Novatos Veteranos (Ou Vice Versa)

Alguns músicos dão a largada mais a frente, por conta de sua inegável experiência

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Há quem diga que a idade é apenas um número. Pois sempre penso que a melhor juventude é aquela que vem acompanhada da maturidade. No campo da música, alguns artistas já são velhos conhecidos quando se aventuram a vestir a camisa de “novato” e se arriscar em uma carreira já solo, mostrando a todos que a experiência possuída faz toda a diferença na hora de competir com os noobs por nossos ouvidos.

Veja bem, não estou falando de nececessariamente de tempo de vida, mas de uma grande bagagem madura que esse pessoal traz para seus novos trabalhos, e se arriscar por novos territórios será sempre uma atitude que reflete um espírito jovem.

Nossa cultura ocidental e educada pela publicidade quer nos doutrinar a sempre olhar apenas para o que é jovem, temendo o que já existe e se consagrou antes, mas quem tem olhos abertos e maior posicionamento crítico sabe o que não pode perder seu valor. Para celebrar esse fenômeno e lançar o assunto, separamos cinco dos muitos nomes que, de uma maneira ou de outra, já deram a largada em suas carreiras lá na frente.

Rodrigo Amarante

Mesmo se não contarmos a banda que o lançou, Amarante já foi visto com Little Joy e Orquestra Imperial, dois nomes que o colocariam no mapa de qualquer forma. Foi com a experiência adquirida nesses trabalhos, com Los Hermanos e colaborando com diversos outros artistas por diversos anos que só em 2013 ele finalmente lançou seu Cavalo. Quando o disco chegou, arrancou surpresas de todos os cantos e revelou uma maturidade que quase ninguém possui ao lançar seu primeiro álbum.

Chrissie Hynde

Mal dá pra acreditar que a dama a frente do grupo The Pretenders lançou só agora seu primeiro disco solo, Stockholm (resenha em breve no Monkeybuzz). Chrissie encontrou seu lugar como uma das maiores mulheres do mundo do Rock ao longo das últimas quatro décadas e, do alto de seus 62 anos, mostra que tem muito pique pra continuar escalando o Olimpo da música contemporânea com um som capaz de agradar diversas gerações ao mesmo tempo.

Ben Watt

31 anos separam o primeiro disco de Watt de seu Hendra, tempo suficiente para ele repensar tudo o que entende sobre música com suas muitas atividades (seja como metade do duo Everything But the Girl, produtor, DJ ou apresentador de rádio – sim, o cara faz tudo). Sendo assim, o recém-lançado álbum chega quase como uma reestreia. Acima disso, é um grande atestado de sua experiência.

Brody Dalle

Ser a senhora mãe dos filhos do líder da banda Queens of the Stone Age pode ter colocado Brody como a primeira dama do Rock de hoje em dia, mas foi empunhando sua própria guitarra que ela nos mostrou suas qualidades, seja com The Distillers ou Spinnerette. E 2014 lhe pareceu o momento certo para tomar de vez a coroa para si com seu Diploid Love, um álbum jovial e enérgico que mostra sua melhor forma.

Charles Bradley

Este é o nome mais diferente desta lista, já que ele era um desconhecido quando saiu seu primeiro disco, No Time for Dreaming, ao mesmo tempo em que ele já era um senhor de 61 anos de idade e uma baita história de vida por trás, que inclui até um tempo como morador de rua em Nova York. E essa experiência toda é sentida por todo o seu trabalho, que parece retornar no tempo para uma época que eu e você não vivemos, mas que ele conheceu muito bem, sem deixar de soar contemporâneo. Além dessa maestria no som, as letras de seu Victim of Love esbanjam sem querer sua maturidade e visão de mundo. Inspirador.

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Autor:

Comunicador, arteiro, crítico e cafeínado.