O encontro entre reggaeton e hyperpop – e vice-versa

Cinco artistas que estão dando um tom metálico, acelerado, distorcido e futurista ao reggaeton

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Fotos: Caballeros

Elas são jovens e elas querem tudo. De Porto Rico a Argentina, de Honduras a Espanha, artistas emergentes estão dando uma modulação hyperpop ao reggaeton. Navegando além de definições como neoperreo e reggaeton experimental ou alternativo, essa sonoridade é fruto indiscutível da internet. Não à toa, esse tipo de som pode ser rastreado desde o KiCk i (2020), de Arca, em faixas monumentais como “KLK” e “Mequetrefe”, e foi lapidado a partir da influência de artistas gigantes como Rosalía.

Nessa seleção, as batidas são afiadas, aceleradas e quase sempre metálicas. As vozes geralmente carregam algum nível de distorção, e a tônica do rap, marcante no reggaeton, ganha ainda mais proeminência. A proposta sonora desse reggaeton modulado pelo hyperpop está longe de ser homogênea, por isso, aqui você também vai encontrar batidas que vão do drum and bass ao trap, e muitos, muitos synths. Nenhum dos discos citados aqui é propriamente um disco de reggaeton – e essa é a graça.

Akriila

“Acho que é impossível que alguém só tenha um mood, ou que só tenha um tipo de música. Seria muito estranho, para mim, conhecer uma pessoa que só quer fazer trap. Acharia muito esquisito. Alguém que não diga, ‘weón, estou com vontade de fazer uma cumbia’”, comentou Akriila em uma entrevista para a Rolling Stone. O disco de estreia da cantora chilena, epistolares (2024), é prova viva de sua versatilidade e de seu amplo espectro de interesses. Esse é um disco de riscos; que bebe muito do hyperpop, mas também não renega um aspecto indie. “epitafio” e “www.hotxulito.com” são grandes faixas de um reggaeton distorcido, desfigurado, alucinado.

RaiNao

Em 2020, RaiNao decidiu começar sua carreira na música, partindo de um desejo de fazer reggae. “Eu tenho faixas de reggae guardadas até hoje”, contou à Marie Claire mexicana. No meio do caminho, a cantora porto-riquenha percebeu como poderia flutuar entre as pistas mais populares de Porto Rico: reggaeton e trap. Seu último disco, CAPICÚ (2024), propõe essa fusão. Em 2025, RaiNao colaborou com Bad Bunny no disco DeBÍ TiRAR MáS FOToS, na faixa “PERFuMITO NUEVO”.

Bb Trickz

Com 24 anos e um vulgo que vem da paixão por Kill Bill, Bb Trickz é hoje um dos nomes mais quentes do rap. Da Boiler Room à Dazed, todos querem la más mala de España. Na esteira do hit “Misionsuicida”, com um beat que interpola a música tema do seriado Law & Order, veio uma colaboração com Charli XCX no Brat and it’s completely different but also still brat (2024), na faixa “Club Classics”. Em abril deste ano, a rapper de Barcelona lançou o disco 80’z, que atravessa uma série de humores, mantendo uma atmosfera calorosa e um jeito de rimar feroz.

Taichu

Uma das fundadoras da crew RIP Gang, de onde despontaram gigantes do trap argentino como Dillom, Taichu define seu próprio som como “hotcore”. Sem dúvidas, seu disco de estreia, Rawr (2023), transpira energia sexual, contrastando o jeito de rimar ronronado a uma atmosfera caótica, sustentada por batidas densas e sombrias. Atuando entre o trap e o pop, Taichu adiciona um quê soturno ao reggaeton, como é o caso da faixa “Presión”.

Isabella Lovestory

Colaboradora de Shygirl e PinkPantheress e grande admiradora do K-Pop, Isabella Lovestory é uma cantora de Honduras radicada no Canadá. Seu último disco, Vanity (2025), leva adiante a proposta sonora de seu antecessor, Amor Hardcore (2022): uma manipulação digital em cima do reggaeton, mas que, diferente da maior parte dessa lista, não pretende produzir uma fricção. “Gorgeus” é um bom exemplo disso, em um aceno ao pop do início dos anos 2000 – até as intervenções de sons distorcidos servem a certa plasticidade da música. No limite, Vanity realça ainda mais a essência pop de Isabella Lovestory e seu poder de lotar pistas.

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