M.I.A. – Identidade, Atitude e Cultura Urbana

Um passeio pela discografia da cantora e produtora nos relembra as melhores qualidades que vemos em seu som

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Mathangi “Maya” Arulpragasam, mais conhecida como M.I.A., não é uma cantora qualquer e você sabe bem disso. Produtora, rapper e uma verdadeira badass da música contemporânea, é muito pouco o que ela tem em comum com as outras moças de sua geração que conseguiram tanto destaque no show business.

Em meio a tantas características únicas, a maior semelhança acaba sendo como ela investe em um visual que deixa sua personalidade em evidência. Sua imagem vai à frente, sua atitude é sua marca. Seus videoclipes desempenham um papel importante em passar essa mensagem.

Se você não conhece muito do trabalho da artista, uma “maratona” por sua discografia explica isso bem. Vai vendo.

Bad Girls

M.I.A. Eu falei que ela era badass. Relacionar imagens do Oriente Médio com violência e explosões é tabu? Maya se faz como uma das moradoras locais e vive na pele também cenas que poucas cantoras topariam participar sem dublê. Outra coisa legal é como as coreografias são simples. Parece que elas estão ali só pra deixar mais claro o aspecto dançante da faixa, enquanto a performance da artista se concentra em outras qualidades.

Jimmy

M.I.A. Antes de viajar ao Oriente Médio, ela já havia ido até o sul da Ásia para visitar suas raízes familiares (seus pais são do Sri Lanka). Mas, longe de simplesmente pegar influências daquelas culturas, ela misturou tudo a referências da Disco (isso em 2007, muito antes da hype que o gênero teve neste ano) em uma ambientação super colorida, com cara da virada das décadas de 1970 e 80. Com ela é assim, as coisas sempre se somam.

XXXO

M.I.A. Para uma música com um nome destes, ela optou por uma pegada “sexy sem ser vulgar”. Nada de pouca roupa, ela chega com um visual fiel à imagem que sempre conquistou, aliada ao icônico batom vermelho, para cantar sobre alguém que quer que ela seja outra pessoa. É pra nos lembrar que ela sabe, como poucas, investir em sua identidade.

Born Free

M.I.A. M.I.A. consegue imprimir sua cara a um de seus vídeos até quando não aparece nele. Born Free mostra isso, uma obra com violência explícita cria a segregação e perseguição fictícia a pessoas ruivas. É o jeito da artista nos lembrar que ela não teme controvérsias e liberdades criativas na hora de fazer o seu trabalho.

Paper Planes

M.I.A. Outro aspecto chave de sua identidade é o quanto ela, crescida em Londres, está ligada à cultura urbana. M.I.A. domina a linguagem Hip Hop e Eletrônica, desde o figurino até os pequenos detalhes. É das ruas das grandes cidades que vem o som que mais lhe influencia (do Rap ao Funk Carioca) e ela faz questão de nos mostrar que essa foi sua maior escola.

Sabendo brincar com ostentação e violência, Maya sempre sabe fazer algo original. Ela é feminina mesmo em meio à agressividade e ousada sem muitos exageros. Fica aí o desafio de encontrar essas e mais de suas características em seu novo álbum, Matangi, com estreia oficial para terça (5) com streaming liberado a partir de hoje.

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ARTISTA: M.I.A.
MARCADORES: Clipe

Autor:

Comunicador, arteiro, crítico e cafeínado.