Percussão tribal é a nova carta na manga dos produtores

Instrumento, assim como Techno, está presente na performance dos DJs para quebrar a monotonia de seus sets

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Já que produções com mistura são o tesouro, com os sets ao vivo não poderia ser diferente. Mas, então, chegamos ao ponto em que podemos pensar em três explicações para isso: 1) É para mostrar versatibilidade do produtor e a habilidade de misturar gêneros aleatórios de uma só vez; 2) Poder esfriar a pista para ter a chance de estourá-la em vários momentos; ou 3) Não cansar seu público.

Não é de hoje que os produtores buscam um elemento “X” que saia do padrão em suas apresentações. Em épocas que o EDM faz a cabeça comercial, chama atenção e está presente de forma massiva nos sets, ou até o Electro House que vem crescendo de forma exponencial nos últimos dez anos, alguns DJs vêm buscando uma forma de manter o público na pista, sem cansar. O ouvinte talvez não perceba, mas quando a escolha do profissional bate sempre na mesma tecla/gênero, o som fica repetitivo e não há quem aguente. Para evitar essa inércia, geralmente os DJs têm cartas na manga para quebrar o ritmo de seus sets e depois levantar seus gêneros de origem. Skrillex, por exemplo, no Lollapalooza do ano passado, quebrou a linha descompassada do Dubstep com Booty Clap, um Miami Bass à la Diplo que deu certo, e, sem seguida, com a Make it bum dem, um Reggaestep em colaboração com Damian Marley.

Como dito no final do ano passado como tendência, muitos estão revivendo o Techno do final dos anos 90 – por ser um gênero limpo -, com roupagem mais moderna. Alex Ridha, conhecido como Boys Noize, pega muito essa linha e vende bem a ideia para frente. Jewelz, em colaboração com Scott Sparks, combinou a estrutura de um House Progressivo com um build up para um drop com influências de Techno:

Outro gênero que acabou em alta no final de 2012 foi o Moombahton, que, assim como o Trap, é caracterizado fortemente por sua linha de percussão tribal (e aí esse nome vem sim da referência de tribo lá de trás). Cada vez mais, os produtores estão se atentando na gama de possibilidades que o instrumento pode oferecer e na resposta incrível que a pista vem dando às batidas (quando digo que percussão tribal é a nova carta da manga entendam a percussão, não o gênero Tribal House). Só como exemplo, no Lollapalooza do último fim de semana, Zeds Dead, Porter Robinson, Felguk e Major Lazer seguiram a fórmula, que foi aceita com louvor. O melhor exemplo disso, e que está sendo usado no set dos maiores produtores (incluindo Diplo e Torro Torro) é Nari & Milani para Atom, uma faixa também de um House progressivo para um drop percussivo, e, em seguida, GTA:

Vem crescendo a quantidade de produtores que abrangem ainda mais o estilo de seus sets. Iniciam no EDM e vão para o Electro House (como Aoki), vão do Trap e terminam no Dubstep (vide Major Lazer), podemos ver isso em qualquer festival. Conseguiram perceber que essa quebra é importante por uma série motivos, e nem sempre a identidade musical se encontra em ficar na inércia de um gênero. Escapar para o Techno, pegar a influência tribal, correr para o Miami Bass, são cartas que fazem levantar o público de uma forma diferente e animá-lo para o fazer voltar ao gênero de origem. Como Giorgio Moroder mesmo disse, hoje o DJ é um maestro que rege sua própria pista, ordena hora que se dança, que se concentra, que se pula. Quem ganha, no final das contas, é o público, com um som variado e uma pista que adapta e responde rápido.

(Foto: Divulgação Lollapalooza/I Hate Flash)

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Autor:

Publicitário que não sabe o que consome mais: música, jornalismo ou Burger King