Pedro Pastoriz Revela Disco em Direct Cut

Em parceria com Arthur Joly, músico da banda Mustache e os Apaches gravou álbum em vinil

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A história de Pedro Pastoriz com gravações em vinil começou quando ele, em uma viagem a Nashville (EUA), entrou em uma cabine de gravação na loja da gravadora Third Man Records e gravou em Direct Cut – um processo diretamente no vinil – o single Chuva. A experiência, um desafio legal para qualquer músico, abasteceu a criatividade do gaúcho a ponto de gerar não um mero novo single, mas um álbum inteiro no mesmo formato.

Batizado como 1, trata-se também de seu primeiro disco solo – feito ao mesmo tempo que sua banda Mustache e Os Apaches prepara seu segundo álbum. Com músicas inspiradas na viagem aos EUA, metade de suas oito composições estavam prontas quando ele decidiu repetir o processo de gravação diretamente em vinil – com todas as implicações envolvidas em uma gravação permanente em um material físico -, só que em maior escala do que a de um single.

“Tudo veio de um risco”, Pedro contou ao Monkeybuzz, mas ele se refere a um risco literal, em um dos dois discos que ele trouxe de Nashville. Logo que ele foi ouvi-los pela primeira vez, assim que chegou no Brasil, a agulha da vitrola riscou um deles. Foi quando colocaram o músico em contato com o produtor e especialista em vinil Arthur Joly.

Arthur explica que esse tipo de disco que ele trouxe da cabine na Third Man Records (“um policarbonato com agulha de metal, material muito mole”, segundo ele) requer uns “truques” na hora de ser reproduzido (“precisa colocar um pesinho na agulha. Antes de fazer os truques, ele acabou riscando o disco”). Os dois conversaram sobre uma maneira de reparar o dano no vinil – algo que, infelizmente, não foi possível -, mas o produtor teve outra ideia ao ter contato com o material do cantor e compositor.

“Eu liguei pra ele e falei de um novo projeto que estava pra fazer e o convidei para ser o primeiro”, conta Joly. O tal projeto é justamente essas gravações em Direct Cut feitas em seu estúdio em São Paulo – uma verdadeira “Bat-Caverna” de parafernálias de gravação, instrumentos musicais e aparalhagens que ajudam a fazer a ponte entre o músico e o produto final. Nesse ambiente impressionante, Pedro organizou suas ideias de composições e gerou o álbum.

“Todo mundo ficou impressionado”, comenta o produtor, “eu achei que ele fosse chegar com um disco de 7”, mas ele veio com um de 12” já pronto”. Foi gravada apenas uma cópia, cortada direto, além de uma gravação também no computador para ter como arquivo – para ele ser disponibilizado digitalmente, porém, a versão foi reproduzida diretamente a partir do vinil, para manter as características sonoras.

“Aqui foi muito mais legal que em Nashville, que era uma coisa mais de turista”, conta o músico, “aqui foi um negócio bem mais vivo, de conhecer o Joly. Foi mais humano, ele é super atencioso, super querido. Lá, eu botei uma moeda numa máquina”. Sobre a opção de gravar nesse formato, ele explica que tem a ver com “a vontade de brincar com esse único take, aceitar o erro”, muito mais do que qualquer escolha mais nostálgica no processo, embora a estética tenha essa característica.

“É um disco de um cara tocando violão”, comenta Pedro, “a coisa mais crua possível”. E é essa sinceridade, esse caráter mais “bruto”, que mais tem a ver com uma gravação em um objeto concreto na qual se assumam erros – mesmo na fragilidade do vinil. Lembrando que uma obra dessas nunca sairia não fossem os riscos – literais ou não.

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Autor:

Comunicador, arteiro, crítico e cafeínado.