O Electro-Pop de ontem e de hoje

O Sónar está logo aí, com Kraftwerk (foto), Little Dragon e Justice, entre outros grupos do cenário eletrônico. Saiba mais do estilo que originou a cena e se mantém relevante até hoje

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Surgido no início no início dos anos 70, o Electro-Pop é um estilo originalmente europeu com bases na Alemanha e Reino Unido. Foi indiretamente um momento de contra-estilo ao Rock, já que não se usava o modelo básico de guitarra, baixo e bateria comum ao gênero e, por tal motivo, acabou causando certo estranhamento por parte de alguns que eram fãs fervorosos e inflexíveis do Rock.

Pode se dizer que tudo começou com uma dupla alemã (que viria se tornar um quarteto) que fazia um som totalmente eletrônico e robotizado: A Kraftwerk, com seus sons utilizando sintetizadores e vozes em talk box e até mesmo temática robótica e tecnológica. Isso sem falar na aparência de andróides que os integrantes possuíam no palco. Era quase como se fossem realmente robôs fazendo música.

No final dos anos 70, mais precisamente em 1977, o estilo começaria a se tornar mais “humanizado”, o que foi ironicamente impulsionado pelo grupo The Human League. Essa banda, originada na Inglaterra, trazia o que se tornaria o “som anos 80” como acabou conhecido: batidas eletrônicas em sintetizadores e vocais pop.

Outros grupos vieram atrás desse som, como Eurythmics, A-Ha, New Order, Pet Shop Boys, e, principalmente, o pioneiro nessa popularização, o Depeche Mode. Essas bandas foram as responsáveis pela popularização do estilo, primeiramente na Europa e depois para todo o mundo. Hits como Enjoy the Silence do Depeche Mode, Take On Me do A-Ha, Sweet Dreams do Eurythymcs, e – o considerado “hino do electro-pop” – Blue Monday do New Order ganhavam clipes na MTV e alcançavam o mainstream no meio dos anos 80.

Se o Electro-Pop era visto com aversão para os roqueiros, Devo e Duran Duran foram bandas que tomaram um rumo diferente e trouxeram os elementos do Rock – guitarra, baixo e bateria – para o estilo eletrônico. Além de utilizar os sintetizadores e teclados, elas traziam o que aparentemente estava perdido: os riffs de guitarra.

Chegando a 20 anos de existência, o Electro-Pop ganhava cada vez mais fãs. O House, Ambient, e a música “Eletrônica” – como foram generalizadas as músicas de pista – foram algumas das novas roupagens que o estilo ganhava. Moby, AIR, Fatboy Slim, The Chemical Brothers, Daft Punk e Björk foram os principais nomes dessa nova onda eletrônica.

Como já é de costume os estilos se fundirem, com o Electro-Pop não foi diferente. Da mistura do estilo com o Hip Hop, o qual estava fortemente presente na cena musical estadunidense, surgia o Trip-Hop, um novo estilo com a base eletrônica e tempo menor, vocais de Hip Hop com nuances de jazz e soul. Massive Attack e Tricky são exemplos do estilo.

Não aconteceu diferente com o Punk, que ao se fundir com o Electro-Pop originou o Dance-Punk que possui como principal banda o The Prodigy. Com ritmos eletrônicos rápidos, e vocais intensos originados do Punk e do Hardcore, o estilo ganhou espaço principalmente em pistas mais underground dos anos 90, sendo algo não tão mainstream quanto o House, por exemplo. Porém, isso não deixou de tornar o Prodigy uma grande banda reconhecida até os dias de hoje.

Atualmente, o Electro-Pop ainda está presente como influência. Vide o 8-Bit/Chiptune (que já foi tema dessa coluna), que tem, por exemplo, a banda japonesa Yellow Magic Orchestra, surgida em 1978 e que já fazia um som mais computadorizado e muito semelhante ao que viria a ser feito com os Game-Boys e outros aparelhos eletrônicos. Tal estilo é tão ligado ao Electro-Pop que chegou a fazer uma coletânea chamada 8-Bit Operators: The Music of Kraftwerk com covers do grupo em versão Chiptune.

Além do 8-Bit, o Indie Pop e o “Indietronic” de bandas como Hot Chip, LCD Soundsystem, Little Dragon, Justice, CSS e Boss in Drama possuem em suas veias uma forte carga eletrônica vinda do Electro-Pop.

Com seus 40 anos, o gênero ainda possui ainda hoje grande importância e influência, seja para bandas de Rock, Indie, e, é claro, para o cenário eletrônico. Tá aí a prova de que o estilo não está velho e que ainda tem pique de sobra para cair nas pistas.

Discografia Básica:

KraftwerkAutobhan The Human LeagueDare New OrderPower, Coruption & Lies Depeche ModeA Broken Frame Yellow Magic OrchestraYellow Magic Orchestra DevoQ: Are We Not Men? A: We Are Devo! EurythmicsSweet Dreams (Are Made Of This)

Discografia Intermediária:

Pet Shop BoysActually Daft PunkDiscovery MobyPlay BjörkDebut The ProdigyThe Fat Of The Land TrickyMaxinquaye

Discografia Atual:

Cansei de Ser Sexy (CSS)Cansei de Ser Sexy Hot ChipThe Warning: Little DragonRitual Union LCD SoundsytemThis Is Happening Boss In DramaPure Gold Justice

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Autor:

Marketeiro, baixista, e sempre ouvindo música. Precisa comer toneladas de arroz com feijão para chegar a ser um Thunderbird (mas faz o que pode).