Lisa Hannigan e a Maturidade do Segundo Disco

“Passenger” ofereceu tudo o que a artista não conseguiu fazer em álbum de estreia

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Sabe aquele disco lançado há algum tempo que você carrega sempre com você em iPod, playlist e coração, mas ninguém mais parece falar sobre ele? A equipe Monkeybuzz coleciona álbuns assim e decidiu tirar cada um deles de seu baú pessoal e trazê-los à luz do dia. Toda semana, damos uma dica de obra que pode não ser nova, mas nunca ficará velha.

Passenger

Deve ter sido verdade em algum momento da história que os discos de estreia eram melhores que os segundos lançamentos de alguma banda ou artista solo, já que esse clichê ainda é tão forte na nossa cultura, mas observo cada vez mais justamente o oposto, já que a experiência de poder fazer algo sem ser mais um novato sempre coopera com obras mais concisas, mais direto-ao-ponto – enfim, mais maduras.

É o caso da irlandesa Lisa Hannigan e seu Passenger (2011), nome muito propício à condição de como o álbum foi feito – na estrada, durante a turnê de seu álbum de estreia, Sea Sew (2008), lançado quando ela ainda precisava comprovar seu valor sem estar atrelada ao artista que a fez famosa, Damien Rice.

Sem a condição de coadjuvante nas músicas e shows do cantor, Lisa acabou fazendo um primeiro trabalho demasiadamente morno, com algumas poucas músicas memoráveis após meia dúzia que não se destacam muito, talvez por pressão de provar-se, talvez por pura pressa de lançar-se solo. Passenger conta outra história, que impressiona já abertura com a carismática Home e não deixa a peteca cair na qualidade até o fim.

Lisa mostra-se craque em criar músicas que fazem o ouvinte sorrir naturalmente, sem apelação. Knots é a mais notável nesse aspecto, bem acompanhada de O Sleep, dueto com Ray LaMontagne, a fofa What’ll I Do e da tranquila faixa-título, por exemplo. Só acertos, sem a impressão da preocupação em agradar, mas na segurança de saber o que se faz.

A julgar pelas duas músicas reveladas de seu terceiro disco, At SwimPrayer for the Dying e Fall -, parece que a nova obra virá um tanto mais melancólica, até mais sombria, que os discos anteriores. Independente do clima, ficamos na expectativa de mais uma amostra da maturidade de Lisa Hannigan como compositora e intérprete, como Passenger foi para o álbum anterior.

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ARTISTA: Lisa Hannigan
MARCADORES: Fora de Época

Autor:

Comunicador, arteiro, crítico e cafeínado.