Os instrumentos e o baile de Antônio Neves

Músico carioca compartilha os momentos de sua vida que o levaram até o contagiante “A Pegada Agora É Essa” (2021) e lista 10 discos fundamentais para a construção de sua sonoridade

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Fotos: Lucas Vaz

Antônio Neves tem um conselho para todo mundo: grave um disco. “Quem tem essa vontade não pode perder tempo, porque é maneiro demais, o processo é muito bom”. Nessa entrevista, o multi-instrumentista carioca de 29 anos conta as viradas da sua trajetória desde o sonho da infância de ser baterista de Jazz até o saboroso A Pegada Agora É Essa (2021) – seu segundo álbum –, no qual assina bateria, trombone, voz e guitarra, além da produção musical. Esta história começa com um presente que Antônio, então com 11 anos de idade, ganhou do pai e termina quase duas décadas depois em uma noite de insônia, logo após uma sessão do documentário de Quincy Jones.

Antônio é um PA7 — como ele chama seus amigos e também o título de seu primeiro disco, de 2017 —, do tipo que oferece cerveja pela chamada de vídeo e xinga quando a página do Google não carrega para pegar o nome “daquele disco lá”. Gosta de documentários sobre grandes artistas, pois se delicia com curiosidades biográficas e só começou a se ligar na letra das músicas alguns anos atrás. Versado na música instrumental, Antônio ouvia a melodia da voz, mas não dava tanta atenção assim para as letras. Falando de som, o maior tempero do nosso PA7 talvez venha da forma como ele lida com os instrumentos: Neves só quer se divertir.

O filho baterista

O primeiro instrumento que Antônio ganhou foi o tantan, também conhecido como rebolo, quando tinha nove anos de idade. Um presente do percussionista Marcos Esguleba, grande amigo do pai de Antônio, Eduardo Neves. Flautista e saxofonista, Eduardo tocou com Esguleba durante 13 anos na banda do Zeca Pagodinho e é um músico conhecido por ser rígido, mas, segundo Antônio, isso é uma espécie de um personagem — com um fundo de verdade. Brincadeira ou não, o pai não escondia as expectativas: queria que o filho se tornasse baterista e, com 11 anos, Antônio ganhou uma bateria amadora.

“Foi quando começou aquela fissura diária, tocava todos os dias, praticamente querendo matar minha irmã e os vizinhos com tanto barulho”, brinca. Antônio colocava os discos no fone de ouvido e tentava tocar junto com seus artistas favoritos. “Não estava preocupado com a técnica, estava só querendo me divertir”, conta. “Claro que rolava pressão, meu pai é músico, já tocou com Hermeto Pascoal e mais uma galera, então rolava essa parada de ter que tocar direito, mas eu tocava todo dia de bobeira. Eu só tocava. Na faculdade, comecei a colocar a teoria na cabeça e, de alguma forma, eu sentia que saber o nome das coisas já tirava um pouco da magia, entende?”.

A rebeldia do trombone

Antônio entrou em licenciatura na Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (UNIRIO) com o sonho de infância intacto: ser um baterista de Jazz. No entanto, considerava licenciatura chatíssima e o bacharelado demasiadamente erudito. “Eu me interessava, mas também via a galera se esforçando pra caralho e a relação com o instrumento não era como a que eu tinha com a bateria, por exemplo; era uma relação de respeito, mas também de certo medo. A galera do bacharelado é sobre a técnica perfeita de cada instrumento: extensão, salto, agudo e grave, essas coisas. Nas práticas de orquestra da UNIRIO, eu lembro de tocar e me sentir em um lugar estranho; se alguém confunde uma nota, quase que rola um buchicho. Era outro universo. Entrei em uma de fazer matéria eletiva, escolhi trombone elementar”.

Nesta matéria, o professor falou para Antônio que ele tinha facilidade com a embocadura, ou seja, com a forma que os músculos da boca, queixo, lábios e rosto no geral se encaixam no instrumento. “Tu leva jeito, mantém”, ele disse. “Cara, eu tô pensando em mudar de curso”, respondeu Antônio. “Faz a prova que eu te passo”, disparou. Como Neves não sabia ler partitura, ele decorou a prova. “Botei os vídeos da música e o trombone dá para você ver a posição da mão nas notas, então eu imitava e saía a nota. Eu nunca esperei que eu fosse tocar trombone, peguei com 21 anos”, relembra. Rapidamente o namoro com o instrumento se desenvolveu e Antônio já tocava tanto trombone quanto bateria. Começou a fazer gigs de música latina, fanfarra, alguns carnavais, e se consolidava assim uma visão que o artista até hoje tem de si mesmo: um músico do baile. Alguém que tem esse quê de sair tocando, mesmo sem saber o que vai ser.

Nasce o PA7

Mesmo com vários processos de criação diferentes, a inspiração para Antônio é quase como uma sorte. Quase como sair para pescar, ficar horas em um lago e, quando você menos espera, um peixe aparece. A sorte é aproveitar a inspiração quando ela vem. “Às vezes eu tô indo dormir e tenho uma ideia foda, aí eu penso amanhã eu vou lembrar; lembro porra nenhuma. Tem que pegar o celular, cantarolar o que está na sua cabeça e depois você vê o que faz. Tem que usar essa tecnologia a favor”, diz como se fosse muito mais velho do que é. “Meu grupo do Whatsapp comigo mesmo se chama APAEE, A Pegada Agora É Essa. Já foi “eu”, mas hoje é APAEE. Já vai mudar de novo”.

Quando essa inspiração vem, Antônio toca como se já soubesse a música, compõe como se a recebesse pronta, como foi o caso de “Lamento de um Perplexo”, sexta faixa de A Pegada Agora É Essa (2021). Do seu primeiro disco, PA7 (2017), “Valsa Bicicross” e “Pressão Alta” foram músicas que saíram como se já existissem. Curiosamente, foram homenagens à sua mãe e seu pai, respectivamente. “Às vezes você está com uma melodia na cabeça que você não conhece de nenhum lugar, que você nunca ouviu; você pega o instrumento e ela já existia, sacou?”.

“Às vezes eu tô indo dormir e tenho uma ideia foda, aí eu penso ‘amanhã eu vou lembrar’; lembro porra nenhuma. Tem que pegar o celular, cantarolar o que está na sua cabeça e depois você vê o que faz. Tem que usar essa tecnologia a favor”

Em 2015, Antônio teve uma ideia. “Inventei de fazer um show no Beco das Garrafas, que é um lugar lendário aqui no Rio de Janeiro. É onde nasceu o Samba Jazz e a Bossa Nova. Eu já conhecia o Gus Levy de vista e ele foi no show. Ele se amarrou muito e me botou uma pilha que eu tinha que gravar”, relembra. Reuniu então Joana Queiroz (clarone), o próprio Gus Levy (guitarra), Danilo Andrade (teclado), Pedro Dantas (baixo), Pedro Fonte (percussão), Gabriel Lodo Menezes (percussão) e o pai, Eduardo Neves (flautas e sax), e lançou o disco pela Rock It, em 2017. Antônio toca bateria, trombone, percussão e guitarra. O álbum apresenta um Jazz mais experimental, atmosférico; ora swingado, ora derretido e esparso. Ainda que bem maduro para um primeiro trabalho autoral, Antônio ficou receoso. “Foi louco pra mim porque eu tocava trombone há pouco tempo, gravei as baterias também, mas me lançar no meio instrumental como trombonista foi uma parada que eu me pegava pensando: será que meus amigos trombonistas vão me aceitar? Porque eu toco com vários trombonistas mesmo, que são trombonistas desde criança, aquela história da escola do trombone, sabe? No fim, ficou tudo certo, lógico, mas eu fiquei com esse medo no começo de me lançar como trombonista”.

Pequeno elétrico coração galinha

“Posso contar uma história breve de como eu conheci a Ana Frango Elétrico?”, começa. Certa vez, o mesmo guitarrista que incentivou Antônio a gravar PA7, o Gus Levy, deu o celular na mão dele e disse “Olha essa mina aqui”. Era um vídeo da Ana falando rápido, meio elétrica, enquanto pintava uns quadros. “Quem é essa figura aí, bicho?”, respondeu Antônio, devolvendo o celular. Gus contou que ela ia fazer um show em breve. Antônio foi vê-la tocar pela primeira vez no Escritório, uma casa underground da Praça Tiradentes. “Fiquei de cara com ela cantando, tocando. A gente tomou uma cerveja no bar Boa Pinga, ela falou que queria que eu tocasse com ela no show e toquei”, conta. “Depois, ela disse que estava finalizando um disco, Mormaço Queima (2018), e precisava de um trombone e toquei. Nunca esperei que ela fosse me chamar para a banda dela, porque eu vim de outra galera, do instrumental, baile, gafieira. Quando eu vi estava tocando trombone, que também era uma coisa que não esperava da minha vida, com a Ana Frango Elétrico!”

Entre a gravação de Mormaço Queima e os shows do disco, Ana e Antônio ficaram muito amigos. Foi quando ela convidou o multi-instrumentista para fazer os arranjos de Little Electric Chicken Heart (2019). “Fui na casa dela ouvir as músicas, me amarrei também”, conta. “Pensei em algumas coisas de naipe, piano — eu até gravei o piano do início de ‘Saudade’. Lógico, também toquei bateria, Rhodes, trombone e trompete. Sugeri formas de música, mas o que eu mais fiz foi o arranjo dos instrumentos de sopro. E o disco ficou bom pra caralho, foi foda ver a repercussão da parada”. Little Electric Chicken Heart (2019) ganhou o prêmio Revelação Musical de 2019 pela APCA – Associação Paulista dos Críticos de Arte, e recebeu indicação para o Grammy Latino, Prêmio Multishow e é, sem dúvida, um dos discos nacionais mais marcantes dos últimos dois anos.

Agora, é essa a pegada

Um dia Antônio assistiu ao documentário de Quincy Jones — e não dormiu à noite. Ele já queria gravar um novo disco, mas era um plano de médio ou longo prazo. Com as graças da insônia, tornou-se um plano de prazo imediato. Foi fascinante para Antônio ver o quanto Quincy produziu. “E ele tinha aquela trupe dele, com quem ele sempre trabalhava, né? Fiquei pensando que eu tenho a minha galera também. Eu tenho meu círculo de pessoas com quem eu sempre teria vontade de gravar. Ele falava que tudo depende de você dizer um sim para as coisas acontecerem. Fiquei meio insone, pensando como fazer, no processo. No dia seguinte, eu escrevi no papel todo mundo que eu queria que participasse do disco e comecei a ligar para cada um”.

“Claro, meu PA7, me diz o dia e a hora”, ouviu repetidamente do outro lado da linha. Num piscar de olhos, Antônio montou toda a base: piano, guitarra, clarone, baixos. “Todo mundo me disse sim e foi uma onda de sorte atrás de sorte; consegui marcar um estúdio e foi tudo dando certo. Eu comecei a gravar em 2018, baixo e bateria. Botei piano, guitarra e o disco ficou pronto no final de 2019. Com a pandemia, não teve como lançar em 2020, porque a galera fez um coro de que seria um ano perdido; acabou que 2021 parece que vai ser igual, então lançamos”, diz.

Ainda que o filme tenha sido o gatilho da produção, as referências sonoras vieram por outras rotas. Pagode Jazz Sardinha’s Club (2001), da banda homônima, Fusion (1961), de Jimmy Giuffre, The Complete Bitches Brew Sessions (1998), de Miles Davis, e A Tribute To Art Blakey And The Jazz Messengers (2017), de Tony Allen. “Em A Pegada Agora É Essa fica muito marcado o Afrobeat com a sonoridade do Jazz, passando por ritmos brasileiros, mais precisamente do Rio de Janeiro. Sinceramente, não sairia assim se não fossem as pessoas que gravaram; quem eu pensei, meus irmãos e amigos, eles fizeram isso. É um disco de encontros. As harmonias, as sensações, o molho quem deu foi a galera”, comenta.

Algumas músicas já estavam encaminhadas para o que se tornaria o segundo trabalho autoral do artista por causa de uma banda chamada Baile e Gastação. Antônio fez parte do grupo quando tinha uns 22 anos e estava começando a pegar o trombone. Juntos, tinham um projeto chamado Nova Lapa Jazz, o qual chegou a reunir entre 2 a 3 mil pessoas na rua toda quarta-feira. A faixa-título do disco já era tocada na banda, além de “Luz Negra”, “Summertime” e “Noite de Temporal” — sob outra formação, com baixo elétrico e duas guitarras. Depois, a banda se desfez e Antônio lapidou as ideias para entrarem no álbum, mantendo os arranjos que tinha criado, mas também somando pianos e trocando o baixo elétrico pelo acústico.

“O disco tem essa marca do Afrobeat com a sonoridade do Jazz, passando por ritmos brasileiros, mais precisamente do Rio de Janeiro. Sinceramente, não sairia assim se não fossem as pessoas que gravaram. Meus irmãos e amigos, eles fizeram isso. É um disco de encontros. As harmonias, as sensações, o molho quem deu foi a galera”

“Uma vez veio uma cantora fazer uma participação no Nova Lapa Jazz e eu fiz um arranjo de ‘Noite de Temporal’ (https://www.youtube.com/watch?v=wwk8UQ8mQm4) para ela cantar; na hora eu percebi que tinha uma potência naquilo”, relembra. “Quando tive a ideia de trazer pro disco, com a necessidade de somar umas vozes para dar uma levantada no ânimo, de cara eu pensei: só pode ser a Alice. É minha amiga e é neta do Dorival. Ela topou e foi incrível. Eu estava morando em São Paulo nessa época — morei por três meses e, quando veio a pandemia, voltei para o Rio — e fomos no Estúdio Canoa. Achei que a gente iria ficar três horas lá e, em meia hora, a gente tinha tudo. Ela cantou tudo de primeiro take. Fiquei muito arrepiado. Foi incrível, era exatamente o que eu queria, muito melhor do que eu imaginava”.

Já Ana Frango Elétrico estava à frente da direção de arte do disco quando Antônio a convidou para cantar “Luz Negra”. “Ela ficou meio nervosa porque nunca tinha cantado um samba, mas casou super bem com a ideia da melodia do trombone e clarone. A gente estava saindo um pouco do Samba e indo para o Jongo nesta faixa, o que casou muito bem com a voz dela. A Ana é genial também, eu gosto muito da voz dela”. Dos demais encontros no álbum, há o pai, Eduardo Neves (flauta), o amigo do pai que o presenteou com seu primeiro instrumento, Marcos Esguleba (voz e percussão) e a mulher que criou Antônio, Leda (voz). Há também os parceiros do PA7, Joana Queiroz (clarone) e Gus Levy (guitarra).

Dentre as muitas belezas de A Pegada Agora É Essa, o que mais impressiona é que o disco tem uma linguagem, uma forma de se comunicar que, mesmo no seu momento mais caótico, é carregada de harmonia. “Ao mesmo tempo em que tem essa onda de rolar uma parada livre e complexa, das harmonias irem se contrapondo — e isso foi genialidade dos caras que eu chamei, Eduardo Farias (piano) e Luiz Otávio (piano Rhodes) —, tem também o poder da melodia que você assobia, fica na cabeça porque quem faz a melodia é o meu trombone e o clarone da Joana Queiroz. A gente faz em uníssono, o que reforça a melodia, e a gente toca de uma forma sutil, percebe?”, explica. “A gente não toca na pegada dos caras. Enquanto eles estão quebrando tudo, a gente só apresenta a melodia de uma forma lisa. Isso torna mais fácil para o ouvinte decorar. E também tem a linha de baixo firme: algumas partes foram escritas, outras não. O lance do disco é o que está no meio. Tem a bateria, baixo e a guitarra fazendo o que está escrito, enquanto os pianos e as percussões ficam se degladiando, às vezes conversando amigavelmente, torna-se algo que parece complexo”. Na contemplação dessa dualidade que a música sorrateiramente abraça o ouvinte, fisga sua atenção e te joga para dentro do som.

10 discos fundamentais para Antônio Neves — álbuns sem os quais sua música não seria como é.

Pagode Jazz Sardinha’s Club (2001), Pagode Jazz Sardinha’s Club

É um disco da banda do meu pai, então eu ouvia direto. Sei cantar tudo, do começo ao fim. É a união do Samba com muitas coisas, um disco muito doido e eu ouvi o processo desse disco, então está em mim com certeza. Inclusive, na capa do PA7 tem a foto de Roberto Marques, trombonista desse grupo, que morreu em 2017.

Nervos de Aço (1973), Paulinho da Viola.

Meus pais ouviam muito Paulinho da Viola e esse é um disco emblemático dele. Tem essa gravação do trombone com o Nelsinho, um cara que eu fui pesquisar muito depois. Depois ouve uma música em especial: “Roendo as Unhas”, é brilhante.

Songbook (1997), Kenny Garrett

Quando eu era criança, meu pai reunia os amigos para ouvir este e dizia “Vai, Antônio, canta aí”. Eu cantava o solo do saxofonista, acredita? Eu não ouço tanto porque eu ouvi muito mesmo, mas me abriu para a liberdade da improvisação.

Eu sempre penso no baterista deste disco como referência de bateria de Jazz, o Jeff “Tain” Watts. Meu pianista favorito de Jazz está aqui, o Kenny Kirkland — a história dele é bizarra, o pai dele acorrentava ele no piano e saía para trabalhar; ele morreu na casa dele, os vizinhos descobriram o corpo por causa do cheiro, quando entraram na casa ele já estava morto há dias, sentado na mesa com cocaína. Esse é o pianista desse disco, vê essa densidade na terceira música, “Wooden Steps”. Mas, a que eu mais ouvi na minha vida é a quarta, “Sing a Song of Song”. Pesquisei muito este disco para fazer A Pegada Agora É Essa. Inclusive, quando a gente estava no estúdio, eu dizia para o pianista “Faz um Kenny Kirkland”; quando não era esse acento, eu falava para fazer o McCoy Tyner, pianista do Coltrane.

Sportin’ Life (1985), Weather Report

A minha música preferida quando eu era criança era a primeira, sinistra demais. Agora é a música quatro, “Confiance”. Também rodou muito lá em casa. Tem essa pegada muito anos 80 bem forte, então me influenciou muito sobre efeitos sonoros e teclados, foi abrindo minha cabeça para o som enquanto não só acústico do instrumento, sabe?

Western Suite (1960), Jimmy Giuffre

Quase matei a discografia dele já, fiquei muito fã dele. Essa sonoridade tem a ver com um lance Western: trombone, clarinete e guitarra. Tem muito a ver com a sonoridade que eu queria do trombone e clarone. E é muito antigo! Até mostrei pra Joana Queiroz porque o Giuffre não chegou muito no Brasil, vale muito a pena ir atrás dele.

Search for the New Land (1966), Lee Morgan

Comecei a pesquisar mais sobre este artista depois do documentário. Já viu? Chama I called him Morgan. É a história do cara contada a partir do ponto de vista da esposa dele — que matou ele. Filme bem feito. A primeira música deste disco é a principal do documentário; olha, me levou para lugares que a música não tinha me levado até então. Gosto de vários outros álbuns dele, poderia colocar três tranquilamente, mas eu fiquei tão ligado no documentário que Search for the New Land me marcou; é esse.

Allegresse (2000), Maria Schneider

Um dia meu pai chegou no carro e disse “Olha isso aqui”, botou Maria Schneider no rádio para tocar. A primeira música é “Hang Gliding”, que é asa delta, bonita demais. Tem uns trompetes lindos. Tem uma curiosidade que ela era a copista de um arranjador foda, que foi o trombonista do Western Suite; copista é quem escreve o arranjo que o músico vai criando para poupar tempo no estúdio.

Entidades I (2002), Wilson Moreira

Compositor de Samba do Rio e, ah, eu sou apaixonado pelas músicas dele em se tratando de melodia. Eu só fui me ligar na letra depois de tocar com a Ana Frango Elétrico. Como eu venho do instrumental, eu ouvia a melodia da voz, mas não a letra, sabe? Meu pai até gravou a flauta que abre esse disco!

Little Electric Chicken Heart (2019), Ana Frango Elétrico

Mudou minha vida. Só por eu nunca ter imaginado que a gente fosse trabalhar junto de alguma forma, ficar amigo. A Ana me deu total liberdade, eu fiz o arranjo que eu quis, foi a primeira vez que gravei piano e teclado na vida. Gravei bateria, que é meu primeiro instrumento, trompete, trombone. Fiquei muito feliz de ter colaborado e com o resultado final. Foi um CD feito com muitos amigos e que eu boto para ouvir. Outro dia eu botei Mormaço Queima de bobeira, tinha esquecido que tinha gravado, quando eu ouvi foi um susto, “Nossa, sou eu!”.

Rocinha (2021), Mbé

Esse cara trabalhava na Audio Rebel, uma casa foda. Quando ele ficou de lançar o disco, eu fiquei meio curioso. Quando ouvi a parada, eu senti que é uma música muito maior do que a gente imagina. É muito lindo. Me trouxe várias sensações ouvir essa parada, ouvi várias vezes já. Muito louco.

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