Joy Orbison (ou Joy O, para os íntimos)

Produtor britânico se firma como lançador de tendências no meio Eletrônico ao abrir ousadamente as vertentes do gênero

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Hoje em dia, o que há de mais comum são produtores que conseguem permear um caminho deveras longo de um gênero até outro bem distinto. Continuando uma breve apresentação dos nomes mais em voga no circuito eletrônico, obviamente que mais focado ao Bass ou House, chegaríamos, cedo ou tarde, no nome de Joy Orbison. O DJ e produtor vem de Londres pra mostrar um pouco do UK Garage e do Breakbeat, passeando pelo House mais groveado até alguns samples de Dubstep. O que é bem difícil de digerir após uma fase de informação massiva de Skrillex, Joy O vem para abrir as vertentes do gênero de forma ousada. Poucos entenderiam, mas o Dubstep nunca esteve tão ovacionado desde então.

O londrino trilhou os caminhos do tio, que o encaminhou na CDJ com 13 até chegar em suas próprias produções, aos 20. Brincando com o bom e velho Fruit Loops, veio a calhar ter faixas que traziam o Hip Hop inglês, mas em pouco tempo Pete O’Grady resolver caminhar com as próprias pernas. O que muitos vieram a chamar nos últimos meses de Post-Dubstep, Joy veio com os compassos desconexos na faixa Hyph Mngo (HotFLush Records), que veio ser considerada o trabalho mais visionário de 2009, desenvolvendo muito o vocal feminino repetido bem Garage, os synths em dosagens certas e a base com influências notáveis de um primórdio Drum’n’Bass dos 90s. A música ficou em 1º lugar na FactMagazine no mesmo ano, sem esquecer que a 23ª colocação no top 100 da Resident Advisor. O single foi seguido de BRKLN CLLN, com o mestre Impey, seguido de Wet Look, uma versão mais intimista do 2beat de Hyph Mngo. Desta vez, o vocal grave contrapõe percussões mais densas e synths oscilantes.

Hyph Mngo

BRKLN CLLN

Wet Look

O caminho seguido por Joy O não foi diferente da maioria do segmento. Seu nome foi sendo construído a partir de diversos remixes bem produzidos e de ótimo bom gosto. As influências nunca mentiram: J Dilla, My Bloody Valentine, GG Allin, Josef K, The Revenge, Telepathe, Arthur Russel e James Pants, entre outros vários que recheiam os sets do britânico. Uma salada indefinida de gênero, mas com um sabor único.

Em março desse ano, o produtor ainda lançou mais duas faixas inéditas e compressadas, o que deu seu regresso à HotFlush Records. Wade In e Jels, assinadas agora por “Joy O”, se mantém no UK Garage, mas agora com boas pitadas daquele Techno de Detroit. Dois meses depois, liberou Ellipse, o último trabalho lançado pela Hinge Finger (também de Joy), em que usa sample de uma entrevista entre produtores de Drum’n’Bass dos anos 90, uma forma divertida de criar um universo único.

Ellipse

É impossível não se lembrar de outros produtores, também nessa mesma leva, que mesclam os mesmos gêneros e que crescem da mesma forma no circuito. Four Tet, presente na versão brasileira do festival Sónar, em São Paulo, e os também ingleses do Disclosure seguem a mesma linha de batidas descompassadas e synths ligados ao Deep House e Breakbeat. E, como uma matemática básica, percebe-se um crescimento notável do público para a identidade que se criou com todo esse tal gênero indefinido. Tendo como premissa inicial do Sónar ser um projeto que lança tendências, Joy O não está tão longe de tornar isso real. Mesmo porque não é qualquer um que já esteve em 18º lugar da lista de novas dicas da NME em 2010.

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ARTISTA: Joy O

Autor:

Publicitário que não sabe o que consome mais: música, jornalismo ou Burger King