Lições pra Vida Adulta com Kings of Convenience

Dez anos após seu lançamento, segundo álbum da dupla carrega boas verdades em suas letras

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A informação de que Riot on an Empty Street, segundo álbum do duo Kings of Convenience, completa dez anos neste 21 de junho me faz pensar em tudo o que mudou nessa década, só que em um nível pessoal. Primeiro porque esse é um dos nomes em que eu posso colocar o adesivo “banda da minha vida”, depois, porque ele saiu no ano em que eu entrei na faculdade e não teria como esse período ser o de aprendizados que mudaram tudo pra sempre por aqui.

Daí, ouvir o disco hoje não é só relembrar músicas que eu gosto tanto (e aquelas memórias que vem junto delas), mas também um pouco daquelas coisas que eu e meus amigos aprendemos, muitas vezes com esta trilha sonora. Pra celebrar esse aniversário, um grande marco na carreira de Erlend Øye and Eirik Glambek Bøe, compilei alguns desses aprendizados, aqueles que, cedo ou tarde, todos precisamos encarar.

Ah, e vale dizer que ter Feist em duas músicas do disco só o deixa mais bonito. Relembre-o.

Valorizar os amigos é valorizar a si mesmo

“Que carreira você vai seguir?” e “Com quem vai se casar?” são perguntas frequentes ao longo da vida que ouvimos dos outros e de nós mesmos, porém nos esquecemos que com quem andamos carrega parte de nossa identidade. Se não é com qualquer um que você faz amizade, é preciso dar valor àqueles que nos acompanham. É o que o eu-lírico de Gold in the Air of Summer faz ao levar alguém querido em uma viagem surpresa, é o que Misread aconselha.

Ironia nada mais é que humor fazendo poesia

O título absurdo do disco (um “tumulto em uma rua vazia”) nos lembra que sempre podemos encontrar motivo de riso ou sorriso no que falamos e no que fazemos (e a melhor poesia é sempre aquela cotidiana mesmo). É assim com “Stay out of trouble, stay in touch/Try not to think about me too much” (Stay Out of Trouble) ou em I’d Rather Dance With You (música que traz um convite para a dança, já que a conversa certamente não vai ser tão boa) e Love Is No Big Truth, por exemplo – duas músicas sobre gostar de alguém e, no constrangimento de não saber lidar com a situação, agir no bom humor. Falando nisso…

Você nem sempre precisa saber o que fazer

“I don’t normally beg for assistance/I rely on my own eyes to see/But right now it makes no sense to me/Right now you make no sense to me” – esses versos de Sorry or Please são frequentes no dia a dia e não há experiência ou maturidade que não te deixem na mão de vez em quando ao se deparar com uma situação nova – no caso, uma menina que pode ou não também gostar do cara.

Às vezes é amor, às vezes é cilada

Tem horas em que você nem gosta tanto, mas decide tentar e tem outras em que você se apaixona, mas acha melhor deixar pra lá. Nunca dá pra saber quando vai rolar (“Love comes like surprise ice on the water/Love comes at dawn” – Surprice Ice), mas, quando você se dá conta que a situação é verdadeira, não vê motivos pra se segurar (como em Know How). Ao mesmo tempo, se perceber que não é legal, é melhor sair correndo o quanto antes (Stay Out of Trouble).

Ninguém é perfeito mesmo

Na mesma medida em que crescemos ouvindo que “errar é humano”, a vida sempre cobra que os mínimos detalhes estejam alinhados com alguma expectativa. Isso de apenas “ser gente” é algo que se aprende ao longo do caminho e é quando nos enxergamos assim e ficamos em paz que conseguimos lidar melhor também com os erros dos outros – “Driven by our genes, we are simple selfish beings”, como cantam em Love Is No Big Truth.

Não subestime a sinceridade

Tem coisas que é melhor guardar pra si, mas tem outras que, já que tem que ser ditas, é melhor serem faladas com toda a honestidade. Não bastava a sinceridade ser nítida em cada faixa do disco, em maior ou menor grau, é interessante como todos os instrumentos também vem com suas próprias personalidades. Não é um som sempre limpinho, nem sempre muito nítido, mas é orgânico do começo ao fim – e nisso há beleza.

É normal querer fugir

Não tem problema nenhum sair de sua realidade de vez em quando, seja de bicicletas (como em Cayman Islands), de trem (The Build Up) ou em direção à casa de praia de alguém (Gold in the Air of Summer). Desconfie de alguém que se diz tão satisfeito com sua vida que não quer nunca escapar nem que seja um pouquinho – isso não é normal.

Carpe Diem

Sim, todo mundo cresce ouvindo isso e, sim, todo mundo sabe que isso faz sentido. Porém, conforme os anos passam, vem com isso a necessidade de valorizá-lo ainda mais. Como se não bastassem as mensagens das letras, fica a sensação de que ouvir Riot on an Empty Street é saber usar bem o tempo.

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Autor:

Comunicador, arteiro, crítico e cafeínado.