O pluralismo do R&B atual

Conheça um pouco mais sobre o estilo que tem artistas e influências diversas, mas que sempre coloca você para dançar

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O Rhythm and Blues, ou R&B, é um estilo de música tão abrangente quanto o Rock and Roll, por exemplo, com diversos subgêneros e influências. Aqui no Monkeybuzz, você já teve contato com diferentes artistas que, de uma forma ou outra, tangenciam o estilo. Quando o gênero surgiu nos EUA, estava muito ligado ao Jazz, Gospel e ao próprio Blues e sofria uma grande distinção racial. Caracterizado inicialmente como “música negra”, logo o estilo se popularizou e, aos poucos, o estigma racial foi deixado de lado. Atualmente, a sua abrangência, misturada a outros estilos como o Hip-Hop, Rock, Soul e Pop, transforma o R&B em um grande caldeirão de idéias para artistas talentosos com gosto pela música negra americana. Sejam eles negros ou não, estão sempre dispostos a colocar os ouvintes para mexer os quadris.

O nome mais marcante talvez do R&B atualmente é Kanye West. Dono do Hip-Hop no mainstream, o artista que já teve os seus cinco álbuns de estúdio com mais de 1 milhão de cópias vendidas, não se cansa de produzir e envolver-se com outros músicos, tomando-os como pupilos. O próximo disco de Kanye, previsto para 2012, é provavelmente o trabalho mais esperado com vertentes do estilo no ano, devido ao estrondoso sucesso comercial e de crítica do My Beautiful Dark Twisted Fantasy em 2010. Nesse álbum, além de parcerias com outros grandes nomes do Hip-Hop atual como Jay-Z, Pusha-T e Kid Cudi, teve também a participação do queridinho indie Bon Iver, além de Elton John por exemplo.

Outro evento do ano com Kanye como protagonista é o lançamento do disco Cruel Summer pelo megagrupo de rap G.O.O.D Music. Com algumas parcerias refeitas como dos mesmos Pusha-T e Kid Cudi, o disco ainda tem diversos outros artistas do selo G.O.O.D em um álbum colaborativo com os dedos de West e sua voz também. O vídeo de Mercy, canção presente no álbum, foi um dos grandes sucesso do gênero no ano.

Um outro cara que deu muito o que falar no ano é Frank Ocean. Seu disco Channel Orange, que foi muito bem falado por aqui, é uma grande demonstração de seu talento. Menos Hip-Hop e mais R&B, o álbum tem grande produção e enaltece a dinâmica e bela voz de Ocean. A divulgação da melhor canção do trabalho, Pyramids com seus oito minutos como single, é prova de que o cantor está muito bem aceito no Mainstream do estilo.

Outro cara que você viu por aqui, é Nick Waterhouse. Branquelo como a neve, o garoto demonstra um grande swing e vibe das antigas para colocar todos para dançar naquele que pode ser considerado o R&B de raiz, misturado ao Soul e ao Blues. Um belíssimo revival da década de 50 que incorpora a “alma” de suas influências e as traz de forma contempôranea aos ouvintes modernos.

Quem também demonstrou ao grande público que o R&B de raiz pode ser feito de forma espantoso por brancos também foi Mayer Hawthorne. Com um vertente muito ligada ao Soul, é um dos representantes da cena do Neo-Soul e realizou um elogiado concerto em terras tupiniquins nesse ano. Snoop Dogg, referência no Hip-Hop, realizou uma interessante parceria com o Mayer em seu segundo disco, How Do You Do?.

É difícil caracterizar o que é o R&B atualmente, devido a suas diversas vertentes e influências, as quais criam um estilo plural mas ainda com a mesma essência de antes. Seja feito por negros ou brancos, o gênero é certamente um dos mais populares hoje em dia, o que só nos faz aumentar as expectativas do que ainda pode vir das mentes criativas envolvidas com música que se propõem a explorar o gênero.

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Autor:

Economista musical, viciado em games, filmes, astrofísica e arte em geral.