Entrevista: Mac McCaughan

Músico retorna ao Brasil para apresentar sua carreira solo e antigos projetos no Balaclava Fest

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Mac McCaughan é uma das pessoas mais importantes da música na atualidade. Duvida? Dono de uma das maiores gravadoras do mundo, a Merge Records (que tem nomes como Arcade Fire, Caribou e Dinosaur Jr, só para citar alguns), o músico ficou conhecido na verdade quando sua banda Superchunk iniciou seus trabalhos no fim da década de 1980. De lá para cá, foram diversos discos lançados, outros projetos feitos (como Portastic) e alguns shows realizados no Brasil.

Agora, o bem humorado e simpático guitarrista retorna ao país para o lançamento de seu primeiro disco solo, o elogiado Non-Believers, no Balaclava Fest, evento que conta com o apoio do Monkeybuzz e que acontecerá nos dias 25 e 26 de Abril no Centro Cultural São Paulo, na capital paulista.

Às vésperas de retornar ao país, McCaughan conta em entrevista sobre sua carreira, atual momento de vida e o que podemos aguardar de seu esperado show.

Monkeybuzz: Você já fez alguns shows no Brasil. Como se sente por poder vir tocar de novo?
Mac McCaughan: Estou bastante ansioso, o público brasileiro sempre foi ótimo conosco e, sempre que faço shows no Brasil, espero que não seja a última vez.

Mb: Você é conhecido por ser uma pessoa muito aberta a conversar com o público após os shows, especialmente no Brasil. O que você leva para si do relacionamento com os fãs?
McCaughan: Bem, por eu não falar português, eu obviamente não sou o melhor em conversar, mas conhecer pessoas por todos os lugares é uma das coisas mais legais e particulares desse trabalho. Eu ainda fico impressionado de estar em algum lugar tão longe de casa e ver as pessoas vindo ouvir nossas músicas.

Mb: Quando está em turnê, você procura por novos artistas pro seu selo?
McCaughan: Acho que, se você tem um selo, você sempre tem seus ouvidos abertos para algo que te empolgue.

Mb: Há chances de alguma banda brasileira entrar pra Merge Records? Quanto você conhece de música brasileira?
McCaughan: Acho que a música brasileira com a qual estou familiarizado é aquela dos anos 1960-1980. É claro que alguns dos meus artistas brasileiros favoritos ainda estão fazendo discos – Caetano, Gilberto Gil e Joyce, por exemplo -, mas conheço menos da música brasileira nova, exceto talvez Boogarins, que eu gosto e já fez muita turnê por aqui.

Mb: Quando você teve a ideia para o selo, você esperava que ele se tornasse algo tão grande, com tanta história?
McCaughan: É claro que não, nós só queríamos lançar nossos discos e os discos dos nossos amigos, alguns singles e poder sair em turnê. Nunca tentamos prever o futuro. Acho que isso é um pouco perigoso, acho melhor apenas fazer o que você está fazendo.

Mb: Hoje em dia, é comum ser um artista e ter seu próprio selo. O que você acha desse cenário? Quais os lados positivos e negativos de desempenhar as duas funções ao mesmo tempo?
McCaughan: Significa que você tem menos horas no dia para fazer o que você provavelmente mais queria fazer, que é fazer música. Mas também significa que você está no controle de como sua música é apresentada ao mundo, o que é importante pra muitos artistas.

Mb: Percebemos nos singles lançados que há novas influências no som de Non-Believers. Isso tem a ver com o grande número de artistas com que você trabalha na Merge Records?
McCaughan: Sempre me inspiro pelas bandas com que trabalho na Merge – seus discos são os discos que estamos escutando o tempo todo! Tive sorte de ter Jenn (Wye Oak), Michael (Telekinesis) e Annie Hayden (Spent) nesse álbum, todos eles acrescentaram elementos importantes e eu adoro escutá-los no disco.

Mb: O que Non-Believers significa em sua carreira? Pra você, o que há de único nesse álbum dentro da sua discografia, qual a sua identidade?
McCaughan: É meu primeiro disco solo com meu próprio nome, então isso já é novo! Vamos ver no que isso dá. Acho que, mais do que qualquer outro disco, o álbum é unido musicalmente e tematicamente pela ideia de transições e tempos constrangedores na sua vida, e como a música desempenha seu papel durante essas épocas.

Mb: Foolish foi um retrato de sofrimento e baixa autoestima, enquanto hoje em dia você tem muito mais para cantar, depois de tantos projetos e sucesso com a música. Você acha que teria feito algo como Non-Believers há vinte anos? E se você fizesse um álbum como Foolish hoje, como ele seria?
McCaughan: Acho que qualquer álbum que você faz é um álbum que você é capaz de fazer naquela época, então eu não acho que teria feito Non-Believers lá atrás, e é muito difícil imaginar não ter feito Foolish antes, então eu não sei se poderia fazê-lo de novo!

Mb: Qual seu disco favorito com Superchunk?
McCaughan: Provavelmente Majesty Shredding ou Indoor Living, mas há coisas que gosto em todos eles.

Mb: Os fãs brasileiros gostam muito de Superchunk. Podemos esperar músicas dessa banda ou de outros projetos no show do dia 25?
McCaughan: Vou tocar músicas lançadas por Superchunk, Portastic e do meu disco solo, então tem algo pra todo mundo.

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Autor:

Economista musical, viciado em games, filmes, astrofísica e arte em geral.