Entrevista: O Terno

Prestes a lançar seu segundo álbum, Tim Bernardes comenta novidades e mudanças na carreira

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O Terno apareceu em 2012 como uma das mais promissoras bandas brasileiras, fazendo um som nostálgico e bem humorado em seu 66. Dois anos depois, o trio retorna para provar que nossas suspeitas estavam corretas com O Terno, álbum que se encontra em financiamento coletivo.

Com a campanha acontecendo, a banda lançou um cômico documentário falso para promovê-la, mais um vídeo divertido e bem bolado como tudo o que o grupo faz. Convidamos Tim Bernardes, vocalista e guitarrista da banda, para nos contar as novidades.

Monkeybuzz: Não tem como não começar por aqui: De onde veio a ideia de um falso documentário? (Aliás, ficou muito bom)
Tim Bernardes, da banda O Terno: Foi da sensação que a gente teve de que lançar um disco novo é ainda mais um desafio pra gente que é de uma geração que está sempre atrás de ouvir e pesquisar discos clássicos. Discos que já vem com décadas de opinião afirmada sobre eles antes mesmos de você ouvir. A brincadeira no doc foi fingir que o disco também teria esse background.

Mb: O senso de humor parece fazer parte de O Terno desde 66, seja em clipes ou nas próprias músicas, mas algumas músicas mais sérias se destacam, como Harmonium. Existe alguma preocupação em dosar esses dois climas no novo disco?
Tim: O humor está presente em muito do que produzimos, mas nos preocupamos sim em não ser uma banda que só faz piada. A idéia do doc é divertida, mas a verdade é que esse disco é muito mais sério do que produzimos até agora, em muitos aspectos. O senso de humor pode até aparecer mais sutilmente em uma ou outra música, mas talvez a ansiedade de agradar e fazer rir tenha baixado e a gente pode se aprofundar em outros caminhos interessantes que não dependem do humor.

Mb: Como foi a experiência de entrar no estúdio para um segundo álbum, com mais experiência?
Tim: O processo de gravação foi bem diferente do de 66. O primeiro disco foi gravado em três dias e é um retrato cru do trio tocando numa sala. O Terno já é mais um “disco de estúdio”. Foram 20 dias só gravando as bases, levantavamos minunciosamente os timbres que queriamos para cada música antes de gravar cada uma delas e, depois de gravar as bases ao vivo, não economizamos em overdubs, coros e efeitos de mix. Tínhamos vontade de explorar muita coisa sonoramente desde que gravamos o 66, neste disco tivemos o tempo e cuidado para experimentar tudo como quisemos. E gravar no Estúdio Canoa, do nosso amigo e produtor Gui Jesus Toledo, deu essa liberdade que estavamos atrás para o álbum.

Mb: Os dois anos que separam 66 de O Terno viu lançamento de single, disco com Tom Zé e destaque em palcos, críticas e públicos. Como a banda se vê hoje, em comparação a 2012?
Tim: Tudo era bastante novidade quando lançamos o primeiro. A gente não parou de conhecer, mudar e aprender na trajetória da banda, mas o fato de termos um pouco mais de estrada e experiência agora dá uma segurança em alguns aspectos pra começar essa fase do disco novo.

Mb: Por que batizar este álbum com o nome da banda?
Tim: Sentimos que ele é nosso primeiro disco totalmente com a nossa cara. O 66 brincava justamente com essa busca, em O Terno, além do disco ser inteiro autoral, sentimos que encontramos uma cara (ou algumas caras) interessante para o som da banda.

Mb: Vocês comentam no texto da campanha no Catarse que ter este disco prensado em CD e vinil é “o jeito que a gente sonhou”. Como vocês veem a importância do material físico na era digital?
Tim: Achamos que é importante ter a música online, ainda mais para uma banda independente, ter isso liberado leva sua música para muita gente. Das mídias físicas, o CD ainda é a mais consumida, por mais que em crise, e agora estamos lançando em vinil também (graças aos selos que nos acolheram, o RISCO e o gaúcho 180), que é um formato lindo que quem gosta mesmo e quer ter o discão cada vez mais consome. É legal lançar físico também, além do digital. O número de cópias não é mais gigante como foi outra época mas, acompanhando o consumo, sempre temos nossos discos debaixo do braço e sempre tem gente querendo comprar.

Mb: Ninguém pode negar que vocês valorizam videoclipes, vide 66 e o recente Tic Tac. Como andam as ideias pros vídeos do disco novo?
Tim: Já estamos com a Alaska Filmes (que dirigiu o clipe de 66) nos preparativos para um clipe bem maluco de um single inédito do disco!

Mb: Que bandas vocês tem ouvido e fazem questão de sugerir para os leitores do Monkeybuzz?
Tim: Ih, tem várias! Mac Demarco, Dirty Projectors, Fleet Foxes, Foxygen, Pond, Temples, Grizzly Bear, Buffalo Springfield, Duncan Browne… De brasileiro tem Jonnata Doll, Primos Distantes, Memórias de Um Caramujo, Charlie e Os Marretas, Baleia… Muita banda legal rolando!

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ARTISTA: O Terno
MARCADORES: Entrevista

Autor:

Comunicador, arteiro, crítico e cafeínado.