O Post-Rock Pílula de Mogwai

Com novo disco para ser lançado, alguns motivos para conhecer a obra desta incrível banda

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Grandes nomes de seu respectivo gênero podem passar uma certa dificuldade ao primeiro contato. A questão de se trabalhar com bandas que possuem uma história razoavelmente longa quase sempre se traduz no que se escutar primeiro. Essas perguntas quase sempre vem de uma preguiça de se conhecer tudo da banda em questão para depois julgar seu álbum favorito, dessa forma indo direto no que ela tem de melhor a oferecer. Porém, estas questões/regras devem ser ignoradas ao se conhecer uma banda como Mogwai.

Estabelecida no ano de 1995 em Glasgow, Escócia, a banda foi formada por Stuart Braithwaite, Dominic Aitchison e Martin Bulloch e, por mais que o nome do conjunto faça referência ao filme Gremlins, de 1984 (tendo como significado “espírito do mal” em chinês), Stuart diz que não é um nome com significado profundo. Ele ainda conta que, com o passar do tempo, os integrantes quiseram mudar o nome, mas acabaram se estabelecendo nesse e ganhando fama com ele após a publicação inglesa NME ter eleito seu primeiro single Summer como o “single da semana” em seu lançamento. Com o anúncio do novo disco e a disponibilização do álbum para streaming, listamos alguns motivos do por quê, de tantos discos de Post-Rock novos por aí, um novo lançamento de Mogwai é algo a se chamar atenção, além de dicas do que se escutar da extensa obra do quinteto escocês.

Imprevisibilidade

Uma banda que influencia tantas outras já ganha vários pontos. Sendo uma das bandas em atividade mais velhas dentro do estilo, juntamente com Tortoise, Sigur Rós e Bark Psychosis, um lançamento do novo disco é algo pertinente ainda mais quando se trata de um som tão variado quando o de Mogwai. Colocando os discos lado a lado, vemos como a banda procura explorar novos jeitos de envolver o ouvinte não distanciando nunca da proposta de se fazer um Post-Rock coeso. Se do disco Happy Songs For Happy People, faixas como Moses I Amn’t, Kids Will Be Skeletons e Boring Machines Disturbs Sleep nos mostram elementos mais suaves e calmos, como sintetizadores graves e pads envolventes, em Mr. Beast (2006) a coisa muda para um gênero igualmente envolvente, porém mais agressivo e tenso, representado por faixas como Glasgow Mega-Snake, Folk Death 95 e o single Travel Is Dangerous.

Experiência Ao Vivo

Bandas de Post-Rock costumam fornecer ótimas experiências ao vivo. Seja pela atmosfera que criam ou pela performance de grandes músicos, quando um show desse porte é anunciado, é mais do que recomendado que você reserve uma grana para presenciar este tipo de evento. Com Mogwai não é diferente. Por se tratar de uma discografia com muitos timbres, sonoridades e subgêneros, somos surpreendidos por uma gama grande de sensações e sentimentos ao escutar as versões ao vivo. Os brasileiros tiveram a chance de ver do que se trata o alvoroço ao redor das apresentações ao vivo no festival Sónar em 2012. Apesar de alguns problemas de som, foi uma experiência única que transportou os espectadores. Tirando o som, o jogo de luzes contribui bastante para a amibientalização do espaço físico.

Brevidade

Um dos principais defeitos que os não tão adeptos do Post-Rock põem nas composições é como elas são longas. Mogwai talvez seja uma alternativa para esse dito problema. O brevidade nas composições do gênero é um desafio que a banda trabalha muito bem, uma vez que composições mais longas ajudam a trabalhar a imersão do ouvinte nessas faixas. Embora haja na discografia de Mogwai faixas longas como You Dont Know Jesus e Christmas Steps, a grande maioria não ultrapassa a faixa dos cinco minutos. Há composições que não passam de dois minutos, mas são igualmente hipnotizantes, como Punk Rock/Puff Daddy/Antichrist e *Robot Chant.

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ARTISTA: Mogwai
MARCADORES: Redescobertas

Autor:

Designer frustrado, julgador de capas de discos e odiador daqueles que põem o feijão antes do arroz.