Girl Talk: A Volta dos Mashups que Resumem a Cultura Pop

Projeto de Gregg Gillis está de volta e promete dois lançamentos para este ano

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2006 foi um ano ímpar na vida de Gregg Michael Gillis ou Girl Talk, como é mais conhecido. Esse foi o ano de lançamento do disco que fez o produtor estourar no mainstream e abandonar sua carreira como engenheiro para se dedicar inteiramente à música. Seu terceiro álbum, Night Ripper, fez seu nome ser notado e aparecer em tudo que é lugar, de inúmeras publicações especializadas em música e cultura até cortes judiciais, noticiários e muitos documentários que tratavam de direitos autorais e “roubo de música na Internet”.

Naquela época, a rede já havia se consolidado como berço e vitrine de novo artistas e um dos frutos gerados por essa nova cultura vinda da Web foi a leva de artistas que baseavam sua música em samples. Eu sei que isso não é nenhuma novidade e que essa técnica vem sendo usados há muito tempo (principalmente nos primórdios da cultura Hip Hop), mas a música construída como uma colcha de retalhos de outras tantas (e com tamanha qualidade) ainda era de certa forma novidade. A arte do mashup na mão de Girl Talk alcançou níveis extraordinários e, não por menos, seu Night Ripper ultrapassa a incrível marca de 300 samples, com faixas que em média acumulam quase 20 deles.

Tendo como exemplo In Step, do disco Feed the Animals (2008), Gregg usa quinze trechos de faixas dos mais variados estilos e épocas para criar algo completamente novo. Já imaginou Roy Orbison (You Got It), Deee-Lite (Groove Is in the Heart), Nirvana (Lithium), Michael Jackson (P.Y.T. (Pretty Young Thing)), Fergie (Glamorous), Earth, Wind, & Fire (September), Kraftwerk (Tour de France,) The Beach Boys (God Only Knows) e Snoop Dogg (Sexual Eruption) convivendo em uma só música? Girl Talk conseguiu unir tudo isso com maestria e de um jeito que ninguém mais tinha feito até então. Uma receita de sucesso que rendeu todo tipo de elogio ao produtor.

Isso representava não só uma nova maneira de produzir música, mas também o reflexo da cultura Web (e Pop) que proporciona e disponibiliza ao ouvinte uma gama interminável de opções, às vezes até causando certo desnorteio em quem se depara com tantas opções. O que Girl Talk fez foi refletir esse espírito da Cultura Pop e juntar tudo isso em forma de música hedonista e profundamente divertida.

Essa fusão de tudo o que o precedeu sem distinção de estilo ou época é o que o tornou tão apelativo há mais de uma década e é o que faz de sua obra tão única e em certa medida inovadora – e, por que não, polêmico.

Desde aquela época reverberam não só as questões de direitos autorais, mas também a de reinvenção do Pop e os novos caminhos que ele pode tomar conforme a tecnologia se desenvolve. Um pouco disso foi descrito e observado por muita gente na época e um dos documentários que o Gregg apareceu foi ótimo Good Copy Bad Copy (2007). Nesse filme, há um pouco dessa discussão, que ainda hoje continua muito relevante.

Até agora, Girl Talk lançou cinco discos, três EPs e uma série compilações e remixes. A cada novo lançamento, a evolução de sua obra fica muito evidente. É só comparar o começo autoindulgente e quase Glitch de Secret Diary (2002) e Night Ripper ou ainda do ótimo All Day (2010), há um salto enorme na qualidade da produção e da coleta e agrupamento dos samples – cada vez mais diferentes e improváveis.

Este álbum de 2010 foi seu ultimo lançamento até então, porém, para este ano o músico algumas novidades. A primeira delas é a mixtape ao lado do rapper Freeway (nomeada como Broken Ankles, ela estreia hoje, 8 de abril). A segunda fica por conta de um novo álbum a sair ainda neste ano, como o mesmo anunciou em 2013, porém até agora nenhuma novidade surgiu sobre essa obra. O importante é saber que Gregg Gillis está produzindo novo material novamente. E por mais que o produtor não tenha mostrado novas produções solo em algum tempo, ele nunca parou de fazer seus shows e festas incríveis – incluindo uma curta passagem pelo país no ano passado, no Ausländer Musik Festival.

Então, para esse ano podemos esperar não só uma, mas duas obras novas com a assinatura de Girl Talk. Uma volta digna de ser festejada e dançada por todos os seus fãs.

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ARTISTA: Girl Talk
MARCADORES: Redescubra

Autor:

Apaixonado por música e entusiasta no mundo dos podcasts