Novos Gêneros Sem Nome na Música Atual

Com o liquidificador de influências cada vez mais fica difícil categorizar uma banda ou uma música. Até onde isso é prejudicial?

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Advento da tecnologia. Internet. Plataformas de compartilhamento. Temos uma fórmula que todos sabem o contexto que não se faz necessária a introdução por aqui. Todo mundo sabe, na prática, a quantidade de novos nomes surgindo na música, de todos os lados, gêneros, tons, formas. A facilidade bateu a porta de qualquer um, desde a produção pelos softwares mais acessíveis quanto a possibilidade de espalhar um EP para o mundo todo. É tanta criatividade explodindo, tantas possibilidades de música vindo de tantas cabeças diferentes, tantas influências distintas, que chegamos a um problema que muitos podem já ter tido. Como categorizar essa banda? Essa música é que gênero? Isso é Rock ou Indie? Isso é R&B ou Neo Soul? Uk Garage ou Future Garage? Isso é Deep House ou Tech House?

Se fosse fácil catalogar, muitos críticos iriam ser menos criticados, álbuns e bandas seriam melhor segmentadas e, possivelmente, esse texto não existiria. Separar um estilo de outro, em determinados níveis, pode ser um trabalho que envolve detalhes muito tênues. Estamos falando de uma época em que a mistura musical é tendência, criar novos gêneros é desafio, e a salada de referências é tida com bons olhos. Mas, e então? No final das contas isso vem só para o bem? Ouvir um álbum com uma nova proposta nem sempre significa que teremos outros nomes no mesmo estilo. Julgar um trabalho também vira um trabalho desafiador quando se tem tantas fontes sugadas. De um lado faltam nomes específicos para tratar certos tipos de sons e, então, por consequência, há excesso de neologismos que não categorizam oficialmente nada): só aumentam uma gama de subgêneros que não levam a lugar nenhum.

As sonoridades são tão particulares, hoje em dia, que torna quase que uma batalha explicar seu gosto musical de forma específica ou pesquisar sobre um estilo que se têm afinidade. O Rock Psicodélico surgiu e, há alguns anos, já tem pequenas variações do Tame Impala a Jagwar Ma. O Deep House dá escola desde os anos 80 e hoje temos Duke Dumont, George Fitzgerald e Disclosure. Mas o que ouvimos deles é realmente Deep House? Hudson Mohawke e AlunaGeorge acompanham os “requisitos” de uma música estruturalmente R&B? The Weeknd é Soul ou só bebe dessa fonte? Chegamos num ponto que incomoda muita gente, principalmente daqueles que defendem os antigos estilos.

A resposta para as perguntas acima é “não”. A escola do House tem mais de 40 anos e nasceu de experimentação. Nomes como Frankie Knuckles e Robert Owens foram alguns que constuíram as bases do que usamos massivamente hoje, que sustentaram um estilo quente que movimentou os anos 80 com muita influência da Disco Music e do Jazz. São alguns critérios esquecidos por muitos produtores do Future Garage ou Future Bass (ou qualquer “future” que venham a empregar, e são vários). O Dubstep em relação ao Dub, e o Post em relação ao Dubstep. The Weekend não faz Soul, Lil Silva, Laura Mvula também não. Assim como projetos com baterias sintéticas e pacotes de guitarra não poderiam fazer parte do que foi Rock um dia.

Já discutimos aqui no site sobre a febre do EDM, mas o mais coerente, talvez, seja tratar como uma praga. Os gêneros e subgêneros do mesmo estilo se conflitam pela necessidade de mastigar influências para formação de uma nova criação. O ímpeto pelo sucesso ou mesmo pela existência de novas influências faz com que alguns “pré-requisitos” sejam deixados para trás. Junto com isso, deve-se deixar também sua antiga categorização. Acredito que haja um lugar para o que os artistas que eu citei no parágrafo anterior (e vários outros não mencionados) produzem, mas enquanto isso não foi oficializado – para manter a sanidade e educação musical das próximas gerações -, vamos manter longe do que, um dia, teve muito suor, estudo e referência para ser criado.

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Autor:

Publicitário que não sabe o que consome mais: música, jornalismo ou Burger King