Heveanly Records e a identidade Indie

Conheça mais do selo inglês que ajudou a caracterizar o estilo no começo dos anos 90 e as bandas que hoje fazem parte do seu cátalogo, como a reveleção inglesa TOY

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O surgimento do Indie como estilo, e não mais como uma forma de produção e lançamento de música, está profundamente ligada à década de 80, quando diversas bandas que faziam seus lançamentos independentes das grandes gravadoras começaram a enxergar nos pequenos selos, que naquela época surgiam por todo o mundo, uma maneira de manter sua liberdade criativa e de ter um meio de lançar seus discos mais facilmente, aliando também uma maior visibilidade. A revolução da indústria da música começava ali e o papel das grandes corporações, de revelar novos nomes, foi gradualmente diminuindo depois disso.

O selo inglês Heavenly Records surgiu bem nessa virada de maré, entre o fim dos anos 80 e começo dos 90, quando muitos paradigmas da indústria musical começaram a mudar. Nessa época, seu fundador Jeff Barrett enxergou uma janela perfeita e começou a lançar singles e EPs de bandas como Flowered Up, East Village e Manic Street Preachers, que tiveram sua importância não só para o selo, mas também para estabelecer o Indie como um estilo. Desses primeiros lançamentos, o que mais se destacou foi o disco Foxbase Alpha (1991), da Saint Etienne que fazia uma mistura entre House, Dance, Synthpop e Indie Pop (ecos de muita coisa que dominara a década passada), e que foi indicado ao Mercury Prize.

Durante essa década, o selo ainda lançou mais alguns nomes do Indie, mas nenhum deles fez tanto sucesso quanto Beth Orton, uma cantora inglesa que tinha um estilo Folk muito peculiar, no qual trazia sonoridades da Música Eletrônica e Trip Hop. A partir daí, o selo viu que outros estilos também cabiam em seus lançamentos e começou a diversificar seu catálogo, prática que mantém até hoje.

Durante o novo século, a diversificação foi bem grande, assim como as vendas do selo, que naquela época assinou um contrato de distribuição com a gigante EMI. Durante a década de 2000, a Heavenly revelou nomes como Magic Numbers, 22-20s e Doves (que é até hoje o nome de maior sucesso do selo).

Hoje em dia, a gravadora tem mirado em algumas vertentes do Folk e Rock Alternativo para criar seu catálogo. Exemplo disso é o trio Stealing Sheep, que lançou seu ótimo disco de estreia, Into The Diamond Sun. Becky Hawley, Emily Lansley e Lucy Mercer trazem ao Folk um tempero da psicodelia e uma percussão marcante, fazendo um som completamente acessivel e fácil.

Outra banda que vem se destacando na gravadora é o quinteto britânico TOY, que tem uma sonoridade mista entre o Shoegaze, Rock Psicodélico e Indie Rock, que poderia ser considerado uma versão mais Pop e menos obscura da The Horrors. As referências sonoras do grupo remetem à época em que o selo estava surgindo, então, de certa forma, parece ser um resgate ou “redescoberta” do que rolava em seu inicio.

Com pouco mais de 20 anos e um catálogo recheado de bons artistas, a Heavenly Records se estabeleceu, não só na Inglaterra, como um selo que ajudou na popularização do Indie e que ajudou a construir sua imagem da maneira como nós conhecemos o estilo hoje em dia.

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Autor:

Apaixonado por música e entusiasta no mundo dos podcasts