Natal: Novo Polo Exportador do Rock Brasileiro

Conheça sobre a nova cena roqueira que vem do Rio do Grande do Norte e seus expoentes. O quinteto Far From Alaska (foto) é uma delas

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Fotos: Far From Alaska é um dos expoentes da cena potiguar

Cenas são determinadas por uma série de fatores que não só os musicais. Casas de shows, imprensa participativa, meios de comunicação e, é claro, as bandas precisam formar juntos uma espécie de ciclo que fomente a música nova e de qualidade. E é por esse motivo que elas não surgem do nada – mesmo que você tenha acabado de descobrir alguma, pode ter certeza que ela já existe há algum tempo e que ela vem se construindo aos poucos até chegar ao patamar em que está hoje.

Se compararmos a 15 anos atrás, as cenas hoje tem uma cara bem diferente e estão presentes em número muito maior – e o fator determinante para a explosão delas nos últimos anos foi a Internet. Se antes, cenas e bandas em geral dependiam de rádios e jornais para que ficassem conhecidas fora do seu habitat natural, agora a rede cumpre esse papel e consegue catalisar o processo. Como exemplos mais concretos, o Brasil viu nos últimos dez anos nascer muitas destas novas cenas e vale a pena citar o Rock revivalista Gaúcho do começo dos anos 2000, a “nova” MPB de São Paulo com os Novos Paulistas, o movimento de Noise Rock do Rio de Janeiro e muitas outras que tem revelado muitas bandas boas país afora.

Outro fator importante sobre cenas é que algumas vezes uma banda é responsável é por desencadear o processo de sua descoberta pelo grande público. E foi com um dos seus maiores expoentes que ficamos sabendo sobre a cena roqueira de Natal, no Rio Grande do Norte, que tem se provado como uma das mais criativas e pesadas dos últimos tempos.

Far From Alaska

Esta é a banda mais jovem, mas também a que mais se destacou dentro do cenário potiguar. Ainda dando seus primeiros passos e com somente um EP lançado o quinteto foi convidado a abrir dois grandes festivais – um deles foi o Planeta Terra em São Paulo. Com um som que transita entre o peso do Stoner Rock a plasticidade do Rock Alternativo, o grupo tem uma boa mistura em suas mãos e também um potencial muito grande para se firmar fora sua casa.

Calistoga

Essa é uma banda com um som que é difícil de definir com exatidão, mas que, por outro lado, é muito fácil curtir logo de primeira. Juntando influências do Rock Experimental, Progressivo e Post-Hardcore, o quarteto tem um som abrasivo e cheio de quebras em seu instrumental que podem lembrar bastante grupos como The Mars Volta ou Zechs Marquise. Com cinco EPs, um disco e uma série de turnês pelo Nordeste e Centro-Oeste, o grupo vem já há algum tempo se consolidando e mostrando toda a potência da cena potiguar.

Red Boots

Como você bem pode notar, até agora o Rock pesado domina as terras potiguares e a dupla Red Boots é a banda que levou isso ao extremo. Com um som cru formado por uma guitarra (que parece manter a distorção sempre no nível máximo) que tem sempre riffs pesados, uma bateria precisa e um vocal melódico, o duo mantém em seu primeiro disco, Aracnophilia, lançado neste ano, uma constante sensação de “soco no estomago”.

Talma&Gadelha

Mas não é só de pedradas sonoras que vive o Rock de Natal e esse quinteto está aí para provar isso. Indo para um lado mais melódico e calminho, o grupo tem em suas composições um misto de Rock “Old School” e Indie Rock, em músicas que, mesmo contendo um toque retrô, são bem contemporâneas. As temáticas amorosas são expostas e dissecadas em seu primeiro disco, Matando o Amor, quase sempre de forma profundamente apaixonada.

Fukai

Com referências claramente retiradas dos anos 90, esse quarteto ainda tem em sua sonoridade ecos do Rock Clássico e Psicodélico, Reggae, Dub e Surf Music em uma mistura bem interessante. Seus integrantes já são velhos conhecidos da cena e retornam após o fim da finada Fewell (extinta há pouco mais de três anos) com uma nova roupagem e um novo nome. Com pouco mais de seis meses sob a nova alcunha, o grupo já tem boas canções que tem ganhando destaque entre o público local.

Mas essa é uma pequena amostra de tudo o que tem florescido no território potiguar. Olhando com mais afinco, você vai ver bandas que saem dessa estética roqueira e que mantém a mesma qualidade das outras.

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Autor:

Apaixonado por música e entusiasta no mundo dos podcasts