Entrevista: Sofi Tukker

Em passagem pelo Brasil, duo comenta disco “Treehouse” e show no Lollapalooza

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O ano e meio que separam as duas entrevistas com Sofi Tukker publicadas no Monkeybuzz foi tempo suficiente para o duo crescer de “vale a pena ficar de olho” para “garantia de um som sempre legal”. Na primeira delas, o EP Soft Animals ainda era novidade. Agora, com duas vindas ao Brasil no currículo, a dupla prepara o lançamento de Treehouse, seu primeiro álbum, para o próximo dia 13.

Foi pessoalmente que Sophie Wawley-Weld e Tucker Halpern receberam a reportagem, dias depois de sua apresentação no Lollapalooza Brasil 2018. Animados com a boa fase na carreira, os dois falaram sobre o novo disco e a experiência nos palcos.

Monkeybuzz: Depois de tantos singles nos últimos meses, agora essas faixas estarão em um álbum. Como foi montar o repertório de Treehouse? Tucker Halpern: No início, não sabíamos se faríamos um EP ou um álbum, estávamos só criando. Nos guiamos pela sensação de que, assim que sentíssemos que tínhamos algo consistente, assim que uma música nova não pertencesse mais ao momento em que Sofi Tukker está, lançaríamos algo. E essas músicas parecem representar bem o que vivemos desde que Soft Animals saiu até o período em que concluímos o disco, há uns seis meses. Sophie Hawley-Weld: Há uma grande variedade de humores no álbum, mostra várias coisas que nós dois somos. É legal poder compartilhar tudo isso no disco, várias versões nossas. Ele foi feito no último ano e meio, entre turnês, e o que aprendemos nesse tempo é que o que queremos com nossa música é esse espírito de inclusão e de alegria. Eu não sei se você teve uma “casa na árvore” (treehouse, em inglês) quando era criança, mas a ideia é essa, de um lugar mágico para onde você pode fugir com seus amigos, onde você pode ser quem quiser ser. Nossos shows são assim para muita gente.

Mb: Quanto as cinco músicas já lançadas mostram do disco? Tucker: Mais ou menos a metade (risos) Sophie: Ainda tem várias surpresas. Tucker: Acho que elas mostram esses nossos lados diferentes. Cada uma delas saiu porque nós acreditávamos que elas eram lados nossos legais de serem mostrados naquele momento. Batshit, a nova música, tem uma vibe totalmente diferente de Baby I’m a Queen, a anterior, é um novo lado nosso. Algumas delas não poderiam ter saído como single antes porque são mais experimentais, não faria sentido fazer um clipe para elas e tal. Quem quiser nos conhecer melhor, vai ouvir o disco e acho que vai gostar. Quem só quiser ouvir Drinkee e Best Friend não vai escutar tudo, e não tem problema.

Mb: Foi para dar conta de tudo isso que vocês optaram por um álbum ao invés de um EP?
Sophie: A verdade é que nós não conseguimos parar de compor (risos). Tucker: O próximo disco está tão bom (risos). Sophie: Nem é brincadeira, já temos um outro álbum quase pronto. Estávamos muito inspirados e decidimos continuar escrevendo.

Mb: Como foi a experiência de voltar ao Brasil e fazer dois shows tão diferentes – um no Lollapalooza e outro em um lugar menor com Vintage Culture? Tucker: Foram muito diferentes. Lollapalooza foi incrível, um festival gigante com milhares de pessoas que conheciam as músicas e cantavam junto, foi um dos melhores shows que já fizemos. Sophie: O outro… não precisamos falar dele (risos). É que passamos por algo que nunca tinha nos acontecido antes com problemas técnicos. Tucker: Nosso equipamento falhou e tivemos que fazer um DJ-set ao invés de um show. Não é o que queríamos, mas foi o que deu para fazer. Espero que quem estava lá ontem pôde ir ao Lollapalooza, porque aquele foi ótimo (risos).

Mb: Lembro de ter visto no Instagram um show de vocês, acho que na Alemanha, em que vocês ficaram sem som por muito tempo… Sophie: Em Berlim, foram 30 minutos sem som, não tínhamos nem microfone! Tucker: Alguém derrubou cerveja na mesa de som. E era um lugar enorme, com milhares de pessoas. E nós ficamos no palco, porque sabíamos que, se fôssemos embora, as pessoas também iriam. Ficamos lá e o público ficou cantando as músicas (risos). Sophie: Isso que é legal, quando as pessoas percebem que estamos juntos. Tucker: Sim, foi a pior coisa que poderia ter acontecido no show, mas, lembrando agora, acabou sendo um dos pontos mais altos da turnê (risos), a história é ótima.

Mb: Como as músicas novas combinam com o repertório de Soft Animals ao vivo? O que vocês têm sentido delas nos shows?
Sophie: Na verdade, a gente já tem tocado as novas há muito tempo, então tem sido muito natural. Nós fazemos a música que amamos e tocamos ao vivo. Se não acharmos que ela fica legal no show, não a colocamos no álbum. Tucker: Teve várias músicas que tocamos na turnê por uma ou duas semanas e achamos melhor deixá-las pra lá. Sophie: A questão não é se elas combinam ou não com as outras, mas se nós gostamos delas. Se gostamos, elas combinam (risos), simples assim.

Mb: Vocês notaram uma mudança de público nos últimos tempos, já que o som também foi mudando?
Sophie: Hmm… tem cada vez mais gente (risos). Tucker: Tem lugares aonde vamos e o público só conhece Best Friend ou DrinkeeSophie: Não se for nosso show. Tucker: Certo, isso é quando vamos abrir para alguém. Sophie: O legal é que nosso público é muito diversificado. Tucker: Sim, muito glitter, muitas cores.

Mb: Quando vocês falam que tudo tem a ver com o gosto de vocês, e como tudo mostra lados novos dos dois, imagino que cada vez mais pessoas se identifiquem com seu som. Tucker: Essa é a ideia (risos). Sophie: E estamos sempre experimentando, sempre deixando algum lado novo vir à tona. Algumas músicas ressoam dentro de você, outras ressoam bem menos, e não tem problema. Mas é muito importante que possamos experimentar “em voz alta”, tocar no show e ver o que acontece. Tucker: Sim, e que nossos amigos e nossos fãs estejam abertos a novas coisas. Sophie: A definição de quem somos está sempre mudando. Tucker: Quando escrevemos Soft Animals, estávamos aprendendo a compor juntos, aprendendo a usar o estúdio, e nunca tínhamos feito um show antes. Agora, quando escrevemos, fazemos tudo com a performance ao vivo em mente, como as músicas vão fazer as pessoas dançarem. E não tem como ignorar isso, porque tocamos toda noite e isso é importante para nós, mas é uma mentalidade diferente em termos do que vamos nos concentrar.

Mb: Como o público de outros países reagem às músicas em português?
Sophie: É muito engraçado, porque eles tentam cantar junto. Eu olho para a plateia e todos estão… (abre e fecha a boca aleatoriamente) (risos) Eu sempre penso que seria legal dar o microfone para o público e ver o que acontece (risos). Tucker: Mas eles adoram. Na Alemanha, a melhor música do show é sempre Matadora, e eles nem sabem o que estão cantando. Eu não acho que o significado importe.

Mb: E você, Sophie, planeja um dia cantar em alemão? Sophie: Bem… nós estamos trabalhando em uma música nova que terá um rap em alemão no meio. Vamos ver no que isso vai dar. Passamos um tempo na Alemanha e, assim que cheguei no Brasil, eu estava falando meio português, meio alemão (risos), passei muita vergonha. Tucker: Eu nem notei (risos).

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ARTISTA: Sofi Tukker
MARCADORES: Entrevista

Autor:

Comunicador, arteiro, crítico e cafeínado.