Entrevista: Deerhoof

Banda vem ao Brasil para shows em BH, São Paulo e Recife

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Demorou, mas agora vai: Deerhoof, depois de mais de vinte anos de carreira e catorze discos lançados, finalmente desembarca ao Brasil para shows em Belo Horizonte (15 de outubro), São Paulo (20) e Recife (22).

Dias antes da viagem ao país, o guitarrista Ed Rodríguez conversou ao Monkeybuzz por email sobre seu trabalho e a turnê no Brasil, realizada com apoio do consulado norte-americano.

Monkeybuzz: Vocês parecem estar sempre com alguma novidade para ser lançada. Como é seu processo de composição? Vocês escrevem enquanto fazem a turnê ou param um tempo só para isso?
Ed Rodríguez: Todos os quatro da banda escrevemos e nenhum de nós tem qualquer tipo de sistema. Trabalhamos frequentemente juntos, separados, em turnê, fora de turnê, acordados ou dormindo.

Mb: Da mesma forma, como é seu processo de gravação? Como é feita as escolhas dos produtores?
Ed: Gravamos sozinhos, também sem nenhum tipo de sistema. Não vamos muito ao estúdio e não trabalhamos muito com produtores, escolhemos o caminho de fazermos tudo sozinhos. Nós ficamos melhores em gravação todo ano e temos a chance de crescermos e fazermos discos de um jeito que não daria para fazer se estivéssemos preocupados com orçamento ou calendário.

Mb: Quais as diferenças nos seus processos hoje em relação a vinte anos atrás?
Ed: As ferramentas mudaram mais do que os processos. Sempre escolhemos fazer tudo sozinhos, mas nossa capacidade e alcance mudaram à medida que os computadores e a Internet tornaram tudo muito mais possível. Para turnês, nós costumávamos chamar pessoas que nos trariam e levariam dos shows carregando mapas impressos. Gravávamos os álbuns em uma fita cassete com duração limitada e poucos sons disponíveis para nós. Agora, podemos conversar e interagir com fãs de todo o mundo. Podemos compartilhar o que fazemos com um público maior. Moramos em cidades diferentes, mas mandamos as músicas por email uns para os outros para trabalharmos nelas diariamente. Podemos fazer muito mais, e tudo do nosso jeito.

Mb: Como vocês fazem para manter sua música nova e relevante depois de tanto tempo?
Ed: Temos o desejo de continuar crescendo como artistas e como pessoas. Por causa disso, nunca nos contentamos, somos motivados a nos movermos e a mudarmos. Nunca será entediante, porque a vida nunca é entediante.

Mb: Como foi trabalhar com Ensemble Dal Niente? Como vocês veem a importância de poder trocar ideias e inspirações com outros músicos para o bem de sua própria criatividade?
Ed: Foi maravilhoso. Eles estão trabalhando em um mundo diferente do nosso, que é a cena erudita, mas temos muito em comum. Eles têm o desejo de trazer algo novo e animador para os ouvintes, trabalhando para alcançar o maior número de pessoas possível e compartilhar seu amor pela música e criatividade com o mundo. Conectar-se com as pessoas é a principal razão para estarmos em uma banda. Eu passo muito tempo sozinho no meu quarto trabalhando em músicas e, ao mesmo tempo que isso pode ser maravilhoso, não há nada como a intimidade de interagir com os outros. Tenho sorte de trabalhar com pessoas que regularmente me empurram a territórios novos e me ajudam a descobrir novos aspector meus e da minha criatividade.

Mb: Sua primeira vinda ao Brasil é de grande importância para nós, seus fãs. O que significa para a banda poder vir tocar neste momento da carreira?
Ed: Estamos super empolgados! Recebemos muitos emails de pessoas no Brasil nos pedindo para tocar aí, nos dizendo que amam nossa música. Só isso já nos faz morrer de vontade de ir há um tempo, para conhecer esses que nos ouvem. É claro que também queremos tocar para quem ainda não nos conhece. Já excursionamos por todo o mundo, mas nunca tocamos no Brasil, e não poderíamos estar mais animados para ver o país e fazer novos amigos. Estou feliz de podermos tocar em festivais, para podermos ouvir mais da música que está rolando aí. Essa é uma das partes mais legais!

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ARTISTA: Deerhoof
MARCADORES: Entrevista

Autor:

Comunicador, arteiro, crítico e cafeínado.