“Led Zeppelin”: os 45 Anos do Primeiro Clássico da Banda

O ano era 1968 e o Blues se encontrava com o Rock cada vez com mais frequência e qualidade, tanto que foi nesta época (de 66 aos 70) que surgiram bandas como Cream, Jeff Beck Group, The Jimi Hendrix Experience e Yardbirds, que traziam a esta mistura mais alguns ingredientes vindos do Rock Psicodélico e um pouco do que mais tarde foi chamado de Hard Rock. A mistura sonoramente ficava cada vez mais pesada, mas ao mesmo tempo mais aventureira e sem rédeas. Na época, disseram que a tal mistura era pesada como chumbo, quase como um Zeppelin de chumbo.

Foi em agosto de 68 que Jimmy Page (guitarra), Robert Plant (vocal), John Bonham (bateria) e John Paul Jones (baixo) se uniram para formar Led Zeppelin e, no ano seguinte, lançar um dos melhores discos de estreia já vistos nestas seis décadas de existência do Rock & Roll. Para muitos (e não só para quem viveu época), essa era a banda dos sonhos – e não é por menos: um guitarrista e letrista que está no Olimpo dos músicos, um baterista completo e capaz de orquestrar suas músicas, um baixista capaz de realizar proezas com seu instrumento e um vocalista virtuoso (uma verdadeira diva). Juntos, foram capazes de realizar grandes coisas, uma delas é seu debut, que neste domingo (12 de janeiro) completa 45 anos.

Sob uma linha tênue entre trabalho em grupo e guerra de egos, a banda se manteve em atividade até a morte de Bonham, em 1980. A partir dali, a magia da banda estaria desfeita e cada um seguiria seu rumo solitário, criando o que Led Zeppelin não os possibilitava criar. Ao longo deste tempo alguns shows marcaram a “volta” do trio remanescente, mas nunca mais a mesma química do grupo foi vista novamente, nem mesmo em Celebration Day, show gravado em 2007 que marcava o retorno da banda aos palcos depois de 27 anos. Ruth Blatt, da Forbes, falou muito bem sobre o relacionamento entre individualidade e senso de grupo dos quatro músicos em um artigo que mostra que, ainda com suas diferenças e egos grandes, a banda foi capaz se manter produtiva por muito tempo.

Foi nesse clima, às vezes nada amistoso, porém profundamente profissional, que nasceu Led Zeppelin ou Led Zeppelin I. Enquanto tudo à volta colaborava para a obra ser um total desastre, o resultado se provou bem diferente, tanto que virou um fenômeno de vendagens, mesmo com a crítica especializada não gostando nada. John Mendelsohn, da Rolling Stone, na época, chegou a dizer em sua resenha que o disco não passava de uma copia do que Jeff Beck Group tinha feito em Trust, lançado alguns meses antes. “Restrito” e “autoindulgente” foram alguns dos termos usados pelo jornalista para tratar o que achou ser um trabalho medíocre e meramente derivado do que já acontecia na cena inglesa naquela época. Curiosamente, o mesmo veiculo viria a colocar o disco em uma ótima posição na lista de “Maiores Álbuns de Todos os Tempos”.

Led Zeppelin

De fato, John não estava totalmente errado quando falou sobre a originalidade da banda. Muito do que se via neste álbum, bem como nos primeiros anos do quarteto, de fato não era original. Eram alguns riffs vindos do Blues de raiz e até mesmo motes de canções inteiras oriundos de outros artistas, isso é inegável. Porém, a forma como eles são apresentados, a paixão, a entrega e, principalmente, a energia que o quarteto sabia colocar em suas composições foi o que fizeram deste disco um verdadeiro ícone do Rock & Roll – e volto a dizer, um dos melhores debuts já lançados até hoje.

A qualidade da banda, o que a tornava muito acima da média, era a soma do melhor de cada um de seus integrantes e como cada um contribuía para as faixas soarem praticamente perfeitas. Uma resenha mais nova, do site All Music, resalta que, diferente de seus contemporâneos, Zeppelin trabalhava com canções dinâmicas e cheias de camadas. Algo que pouca gente na época se destacava por fazer, algo que mesmo tendo como base o Blues Rock, inovava na forma como foi produzida e na qualidade – tanto que o Hard Rock e Heavy Metal nunca mais foram os mesmos desde então.

Além do Blues, em faixas como Good Times Bad Times e How Many More Times, e do Rock Psicodélico, em Dazed and Confused, You Shook Me e I Can’t Quit You Baby, havia também um pouco do Folk, em Babe I’m Gonna Leave You, e até mesmo música celta, em pequenos interlúdios, como a bela Black Mountain Side. Essa grande variedade de estilos interagindo e se relacionando tão bem não só era um reflexo do que já começava a se estabelecer na música inglesa, mas também um pouco do que começaria a ser uma constante na música contemporânea (e não é à toa que hoje muitas de nossas bandas façam o mesmo no que trata a miscelânea de estilos).

A boa notícia aos fãs é que Led Zeppelin será relançado ainda neste ano, juntamente com seus dois sucessores (Led Zeppelin II e Led Zeppelin III), e, segundo o próprio Jimmy Page contou a Rolling Stone, os discos conterão uma série de materiais do arquivo do músico. Uma boa oportunidade para ouvir ou reouvir esse ilustre aniversariante, não é?

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ARTISTA: Led Zeppelin
MARCADORES: Aniversário

Autor:

Apaixonado por música e entusiasta no mundo dos podcasts