G-House: O House Visita o Gueto

Conheça mais da proposta do movimento recém-lançado “Gangsta House” que mistura elementos do Deep House com Hip Hop dos anos 80

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Aprofundando ainda mais nos bronquiolos da mãe-House, conseguimos chegar em muita coisa boa nos últimos anos. Misturas que valeram a pena, outras que nem tanto, mas que servem de inspiração para muitos produtores que estão criando uma identidade musical por agora. O Acid no House, o R’n’B no Future Garage e até o próprio Trap são exemplos de resultado pro bem que conseguiram acoplar gostos de uma forma benéfica. Eis que surge um dos gêneros que ainda estão no berço se desenvolvendo aos poucos por agora. G-House, uma abreviação de Gangsta House, bebe diretamente de influências oitentistas do Hip Hop, isso tudo acoplado a estruturas Funk do Deep House, outro subgênero que junta elementos da Chicago House com o que há de melhor com a Soul Music.

O Deep, que já vinha com melodia complexa e afinidade com tons menores, casou bem com o G-House. Sua aproximação com o Jazz facilitou ainda mais a hibridização e a evolução de um gênero para o outro. Com seu BPM entre 110 e 130, o estilo consegue casar bem o vocal de rappers com a estrutura de baixo, sempre com predominância massiva nos graves, sem que afete o comportamento elegante que vem com a proposta do Deep. O resultado disso está no lirismo ousado, com linguagem às vezes vulgar e sexual, em contraste com a estética refinada do House. Como daria errado?

Apesar de todo o conteúdo técnico, é difícil (e seria também monótono) que tudo se baseasse dentro da mesma limitação. Poucos meses são necessários para mudar uma cena e suas influências, e é por isso que o G-House de 2012 já está muito cru em relação ao que está sendo lançado atualmente. O que você conhece hoje que segue a mesma linha são somente frutos da experiência que acontecia lá trás. A lista começou com Amine Edge (e seu parceiro quase que inseparável DANCE), depois de muito estudo e admiração pelo som de nomes como DJ Deeon, DJ Slugo, H2 e Lee Webster. 

Agora, o caminho foi aprovado e ganhou adeptos talentosos que usam dos mesmos princípios para trazer sua visão “sulista” do estilo. DeMarzo, Kolombo, Hot Since 82 e Duke Dumont conseguiram trazer uma atmosfera mais comercial e que enlouquece tanto público nos maiores festivais. E, enquanto isso, novas sementes são plantadas para posterioridade. CUFF, o selo de G-House de Edge, assinou vários artistas frescos para movimentar a nova cena, inclusive alguns brasileiros. Dayne S, Stuff,Tough Love, Beep Dee, RolePlay, Fabo, HNQO e Lucas Arr são alguns deles, nem todos com exclusividade ao Gangsta, mas com a mesma influência.

O “House Ostentação” não tem tantas regras, inclusive os adeptos ao clube preferem que o “G” seja referido a uma pitada de influência negra, seja do R’n’B, Hip Hop ou Soul. E, se tratando de comportamento, a fórmula não tem como ir por água abaixo. O gueto sempre esteve andando de forma paralela aos eventos mais elitistas e agrada. A indústria fonográfica já entendeu isso e começou (há alguns bons anos) a implementar colaborações de rappers em Pop, principalmente. A receita está pronta e cada vez mais cresce. O G-House nem aprendeu a andar e já é promessa desde que nasceu.

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Autor:

Publicitário que não sabe o que consome mais: música, jornalismo ou Burger King