Jungle: O Espetacular Não-Convencional

Dupla comenta transposição de seu disco para formato ao vivo na véspera de show em São Paulo

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Dois meninos fazendo música à sua maneira. A grosso modo, Jungle pode ser descrita dessa forma, como uma dupla de jovens britânicos que gostam de experimentar livremente e se divertem muito no processo. Foi a impressão que Tom MacFarland e Josh Lloyd-Watson passaram durante coletiva com a imprensa brasileira no palco do Audio Club, em São Paulo, onde farão apresentação nesta quarta, 13 de maio.

Ao vivo, a dupla vira um coletivo de sete pessoas dando uma nova cara ao som que ouvimos no disco também chamado Jungle (2014) – algo um tanto incomum para levar ao palco músicas que foram desenvolvidas pelos dois produtores através do computador em um quarto. “Foi um processo difícil”, diz Tom (ou apenas T), “mas foi por isso que o fizemos. Foi um desafio”.

“Vivemos na era da revolução digital na música”, diz Josh (ou J), “qualquer um pode ter um computador e pode fazer beats, e todos estão fazendo isso. Para nós, o desafio sempre foi apresentar ao vivo. Se você vende ingresso para um show, tem que fazer ao vivo. Não é um DJ-set”.

Com uma grande energia criativa, não é só no palco que os dois fogem do convencional. Seu jeito de compor e os timbres escolhidos – mordidas, portas rangendo e garrafas sendo quebradas, por exemplo – revelam sua busca por algo diferente dentro da música Eletrônica. “Há muitos sons no nosso álbum”, explica T, “como pessoas comendo no restaurante. Gravamos os sons e depois usamos o computador para fazer algo rítmico”.

“Há sempre som ao seu redor”, diz J, ” e muita gente vai para a guitarra ou o piano. Eu pergunto: ‘Por que não usar um aspirador de pó ou uma porta?’. Começamos a experimentar com isso”. Tom afirma que “usar métodos diferentes e sons não convencionais significa uma experiência muito mais divertida”, e, segundo J, “há muitos sons gravados de maneiras mais bobas no álbum”, e acrescenta: “Nos divertimos muito”.

Jungle

E “diversão” acaba sendo a palavra da vez quando se trata de Jungle, já que o público também ganha muito com toda a experiência, desde os videoclipes até as apresentações ao vivo – e entender como o show é bem pensado para a experiência de troca com o público (além da dificuldade de transformar suas músicas em apresentáveis no palco) só aumenta a satisfação de ver J e T tocando, mesmo se seus formatos e fórmulas chegarem a chocar os mais tradicionais.

“Se você tentar escrever música para ser popular ou estar na moda, você acaba sendo desonesto consigo mesmo e com sua arte”, comenta Tom – o que é quase irônico, visto como Jungle tem sido tido como um nome quase que de uma vanguarda, como alguém que estabelece alguns padrões que já vemos reverberados em alguns nomes. É bom saber que pelo menos essa fonte de inspiração continua sincera.

Dentro dessa sua honestidade, os dois moços preferem criar e apresentar um som divertido para o público, mas, em primeiro lugar, para eles mesmos. A maneira com que seus olhos brilham para falar dos sons que encontram para gravar é com a mesma empolgação que eles contam que sua música está no jogo Fifa 15 – sonho de qualquer moleque. E Jungle acaba sendo justamente isso: Uma animação rica em conteúdo que diverte e chama a atenção por si só. Espetacular, nos melhores sentidos.

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ARTISTA: Jungle
MARCADORES: Entrevista

Autor:

Comunicador, arteiro, crítico e cafeínado.