Entrevista: Winter

Samira Winter comenta seu novo lançamento, “Supreme Blue Dream”

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Já acompanhamos os passos da curitibana Samira Winter há algum tempo. Já indicamos sua música no Ouça: Bandas, cobrimos um de seus projetos pessoais, conversamos com ela sobre tantas coisas, fomos a seu show e resenhamos seu EP. Agora, Samira lançou seu primeiro disco com a banda Winter, Supreme Blue Dream e não poderíamos deixar de conversar com ela sobre esse marco em sua carreira.

Abaixo, você pode ver o resultado do nosso papo via e-mail. Conversamos sobre o próprio lançamento (é claro), além de assuntos como a cena musical nos EUA e no Brasil, e os shows ao vivo, alguns dias antes do lançamento de Supreme Blue Dream.

Monkeybuzz: O que podemos esperar de Supreme Blue Dream, em relação aos EPs e singles anteriores?

Samira Winter: São gravações produzidas da mesma maneira que os lançamentos anteriores, eu escrevendo as canções e mandando elas para o Nolan Eley produzir e gravar. Mas, dessa vez, trabalhamos no álbum inteiro por correspondência à distância, eu de Los Angeles, onde eu moro agora, e ele de Nova York. Foi um processo muito divertido e emocionante. Nunca tinha colaborado à distância e gostei demais do resultado. O álbum sonoramente tem as mesmas características do Dream Pop e daquele brilho ensolarado. Porém, dessa vez, experimentamos mais com sons de sintetizadores e samples. O fato de ser um LP e não um EP fez a gente ter mais espaço para elaborar a experiencia de entrar nesse “sonho azul supremo”.

Monkeybuzz: Como é para você compor como Winter e como Samira? São processos independentes ou os dois se complementam?

Samira: Winter começou como algo solo, mas evoluiu para uma banda e uma sonoridade específica ao Shoegaze e Dream Pop. O projeto solo “Samira Winter” me dá um espaço maior para sentir certa liberdade criativa – de poder compor em qualquer estilo e com qualquer pessoa. Os dois vem da mesma raiz sonhadora e nostálgica, mas creio que são caminhos diferentes de expressão.

Winter

Monkeybuzz: O disco é o primeiro da banda e já dá para notar a maturidade adquirida com o lançamento dos EPs. Como você acha que isso se reflete em sua música?

Samira: Acho que, durante a vida, você vai descobrindo melhor quem você é. Senti isso com a minha identidade musical. Com o tempo e a experiência, eu fui, e continuo, me descobrindo e me identificando com certas coisas. Eu sinto que a sonoridade que gosto de produzir foi se revelando e agora está mais estabelecida. Sinto que a banda tem mais estrada e mais identidade. A gente sabe que durante o show as músicas expressam momentos nostálgicos, etéreos, felizes e pesados. Procuramos levar o público a um mundo mais sensorial cheio de cores e emoções belas e tristes.

Monkeybuzz: Ao seu ver, quanto as músicas do disco seguem o que foi mostrado em Someone Like You e Some Kind of Surprise?

Samira: Ambas experimentam com sons novos, refrescantes, mas Some Kind of Surprise é mais delicada e Someone Like You, bem mais animada. Escolhemos ela como a primeira faixa do disco porque o sintetizador programado chama atenção em um primeiro momento. Some Kind of Surprise é mais introvertida e tem momentos mais tranquilos, de paisagem, e até conta com um solo de trompete tocado pelo Eley. Gosto muito do contraste das músicas, porém elas mostram só a superfície do disco. O resto dele tem momentos “Garage”, com Crazy, momentos até inspirados pelo J-Pop, como em Don’t Stay Away e ainda momentos de solidão e tristeza em Like I Do. Acho que vale a pena escutar todas para ter a experiência do mundo azul completo.

Monkeybuzz: Por viver em Los Angeles, você deve ter uma visão diferente do mercado musical. Como você enxerga as oportunidades aí nos Estados Unidos e aqui no Brasil?

Samira: Sinto que os dois mundos estão bem conectados e tendências similares ocorrem: como de comunidades ou “cenas” musicais, a vontade da coletividade ou os selos independentes etc. Porém, não dá para negar que os Estados Unidos tem uma estrutura e cultura musical mais estabelecida. Eu não sou a pessoa mais ligada na parte business, mas eu me divirto muito com música em ambos os países. Nos Estados Unidos, eu fico muito inspirada pela quantidade e variedade musical. No Brasil, eu sinto que a música tem muito mais poder, mesmo se for mascarado, pois como não há muita “quantidade” de bandas, o que você cria pode causar mais impacto.

Monkeybuzz: Uma experiência que tive indo ao seu show no ano passado foi a de perceber que suas músicas ganhavam ainda mais força no palco. Na hora de compor para o álbum, a banda já pensa em como elas soarão ao vivo?

Samira: (risos) Acho que as músicas são como um bebê e vão se tornando gente grande. Eu planto a semente da música, a ideia inicial, o esqueleto, mas o mais divertido é ver como essa semente brota com a ideia de cada membro da banda. Para mim é muito importante que cada integrante tenha a liberdade de decidir o que vai tocar no seu instrumento. Sinto que, sozinho, um grito é apenas um grito, mas, com outras pessoas unidas, o grito pode chacoalhar o mundo.

”Sinto que, sozinho, um grito é apenas um grito, mas, com outras pessoas unidas, o grito pode chacoalhar o mundo”

Monkeybuzz: Você citou recentemente Krautrock e Industrial, além de bandas como Yo La Tengo e Real Estate como influências para o novo álbum. Como foi o processo de coletar essas referências e transportá-las para suas faixas?

Samira: Foi um processo bem natural. Eu e o Nolan temos um gosto e estéticas muito similares, então, geralmente nem tem discussão. Acho que nosso processo musical é bem intuitivo e estamos sempre buscando maneiras diferentes de criar as “estrelas” sonoras. O Krautrock para mim é uma influência bem recente, mas é uma descoberta que me intriga. Quero cada vez mais experimentar com sintetizadores, sons do ambiente e a criação de “Drones”.

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Monkeybuzz: Que outras bandas vocês tem ouvido recentemente? E que ouviram durante a gravação do disco?

Samira: Ando ouvindo bastante uma da Nova Zelândia, chamada Popstrangers, e bandas locais, como Catwalk e Hibou, de Seattle. Como o disco foi gravado numa correspondência de e-mails, eu não sei exatamente o que o Nolan estava escutando, mas sei que naquela época eu escutava sons mais floridos, como Alvvays e Frankie Cosmos.

Monkeybuzz: Mesmo à distância, você continua acompanhando a cena curitibana? O que pode nos indicar de lá?

Samira: Sim! E quero me envolver mais e cada vez que visitar conhecer mais gente. Gosto muito do Coletivo Atlas, que é basicamente as bandas Dunas, Farol Cego, Veenstra e outras se unindo para criar uma comunidade de uma onda nova de sons e bandas. Eles tem uma estética sonora e visual de que eu gosto muito. Ela é sensorial e nostálgica com elementos naturais e do subconsciente. Esse coletivo é demais!

Monkeybuzz: Quando volta ao Brasil para mais shows? Quando o público brasileiro poderá ver as músicas de Supreme Blue Dream ao vivo?

Samira: Vou para o Brasil de última hora para a festa de 15 anos da minha irmãzinha, Victoria Winter. Quero aproveitar a viagem para tocar shows em São Paulo, Curitiba, Caxias do Sul e Porto Alegre. O selo Honey Bomb Records vai lançar o Supreme Blue Dream no Brasil, então quero aproveitar essa viagem em maio para tocar essas músicas e dar um “oi” para galera do selo, que gostei tanto de conhecer na última turnê, em outubro! Provavelmente, vou fazer uma turnê mais longa, com mais destinos, em outubro ou novembro deste ano.

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Autor:

Apaixonado por música e entusiasta no mundo dos podcasts