“O mundo de hoje anda muito louco”, diz MGMT, “nem sempre para o bem”

Banda voltará ao Brasil para shows em novembro

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Fotos: Divulgação/Brad Elterman

Das bandas mais populares do universo Indie, MGMT é a que possui a melhor história ao longo de sua carreira. Após conquistar o mundo em 2007 com Kids, Electric Feel e Time to Pretend – hits que ainda ecoam na maioria das festas do meio Alternativo -, Ben Goldwasser e Andrew VanWyngarden optaram por trabalhar sons distantes do potencial Pop exibido em seu disco de estreia (Oracular Spectacular) e investir em experimentações sem medo de estranhamentos.

Com três shows marcados no Brasil em novembro, o duo retorna ao país em um momento em que, assim como suas músicas, os ânimos e os acontecimentos parecem resultados de uma ficção escrita sem medo de desagradar. “O mundo de hoje anda muito louco”, falou Ben ao Monkeybuzz por telefone, “nem sempre para o bem. Acho que muito da música que fazemos é um mecanismo de defesa para lidarmos com toda a estranheza que está acontecendo no mundo agora. Se a gente conseguir dar isso para os outros também, ótimo”.

Aquela suspeita que temos ao ouvir seus discos (como o recente Little Dark Age), de que a dupla tem buscado um processo criativo cada vez mais experimental, foi confirmada pelo músico. “O que mais nos influencia é descobrir músicas velhas, pesquisando online em diferentes serviços de streaming”, conta ele, “não estamos necessariamente produzindo para fazermos parte de algum cenário com o que é popular hoje em dia. Nós nem sequer sabemos o que está fazendo sucesso. Não que eu ache isso bobo, é que eu gosto de coisas mais velhas mesmo, descobrir aquilo que os outros não estão ouvindo. Acho natural que a música que façamos tenha mais essa cara de experimentos com tudo o que escutamos, uma vontade de fazer algo novo com isso”.

Trabalhos como o novo álbum e MGMT (2013) colocam o duo ao lado de outros grandes nomes do Indie que também são conhecidos pela esquisitice, como The Flaming Lips, of Montreal e Animal Collective, por exemplo. “Acho que essas bandas encontram seu público nas pessoas que querem escutar músicas que sejam significativas para elas, não aquelas que você sai para a balada e vai ouvir”, comenta Ben, “é uma questão mais introspectiva, uma relação íntima com os discos. Há diversas formas de ouvir música em cada situação, mas eu acho importante poder dar às pessoas essa oportunidade”.

“Acho engraçado como parece que as pessoas não gastam mais tempo sentando para ouvir música em um lugar quieto, com fones de ouvido bons e tal”, comentou o músico, “a maior parte das pessoas não têm essa experiência, mas muita gente ainda valoriza isso também. No nosso caso, passamos muito tempo fazendo isso. É legal poder oferecer isso também, que alguém pare para escutar e perceba algumas surpresas no meio das faixas”.

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ARTISTA: MGMT
MARCADORES: Entrevista

Autor:

Comunicador, arteiro, crítico e cafeínado.