O enigma de Hotaru (pt. 1)

Destrinchamos as referências de cada um de seus edits, espalhados por 17 EPs, e o resultado é uma diversificada e efervescente viagem musical

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Fotos: Reprodução

Okinawa é um conjunto de ilhas que fazem parte do Arquipélago Ryukyu, cuja localização possibilitou grande interferência cultural da China, um diferencial em relação às outras regiões do Japão. Um exemplo da origem chinesa é a presença do sanshin, instrumento idêntico ao banjo, revestido por pele de cobra e utilizado por músicos locais como Rinsho Kadekaru, considerado o “Elvis Presley” do folk japonês. Por qual razão o papo partiu de Okinawa? Esta é a única informação sobre a origem da Hotaru, autora de edits incríveis produzidos anonimamente desde 2013, fortemente influenciados por sonoridades de Synthpop, New Wave, Disco, Italo-Disco e Pós Punk. Outra pista: ela tocou em público uma única vez na vida, em 2017, durante uma edição da festa Selvagem em São Paulo. Paramos de falar a respeito dela por aqui, senão estraga o mistério.

Até o ano passado, cada edit era lançado solto, como uma surpresa para quem acompanha o trabalho de Hotaru e ficava sempre de olho no Soundcloud para ver se aparecia alguma novidade, como é o caso da autora deste texto. Era inevitável: um novo single acompanhava uma enxurrada de audições no repeat. Novas perspectivas sobre os timbres, vocais e arranjos singulares são detectados a cada play.

Para alegria dos fãs inveterados, Hotaru segue numa prolífica sucessão de EPs recheados de edits, que se destacam pela pesquisa musical apurada. Cada faixa contém uma história interessante a respeito da sua origem e época, praticamente, uma viagem no tempo. Após meses de pesquisa para esta reportagem, apenas uma track ficou sem antecedentes: “Pyramiderna”. Confira a primeira parte da divertida investigação envolvendo as músicas de 17 EPs lançados por Hotaru.

Edit é um rearranjo de trechos de uma música, alterando a duração ou ordem das estrofes, versos, elementos, tempo, e outras possibilidades sem descaracterizar a ponto de se transformar em um remix, por exemplo. Antigamente, os edits eram feitos utilizando tesoura ou gilete para cortar fitas cassete, coladas com durex, para criar uma interpretação diferente da faixa original. Muitas vezes, a adaptação é feita para a track ser inserida harmoniosamente em um DJ set. O re-edit é classificação para intervenção em uma faixa previamente remixada ou editada.

PORTRAIT EDITS –  Vol. 1

1. Agathe & Regrets – L’Avion

Agathe Labernia é vocalista da banda francesa The Regrets, que estourou em 1983 por causa do hit “Je Ne Veux Pas Rentrer Chez Moi Seule”. No ano seguinte, foi lançada faixa “L’Avion”, junto de “Tout Le Monde S’Amuse” pelo selo canadense Paroles & Musique. Multi artista, a cantora é escritora, roteirista de curta-metragens e foi apresentadora de um programa de televisão.

2. Yoko Ono – You’re The One

Praticamente uma declaração de amor entre Yoko e John Lennon, a faixa faz parte do Milk and Honey, o primeiro álbum póstumo do cantor, lançado em 1984, cujas gravações foram interrompidas por causa do falecimento. As canções em que ele participa são mais rústicas do que as demais, gravadas em ensaios. O disco saiu pela Polydor Records após rompimento com a Geffen Records, gravadora que deu espaço para o primeiro álbum da dupla, Double Fantasy, um fenômeno de venda mundial após a morte do beatle.

3. Cida Descarieux – Nou Ke Sa Enmew

Nascida na ilha caribenha de Guadalupe, Cida passou parte da vida no Senegal e é irmã do instrumentista Jacob Descarieux, que participou da gravação da faixa, uma mistura de Soul Caribenha e Zouk de bases eletrônicas muito inovadora para a época. A música de 1984 faz parte do álbum Cida, lançado pelo selo francês Disques Espérance, especializado em música africana e world music. O trabalho se destaca pelas bases musicais de violino, percussão, trombone, synths, tambores, baixos e guitarra.

4. Camila Motor – Der Zauberer

Camilla Hüther fez diversas parcerias com o músico Frank Meyer-Thurn nos anos 1980 e o Camila Motor é uma dessas. O single “Der Zauberer” é de 1984. Ao lado dele, ela criou um delicioso álbum marcado por influências de Downtempo em um projeto chamado FMT. Juntos eles também criaram uma tal lambada eletrônica latino-alemã, o Chicalita Diaz.

No currículo da artista, figuram trabalhos inusitados assinados por Jean Bronte, como a participação em uma compilação de House e Dance Music noventista de músicas do Pato Donald, direcionada para crianças futuramente clubbers via Club Zone, uma sub label alemã da Polydor. Ela fez algumas das composições do álbum A Moment of Love (1997), hit de FM da dupla de Eurodance La Bouche. Outro projeto voltado para Dance Music é o Rewind, também dos anos 1990.

5. Chiemi Manabe – Untotooku

Cantora atriz e modelo, Chiemi Manabe fez apenas um disco solo, o Fushigi Shoujo, em 1982. Único, mas foi o suficiente para fazer história na música japonesa. Recentemente, o álbum foi redescoberto por colecionadores de vinis devido à presença da faixa em DJ sets mundo afora. Além da voz cativante de Chiemi, o setup utilizado impressiona pela variedade de equipamentos eletrônicos, algo raro na época: E-μ Synthesizer, Sequencial Circuit Prophet-5, Roland MC-4, Roland Computer Rhythm, LMD-649 Sound Memory, Pollard Syndrum, LINN LM1, Emulator Jupiter-8, Eventid Harmonizer, Roland Digital Delay SDE-2000, Roland Stereo Flanger SBF-325, Moog 10 Band Equalizeer, Yamaha Analog Delay E-1010, MXR Stereo Chorus, MXR Noise Gate e IME Tude Driver.

PORTRAIT EDITS –  Vol. 2

1. Malcolm McLaren – Madame Butterfly

Clássico da ópera italiana, “Madame Butterfly” conta a história de um tenente da marinha apaixonado por uma gueixa no começo do século 20. E, curiosamente, ganhou uma versão eletrônica por meio de Malcom McLaren em 1984. O músico ganhou fama por ser o empresário da banda Sex Pistols no auge do movimento punk inglês, quando administrava a loja underground de roupas sex como sócio de sua ex-mulher, a renomada estilista Vivienne Westwood. O estabelecimento foi crucial para transformar o rasgado do Punk em visual fashion.

2. Elaine Kibaro – L’amour pour Bouclier

Originária da Tunísia, Kibaro, desde os quatro anos de idade, cria melodias, motivo para ter sido escolhida como solista do coral da escola. Ao se mudar para França em busca de melhores condições de vida, ela precisou ser professora, modelo e profissionalizou-se como esteticista. No final dos anos 1970, ela finalmente conseguiu dar vazão à carreira musical e durante anos fez apresentações para apoiar missões especiais da ONU pelo mundo. A faixa “Pour L’Amour” faz parte do álbum “Le Long Du Fleuve Amour” de 1985.

3. Little Annie – Going For Gold

Da inauguração do Studio 54 a shows no CBGB, Annie Bandez era figura notável, conhecida como Little Annie e Annie Anxiety, na noite de Nova York nos anos 1970. Para ter uma dimensão do quanto ela causava, Frank Zappa, ao vê-la em um show no Chelsea Hotel, declarou à revista Songwriter que se espantou ao ver uma garota vestindo roupas íntimas embaixo de um casaco de couro preto, munida de uma sacola de papel com uma garrafa de vodca, entoando versos sobre estar internada em um hospital psiquiátrico. Poetisa, ela se mudou para Londres na década de 1980, quando assinou várias colaborações com artistas como Paul Oakenfold, atuando sempre com ritmos variantes do Jazz, Reggae, Dub e Leftfield. Em 1992 ela trouxe ao mundo seu primeiro álbum solo por meio da gravadora On-U Sound, o Short And Sweet, que contém a faixa “Going For Gold”. Atualmente, ela faz parte de um projeto de live set com Nicky Mao, talentosa e produtora que chama atenção ao mandar muito bem no uso de sintetizadores modulares.

4. Shiro Schwarz – Move Your Body

Formada por Pammela Rojas e Rafael Maril, a dupla mexicana tem no histórico anos de atuação com performances audiovisuais. Esta é faixa escolhida por Hotaru mais atual, “Move Your Body”, originária do EP Don’t Know Why / Move Your Body de 2016. Elementos de Boogie, Funk e synths com ares dos anos 1980 caíram no gosto da enigmática produtora de edits.

5-Bibi Flash – Histoire D’un Soir

Brigitte Gasté estudou artes e cinema na Universidade de Sorbonne. Apesar da possível carreira profissional e acadêmica promissora, ela preferiu bater na porta de gravadoras para mostrar seu trabalho musical com 20 anos de idade. Deu certo e ela fez um breve, mas forte sucesso na França durante os anos 1980 por causa de “Histoire D’1 Soir”. O nome “Bibi Flash” foi dado por seu produtor na época, inspirado em personagens de quadrinhos. A primeira aparição televisiva ao vivo da cantora ficou marcada pelo episódio em que sua blusa caiu e a fez pagar um topless forçado em um grande canal francês.

GINA X – FRENCH LIFT

Gina X – French Lift

Estudante de história da arte em Colônia, na Alemanha, Gina Kikoine juntou-se ao escritor e produtor musical Zeus B. Held, em 1978, para fazer o Gina X Performance, embalados por sequenciadores e vocoders de última geração na época. A dupla é uma das pioneiras do Electro, influenciadora de projetos do gênero em voga no começo dos anos 2000, como Ladytron, a cantora Miss Kittin e o Metro Area, com quem gravou algumas faixas em parceria. A faixa “French Lift” faz parte do disco “Yinglish”, último da carreira do projeto, com direito a versão New Wave de “Drive My Car”, dos Beatles, e “Harley Davidson”, de Serge Gainsbourg e Brigitte Bardot.

ECHOMAN EDITS

1. Dave Ball – Man In The Man

Enquanto fazia fama internacional tocando synths no Soft Cell, banda que despontou com uma nova versão de “Tainted Love”, Dave Ball matinha outros projetos em paralelo, como The Grid, Other People, English Boy on the Loverancha e Jack the Tab. Ele fez parte de In Strict Tempo, em 1983, disco da faixa Man in The Man, no qual atua nas bases eletrônicas e vocais. Formado em artes pela Leeds Metropolitan University, experimentalismos eletrônicos eram o forte do artista desde a graduação, motivo da aproximação de Marc Almond, ex-colega e vocalista do Soft Cell e também responsável pela direção de arte do “In Strict Tempo”.

2. J. Murakawa  – Stay Outta My World

De todos os edits, sem dúvida, este é um dos mais impressionantes, porque a nova versão realça muito bem todos os elementos da faixa original de um minuto e 15 segundos. Jimmy Murakawa fazia parte da banda japonesa Mariah, criadora de som experimental envolvendo Jazz e New Wave numa mistura de difícil categorização – descoberta há poucos anos por colecionadores de vinil. Em 1982, ele soltou o disco solo Original De-Motion Picture, através do selo japonês B&M, no qual está “Stay Outta My World”

3. Radar – Una Splendida Emicrania

Se não fosse a pandemia, o mundo assistiria a volta da banda italiana RADAR. Desde o final de 2019, Nicolas Salerno articula em estúdio as gravações de um novo disco. Artista prolífico, ele integrou diversos projetos nos anos 1980, como Art Erios, Logo, Niù Abdominaux e Dangereux. Deu tempo de lançarem uma faixa intitulada “Falso Reggaeton”. Em junho do ano passado, a notícia da morte súbita do vocalista Nicolas encerrou oficialmente o projeto para sempre. A música “Una Splendida Emicrania” faz parte do álbum Radar (1982), lançado pela WEA.

ORGAZAM 1

1. Slađana Milošević – Neko Je Tu

Hackear o sistema está no DNA da cantora. Nascida e criada na antiga Iugoslávia, Slađana aprendeu a tocar piano violino quando criança na escola, em plena sociedade conservadora típica do regime totalitário socialista do general Tito. Quando adolescente, começou a atuar no cinema e no teatro marginal e, para se manter como musicista, tocava piano na orquestra do canal de televisão do governo de Belgrado. Nos anos 1970, virou solista e percorreu toda União Soviética em turnês, mas devido ao controle dos meios de mídia, ela demorou muitos anos para conseguir juntar dinheiro suficiente para bancar uma gravação de disco de forma autônoma. Não existiam estúdios independentes por lá.

Seu primeiro single, “Au Au”, foi censurado em alguns países da União Soviética, mas o disco fez enorme sucesso, fator decisivo para ela sair do país. Em 1983, ela começou a banda Neutral Design em Munique, na Alemanha, e lançou um álbum autointitulado, que conta com a faixa “Neko Je Tu”. Em Londres, ela se bancava gravando trilhas dos comerciais da BBC1, enquanto fazia trabalhos musicais com Peter Godwin (compositor de David Bowie). Fez uma breve carreira na China após uma sucessão de apresentações lotadas. Nos anos 1990, mudou-se para Califórnia, onde gravou algumas canções com Jeff Buckley e formou-se em administração de empresas, trabalhando na área de investimentos. Ainda engajou protestos contra o ex-presidente Slobodan Milosevic ao voltar para Sérvia no começo dos anos 2000, com shows em praça pública no meio de manifestações por independência. Virou roteirista, escritora e é uma das maiores referências da música contemporânea da Sérvia. Uma mulher incrível.

2. Bastion – Mesec U Šolji

Único disco do primeiro grupo de música eletrônica da Macedônia, Bastion foi gravado em 1984. O tecladista Kiril Džajkovski posteriormente migrou para a Leb i Sol, uma das bandas pops mais conhecidas em seu país na época. Na década seguinte, ele foi para Austrália, onde executou uma mistura musical envolvendo a música étnica da Macedônia e bases eletrônicas e seguiu fazendo trilha sonora para espetáculos de dança e filmes. A vocalista Ana Kostovska também seguiu caminho com base na música do seu país, porém, de forma tradicional, sem experimentalismos eletrônicos. Uma canção excluída do disco do Bastion, “Emil, vrati se”, foi apresentada por Ana em uma competição de cantores promovida pela TV socialista nos anos 1980. Atriz de formação, atualmente ela se dedica à interpretação em peças de teatro. Curiosamente, o disco da banda saiu pela gravadora da rádio estatal socialista.

3. Videosex – Videosex

Jornalista e locutora de rádio, Anja Rupel chamava atenção nos vocais da banda criada em 1983 na Eslovênia. Aos 16 anos, participar do Videosex era algo que ela precisou esconder do pai, musicista clássico da principal orquestra do país. Não era por menos, naquela época, menores de idade iugoslavos voltavam para casa após um toque de recolher às 20h, pois seriam abordados pela polícia se estivessem na rua. E a banda se apresentava em diversos clubes e festas. Ela foi também a primeira apresentadora da MTV nascida na antiga Iugoslávia, fato memorável, j´QUE não era muito grande o intercâmbio cultural entre países da região e os Estados Unidos. Ativa até 1992, o grupo Videosex fez enorme sucesso, sendo considerado um dos pioneiros da música eletrônica de seu país. O tecladista Matjaž Kosi saiu da banda para formar o Moulin Rouge, influenciado por Italo Disco e Eurodance.

4. Oliver Mandić – Sve Su Seke Jebene

Dono do título de “promessa do Rock de Belgrado”, o cantor Oliver Mandic tocava acordeom desde criança. Na adolescência, ingressou no principal conservatório de música do país, mas saiu antes de se formar para se juntar ao movimento underground das bandas de rock. Não era uma pessoa fácil. Em um show no principal festival de rock da época, ele destruiu seu synth no palco revoltado com a falta de sincronia dos outros integrantes e saiu fora. A partir de então, investiu na carreira solo. “Sve Su Seke Jebene” é inspirada em contos eróticos literários e faz parte do segundo disco do artista, o Zbog Tebe Bih Tucao Kamen. Posteriormente, ele tentou gravar com outras bandas, mas sempre acontecia algum desentendimento. Utilizando um visual andrógino, estilo crossdresser e maquiagem pesada, ele chocou a sociedade em apresentações na televisão estatal. Durante a Guerra da Bósnia, ajudou a Guarda Voluntária Sérvia a distribuir cigarros e alimentos para os soldados na linha de frente.

5. Bebi Dol – Rudi

Um fato inusitado na trajetória da cantora Bebi Dol é a fama ter surgido por causa de uma música chamada “Brazil”. Em 1991, ela representou a Iugoslávia no principal festival da canção na Europa, com letra que afirmava que apesar de gostar dos ritmos latinos do samba, rumba e do chacha, ela não precisava deles para dançar porque na sua terra havia os cantores Rambo Amadeus e Dino Dvornik. A composição cheia de recalque em relação ao groove brasileiro ganhou o penúltimo lugar. “Rudi” faz parte do disco Ruze i Krv, de 1983, e também foi executada em outro concurso musical, porém, arrebatou o sexto lugar.

MIRAGE

1. Chagrin D’Amour – Au Paradis

Pode soar muito estranho, mas a dupla formada por dois brancos com zero DNA do gueto, Grégory Ken e Valli Kligerman, é considerada pioneira em fazer composições de Rap e utilizarem elementos do Hip Hop na França. A música responsável pela alcunha é “Chacun Fait c’qui Lui Plaît”, de 1981. A vocalista Valli Kligerman seguiu cantando sozinha após a morte de Grégory nos anos 1990 e se tornou repórter e apresentadora de um telejornal francês. Destaque para algumas parcerias que ela fez com o músico experimental Richard Bone.

2. Sapho – Amour Fantôme

Some mais uma cantora incrível no repertório da Hotaru. A franco-marroquina Sapho é escritora de novelas e poemas, e atuou em diversas óperas. Influenciada pela cena punk após uma temporada em Nova York, ela assume o codinome em homenagem à poetisa grega Safo e faz sucesso em 1985 com o disco Passions, que abriga a faixa “Amour Fantôme”. Ela sempre fez questão de se aprofundar na cultura musical árabe e judaica, ao criar trabalhos como o álbum Orients, cujas influências simbolizam união entre palestinos e israelenses.

3. Bilbo – Sex Machine

Compacto lançado em 1983 com duas faixas, “Relax” e “Sex Machine”, um delicioso cover do clássico de James Brown feito por Bilbo, lançado pelo selo belga Jump & Shout. Os sintetizadores de Rony Brack criaram uma atmosfera New wave ao Funk, artista que também integra outras bandas muito interessantes de bases eletrônicas, como o B-Art, Code 61, e Garden. A produção é assinada por Christian Soete.

4. The Mystery Kindaichi Band – Theme Of Kohsuke Kindaichi

Kentarō Haneda é o mentor desta banda imaginária. O grupo instrumental tinha a curiosa brisa de fazer a trilha sonora da série de livros do detetive Kosuke Kindaichi, do autor Seishi Yokomizo, ambientada no começo do século 20. Cada faixa reflete um pouco das cenas retratadas nas obras. A Kindaich é formada pelo pianista Hideo Ichikawa, os percussionista Tadaomi e Anai, o saxofonista Takeru Muraoka, o trompetista Kohi Hadori, e Kimono Yamauchi no koto, um instrumento japonês semelhante a uma cítara gigante. Eles fizeram um disco apenas, o The Adventures of Kohsuke Kindaichi em 1977, relançado neste ano pela gravadora francesa WeWantSouds.

LOVEBOX

1. Zenit – Waitin’

Originária da Áustria, a banda adepta do Jazz Rock e Funk é um projeto criado pelo tecladista e percussionista HannesTreiber ao lado de Willi Langer, no baixo. Considerado um dos melhores baixistas de sua terra natal, Langer aprendeu a tocar sozinho. Após se formar na principal conservatório musical de Viena, ele dividiu palco com artistas do quilate de The Supremes e Gloria Gaynor. Com DNA de sonoplasta, ele viajou o mundo na Orquestra dos Palcos Unidos de Viena, junto da qual se apresentava em extensas turnês musicais de espetáculos como “Cats” e “O Fantasma da Ópera”.

Posteriormente, a vocalista Linda Chambers deu voz a três LPS solo do lendário guitarrista Sonny Sharrock, um dos pioneiros do Free Jazz americano. Nos anos 1960, ele tocou com Miles Davis, Pharoah Sanders, Roy Ayers, Herbie Mann e muitos outros grandes nomes. Após gravar o último disco com Linda, Sharrock, misteriosamente, se retirou do meio musical.

2. Sandii – Zoot Kook

Um feat de respeito define o projeto de Synth Pop da cantora japonesa Sandii e o músico Haruomi Hosono, que, ao lado de Yukihiro Takahashi e Ryuichi Sakamoto, formou a lendária Yellow Magic Orchestra, banda pioneira eletrônica japonesa influenciadora do desenvolvimento do gênero Electro. “Zoot Kook” faz parte do disco Eating Pleasure, de 1980.

Sandii ganhou de Hosono o apelido com dois “ii” por conta de sua vivência no Hawaii, onde virou dançarina profissional da típica Ula. Neto de Masabumi Hosono, o único passageiro japonês e sobrevivente do naufrágio do Titanic, Hosono é considerado um gênio da música pop oriental. Além de ter sido um dos primeiros músicos a se aventurar no gênero Chiptune, ele compôs trilha sonoras para videogames nos anos 1980.

3. Die Fantasie Reich Bis Zum Knie

Após trabalhar como arquiteta em um renomado escritório de Berlim, a cantora alemã Rosa Precht resolveu largar tudo e investir na música. Em 1979, ela integrou a banda feminista Insisters. Em 1982, criou o Cosa Rosa após desenvolver algumas composições, no estilo jam na sala de estar, para o então namorado Reinhold Heil, um dos membros da banda. Ambos decidiram tocar apenas com synths e drum machines depois de algumas experimentações infelizes com instrumentos analógicos tradicionais.

Reinhold Heil fez parte da primeira banda de Nina Hagen, na sequência, integrou a banda synthpop Spliff, um sucesso absoluto na Alemanha durante a década de 1980. Heil trabalhou com o diretor de cinema Tom Tykwer e o baixista australiano Johnny Klimek. Juntos, eles fizeram o histórico álbum da trilha sonora do já clássico Corra, Lola, Corra, que vendeu meio milhão de cópias em todo o mundo, um sucesso absoluto na época. O filme foi o primeiro a ter faixas de Techno compostas especialmente para cada movimentação do vídeo ao invés de utilizar faixas pré-existentes. Rosa morreu, vítima de um câncer, em 1991.

4. Ghia – Won’t Sleep On My Pillow

Amigos desde os 15 anos de idade, os músicos alemães Lutz Boberg e Frank Simon já haviam se aventurado no Jazz e Pop alemão quando fundaram a banda Ghia em 1983. Dois anos depois, eles conheceram a cantora Lisa Ohm, que se tornou a vocalista do projeto. A faixa “Won’t Sleep On My Pillow” é resultado de um single gravado em 1991 através do selo eletrônico alemão Mikado Records.

5. Donna Summer – Grand Illusion

Cansada de ter sua imagem explorada por um viés sexualizado, Donna Summer rompeu com a gravadora Casablanca no final dos anos 1970. A faixa “Grand Illusion” faz parte do disco The Wanderer, o primeiro a ser lançado pela gravadora Geffen Records em 1980, após um período conturbado na carreira da rainha da Disco. O motivo da reviravolta foi uma depressão severa enfrentada pela artista, que voltou a frequentar a igreja católica e se recuperou pela fé. A época também era muito conturbada em função da Disco Demolition Night, uma noite bizarra de 1979 em que racistas americanos fecharam um estádio para colocar fogo em vinis de Disco, numa clara ofensiva ao sucesso mundial protagonizado por negros e latino-americanos. “Grand Illusion” foi composta por Giorgio Moroder, parceiro de vários sucessos da cantora.

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ARTISTA: Hotaru

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