Goiânia: O Bom Rock Está Aqui

Centro-Oeste é o novo polo musical de bons sons prontos para serem exportados

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Fotos: Fernando Galassi/Monkeybuzz

“Tá viajando, não!” – Essa foi a resposta que mais obtive ao conversar com alguns integrantes de boas bandas de Goiânia falando sobre a música e a percepção de um paulista em relação ao som produzido pelos grupos na capital de Goiás. Na teoria, vende-se a ideia de que os “grandes entendedores” e as melhores bandas de Rock estão concentradas nas megalópoles do centro-sul do Brasil, mas a cada vez mais o centro-oeste mostra que deve virar referência a longo prazo.

Uma rápida passagem pela quente cidade goiana durante um dos vários festivais locais já é suficiente para comprovar a riqueza de boas variedades e vertentes sonoras na cidade, sendo quase todas diretamentes ligadas ao Rock’n’Roll. O visível interesse de cada integrante em dar o melhor, a produção com qualidade e até mesmo o público fiel que lota casas e eventos arrematam a perspectiva que pode passar rente a um olhar mais desatento.

“Há sempre platéia de sobra pra cantar junto, em inglês ou em português”, contou Macloys Aquino, da banda Carne Doce, “ou gente que não canta, mas está sempre ali. Eu acho que grande parte desse público é formado por músicos, integrantes de outras bandas, gente do design, das artes, da moda, da fotografia e do audiovisual, do jornalismo, estudantes ou simplesmente amantes da música que querem se inspirar, encontrar o outro, conhecer, participar. Acho que Goiânia é uma grande escola desorganizada, com gente fazendo música muito diferente em tudo que é canto”.

Seja do mais leve ao estritamente pesado, o cardápio musical não cessa no centro-oeste. Sonoridades fluidas percorrem por jovens carreiras de nomes como Bruna Mendez, que transita por uma sonoridade entre pontuais guitarras intensas e e vocalizações roucas e orgânicas, algo entre um um Cícero e Maria Gadú, mas muito cheia de suas próprias marcas – como a de cantar abrindo os braços. Macloys inclusive junto de Salma Jô, prepara um novo álbum para 2014 com infusões de MPB e lembranças de um som a la Bárbara Eugênia, munido de menos busca por estética e mais foco em uma técnica apurada.

Engana-se quem acha que os tais nomes não vem sendo observados e não esboçam seus primeiros traços de fama. O Post-Rock agradável e crescente da banda Cambriana traz em seu histórico apenas um álbum e um EP, mas que já estreia como parte da trilha sonora de Além do Horizonte, novela em horário nobre na rede Globo. No âmbito internacional os rapazes do Black Drawing Chalks já tem seu devido crédito com grandes festivais por trilhar como um dos trabalhos de Rock mais consistentes dos últimos anos no Brasil. Os hypados Boogarins são a maior surpresa do cerrado – Assinados com o selo gringo Other Music Recording, a psicodelia brasileira está na mão dos jovens, que vem sido apresentados como a melhor síntese de Tame Impala e Os Mutantes possível.

Ainda vale ressaltar Luziluzia, que traz metade do Boogarins como integrantes consigo, com sinais catárticos do Surf Rock aliados a uma crueza nostálgica e até mesmo Gloom, um dançante Ska que logo de cara relembra os brasilienses do Móveis Coloniais de Acaju, mas que surpreende o ouvinte ao trazer os doces vocais de uma garota, a jovem Niela.

Entre o sim e o não, os músicos goianenses em suas opiniões acabam por se arredondar em um preceito que é praticamente lei em quem quer fazer dar certo: O profissionalismo vem antes da “Lei de Gerson” ou do tapinha nas costas, além do grande orgulho e admiração que uns sentem pelos outros puramente pelo seu esforço, antes de qualquer outro interesse – Típico do jeitinho acolhedor dos residentes. Reunindo depoimentos de Bruna e Ricardo Machado, do Luziluzia, é que encerro o texto, acredito da maneira mais espontânea possível: “Goiânia praticamente já tem um ‘Selo de qualidade’. O que eu posso dizer daqui é que as bandas (independente do estilo) estão com uma qualidade incrível, a galera tem técnica, linguagem, sensibilidade e faz o rolê acontecer. Tem alguma coisa nessa cidade que faz isso com a galera das bandas, talvez tenha sido o Césio 137, sei lá.. Goiás é foda!”.

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Autor:

Jornalista por formação, fotógrafo sazonal e aventureiro no design gráfico.