O Som Sonhador de Ducktails

Conheça mais do projeto paralelo do guitarrista do Real Estate, que traz a vibe ensolarada de sua banda e adiciona mais algumas pitadas de Lo-Fi e Psicodelia

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O bom lado de se ter um projeto paralelo é que basicamente pode-se fazer o que bem entender com ele, sem se preocupar com o que sua banda e mesmo seu público vai achar. Outra liberdade é o poder de recomeçar, experimentar e testar à vontade o que sua criatividade permitir. Essa foi a ideia de Matt Mondanile, guitarrista da Real Estate, quando decidiu começar o Ducktails.

Como forma de fugir da sonoridade praiana e roqueira de sua banda, o artista decidiu se equipar com muitos sintetizadores e deixar sua imaginação livre para brincar com eles. Coincidência ou não, os primeiros EPs e discos do projeto surgiram na explosão da Chillwave e, curiosamente, o som de Matt tinha muito em comum com o estilo, principalmente na vibe sonhadora e o modo caseiro de produzir as músicas.

O disco homônimo, lançado em 2009, não causou tanto impacto na cena Chillwave quanto Toro y Moi e Neon Indian, mas foi um bom trabalho de estreia – de certa forma, mais para o próprio músico do que para o público, que ainda começava a entender o que era o movimento e a se identificar com a sonoridade. Com um som baseado nos loops e nos sintetizadores, o que Matt fazia na época ao mesmo tempo em que se encaixava na tag, por ter vários elementos em comum, também se distanciava dela, por ser mais experimental e por trazer uma aura mais psicodélica. O segundo álbum do Ducktails, Landscapes, saiu ainda em 2009 e continuava na mesma linha sonhadora e calminha do seu antecessor.

O projeto foi engavetado por um tempo e ressurgiu com uma vibe completamente diferente. Matt tira a sonoridade de seu quarto e a leva para tomar um sol na praia. No fim de 2010 a banda dá indícios da mudança que iria ocorrer, com um som com cara de tarde ensolarada Hamilton Road, primeiro single do novo disco, carrega bastante da vibe do Real Estate, só que bem menos polido.

Em uma espécie de encontro de Kurt Vile e Brian Wilson, Ducktails III: Arcade Dynamics é um disco menos ousado que seus primeiros, mas é também o mais acessível. Com melodias praianas feitas por uma guitarra e um drum machine, as músicas de Matt ainda viajam bastante no terreno psicodélico, mas agora com um toque Lo-Fi. Esse é um daqueles álbuns perfeitos para uma viagem, não importa a direção, só o vento em sua cara e liberdade de poder ir onde quiser.

Em pouco mais de três anos, Matt conseguiu explorar duas sonoridades e vibes completamente diferentes. O que mais nos espera nos próximos trabalhos dele longe do Real Estate?

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ARTISTA: Ducktails
MARCADORES: Projeto Paralelo

Autor:

Apaixonado por música e entusiasta no mundo dos podcasts