extremamente experimental com sons praticamente aleatórios ao meio das batidas.

Um estilo com inúmeras influências e que parte de um estilo que aparentemente não teria ligação alguma com o eletrônico. Passando por Jamaica, Inglaterra, Estados Unidos e, agora, todo o mundo, com a comercialização e tomada do mainstream, o Dubstep vai ganhando fãs e inimigos. Praticamente um “ame ou odeie” o estilo tanto em seu som tradicional ou nas novas linhas traz um som diferente e que, com críticas positivas ou não, só vem para somar.

Discografia Básica:

SkreamSkream BurialUntrue PlasticianBeg To DIffer DJ HatchaDubstep Allstars Vol. 4 BengaA Diary of na Afro Warrior

Discografia Atual: VarienSoundcloud SkrillexScary Monsters And Nice Sprites ExcisionX Rated RuskoOMG! SBTRKTSBTRKT James BlakeJames Blake Mount KibieCrooks and Lovers

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Autor:

Marketeiro, baixista, e sempre ouvindo música. Precisa comer toneladas de arroz com feijão para chegar a ser um Thunderbird (mas faz o que pode).