Modular Records e seu Legado Dançante

Selo australiano é conhecido por ter revelado grandes expoentes da cena local

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Fotos: Na foto, Cut Copy, uma das mais importantes bandas assinadas pela Modular Records

Apesar de não estar no eixo EUA/Inglaterra, a Modular Records é um dos grandes expoentes quando o assunto é a influência que um selo pode ter sobre o público em geral. Você pode até não saber, mas já ouviu um porção de artistas que compõe o extenso e dançante catálogo da gravadora durante pelo menos os últimos dez anos.

Criada em 1998 pelo promotor de eventos Steve Pavlovic, os primeiros lançamentos do selo (como a estreia homônima de The Living End e Breathing Tornados de Ben Lee) estavam mais calcados no Rock ou em seus desdobramentos pouco mais Pop. Conseguindo logo de cara emplacar seus primeiros lançamentos nas paradas (que ganharam prêmios importantes na época), o futuro da Modular estava assegurado no caminho roqueiro. Porém, não foi exatamente o que aconteceu e artistas com sons bem diferentes começariam a lançar seus discos pela empresa nos próximos anos e provaram que a Austrália tinha muito coisa a oferecer além do Rock.

Por mais que seus primeiros lançamentos foram grandes sucessos, parece grande parte do seu público ainda estava confinado na Oceania. Por mais que essas bandas tivessem alcançado números surpreendentes de venda, a barreira geográfica ainda parecia ser intransponível para os artistas da Modular. Isso, até a chegada dos anos 2000 e o começo da nova onda dançante que tomaria conta da Música Pop.

Sim, aquela explosão Indie do começo do novo século mudou as coisas em todos os cantos do mundo e com a Austrália não seria diferente. Mas, ao invés de seguir o caminho roqueiro apontado pelo começo do movimento Indie dos anos 2000, o selo escolheu abraçar novos artistas que tinham um pezinho em sons mais dançantes. Nomes como Cut Copy, The Presets e The Bumblebeez ajudaram a estabelecer a cena no país e fazer com que a Modular finalmente ganhasse escala global, conseguindo exportar seus artistas para fora do continente (e dali a um tempo, o selo abriria filiais nos EUA e Inglaterra, afim de facilitar a importação e exportação de novos nomes).

Aquele misto entre música Eletrônica certamente não começou na Austrália, mas, a partir de 2004/2005, o estilo parecia se ramificar para o mundo tendo com seu epicentro essa antiga colônia britânica. E por falar na Terra da Rainha, muito do que se viu transformar na New Rave teve praticamente a mesma gênese ou pelo menos os mesmos ancestrais em comum com os artistas que comandaram a cena naquela metade de década.

Desde então, o selo se tornou referência quando o assunto é pista de dança. Tanto que nomes locais como Architecture In Helsinki, Van She, Ladyhawke e Jonathan Boulet, entre outros, entraram para o catálogo da Modular em algum momento de sua carreira. Outra característica importante da empresa é de colocar artistas de outros países sob sua tutela ou relançar seus discos em solo australiano. O que começou com um teste em 2006 com New Young Pony Club deu tão certo que no ano seguinte Ghostwood, Plug-In City e The Whitest Boy Alive também foram chamadas. Hoje em dia, nomes como Klaxons, Azari & III, Kindness,Yeah Yeah Yeahs, The Rapture, Robyn e Young Dreams compõem o extenso catálogo da Modular, que mantém ainda hoje como sua principal cartacteristica o tino pela dança.

Claro que o Rock não foi deixado de lado. Ao longo dos anos, o que de melhor surgia em terras australianas e alcançou sucesso em escala global no que diz respeito ao estilo passou pelo crivo do selo. Você deve se lembrar de Wolfmother com seu ótimo disco homônimo de estreia ou ainda as novas bandas psicodélicas de Perth, Tame Impala e Pond. O gênero sempre esteve no DNA da Modular e é graças a ela nomes tão importantes para o Rock Psicodélico ganharam tanta atenção.

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Autor:

Apaixonado por música e entusiasta no mundo dos podcasts