Os filhotes do Animal Collective

Conheça os diferentes projetos paralelos dos membros de um dos mais interessantes grupos musicais da atualidade, uma mistura única de psicodelia e experimentação.

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Você conhece o Animal Collective certo? Esta banda norte-americana, dona de um som único, experimental psicodélico. Caso a desconheça, resumidamente o grupo não possui um som de fácil digestão, pelo menos não nos seus primeiros discos, mas mesmo assim é um grupo extremamente importante na cena psicodélica, pois abriu espaço para os posteriores MGMT, Youth Lagoon e Tame Impala entre tantos outros. Todo coletivo musical tem a necessidade que os seus músicos se aventurem em outras bandas, experimentem novas coisas para que uma evolução do som possa ser notada e é isso que os membros fundadores do grupo decidiram fazer.

Talvez o projeto paralelo mais conhecido dos membros do Animal seja a carreira solo de Panda Bear. O cantor e multi-instrumentista Noah Lennox tem uma interessante e diversa discografia, e curiosamente gravou o seu primeiro trabalho antes mesmo de formar o coletivo juntamente com os seus amigos de colégio Avey Tare (David Portner), Deakin(Josh Dibb) e Geologist (Brian Weitz). No entanto, somente alcançaria a verdadeira notoriedade com o lançamento do seu elogiadíssimo e excelente terceiro disco, Person Pitch de 2007. Demonstrando que o Pop poderia aparecer dentro de tanto experimentalismo e psicodelia, mostrou também uma abertura no próprio som de seu grupo principal, o qual lançaria posteriormente, em 2009, o seu disco até então mais acessível Merriweather Post Pavilion e que teve a música My Girls como seu grande single.

No entanto, a própria carreira de Panda Bear parecia decolar e se descolar do Animal Collective, quando o músico lançou o seu disco de maior sucesso, Tomboy de 2010. Nele, Noah faria com que seu disco chegasse de certa forma às massas, chegando a figurar nas paradas de sucessos e nas listas de melhores discos, mesmo tendo sido lançado no final daquele ano. Tangendo de certa forma a música eletrônica, mas a fazendo através de vocais mais Pop e aprazíveis, acabou levando o Panda Bear a figurar neste ano como uma das parceiras realizadas pelo Daft Punk em seu mais novo disco Random Access Memories. A faixa Doin’ it Right certamente é uma das mais pegajosas do mais recente trabalho dos robôs franceses, e ainda assim foge um pouco do escopo de releituras do Funk e Disco Music dos anos 70 e 80 vista na obra. A voz de Noah traz uma textura diferente a faixa, lembrando bastante a experimentação do Animal Collective, mas desta vez produzida com os maiores nomes da música eletrônica atual.

Mesmo com uma carreira solo e uma banda extremamente produtiva, Noah Lennox conseguiu ainda fazer mais um grupo paralelo, chamado de Jane e feito em conjunto com o músico Scott Mou. Com três discos lançados entre 2002 e 2005, o duo realiza um trabalho mais experimental e eletrônico, brincando um pouco com linhas de Jazz e de música ambiente. Misturando texturas sonoras distintas e percussões vistas no Animal Collective, Jane faz um trabalho extremamente interessante e de certa forma único na cena.

Avey Tare, outro membro do grupo, mostra-se tão plural quando Noah em termos de projetos paralelos. Primeiramente, junto com Eric Copeland da banda de Rock Experimental, Black Dice, formou o Terrestrial Tones grupo que brinca e explora bastante o Noise Rock. Sem nunca esquecer o viés experimental, a banda possui três discos em sua discografia, sendo Dead Drunk de 2006 o mais relevante de todos. O resultado final mostra-se pertinente com a origem de ambos músicos, criando um som realmente barulhento e experimental com elementos de Rock e música eletrônica.

O mesmo músico viria a se juntar a Kría Brekkan, formando uma dupla com a musicista, a qual posteriormente viria a se tornar sua esposa. Menos barulhento, mais calmo e sereno mas ainda assim psicodélico, fariam um disco em 2007 chamado de Pullhair Rubeye. No entanto, o casal se separou após uma rápida união civil, o que dificulta, infelizmente um novo trabalho deste projeto. Por último, como anunciamos aqui, Avey iniciou recentemente uma nova banda juntamente com Angel Deradoorian, ex-integrante do Dirty Projectors e Jeremy Hyman, ex-membro do Ponytail. Avey Tare’s Slasher Flicks, o nome do supergrupo, tem pouco material ainda divulgado, além de algumas gravações ao vivo. Mas podemos constatar que o Rock Psicodélico é a bola da vez, e o trabalho já está em nossa lista de nomes a serem vistos no ano.

Independente das bandas, podemos sempre notar a veia do Animal Collective em cada um dos projetos paralelos de seus membros. Sempre carregados de experimentação, mas partindo de diferentes estilos ou abordagens, tais “grupos externos” parecem funcionar como válvulas de escape para os músicos de uma banda que nos últimos cinco anos se aproxima cada vez mais do Pop. Na medida do possível, fogem um pouco do estigma de ser uma banda pouco digestível, como podemos ver no mais último lançamento do coletivo, Centipede HZ, mas sem perder as suas raízes ao realmente experimentar outros ares em distintos trabalhos, algo que certamente é bom para eles, e para nós, ouvintes.

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Autor:

Economista musical, viciado em games, filmes, astrofísica e arte em geral.