Popload Festival 2015: Programação Caprichada e Público Desatento

Evento segue como boa opção para shows de bandas favoritas de ontem e hoje

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Fotos: Iggy Pop por Fabricio Vianna

(Colaboraram Gabriel Rolim, Nik Silva e Lucas Repullo)

Para alguns, grandes festivais de música são oportunidades para ver bons shows que talvez não passariam pelo país em apresentações convencionais. Para outros, é a desculpa perfeito para ouvir muita música boa de uma só vez. Ambos os perfis encontraram duas grandes noites no último fim de semana (16 e 17 de outubro) em São Paulo com mais uma edição do Popload Festival.

Sua programação parecia discreta, principalmente poucas semanas após o megalomaníaco Rock in Rio, com nomes como Sondre Lerche e Spoon com destaque ao lado de dois veteranos de peso – Iggy Pop e Belle & Sebastian. Para quem estava lá, no entanto, o line up mostrou-se sólido, com grandes performances uma atrás da outra e sempre uma alternativa festeira com DJ-sets (de nomes como Todd Terje e Holy Ghost) em puro clima de balada.

O espaço escolhido foi mais uma vez a casa de shows Audio Club, que soube ser bem aproveitado para dar a cara de um festival enxuto ao evento, com espaço para locomoção e duas áreas de convivência fora do agito dos palcos (ainda que com poucas opções – principalmente em preços acessíveis – de alimentação, o que gerou grandes filas em alguns momentos). Um local como esse, com apresentações iniciadas às 20h, gerou uma experiência menos cansativa do que toda a comoção logística de passar um dia inteiro ao ar livre – o que torna o Popload Festival uma alternativa interessante para quem prefere esse formato e uma boa adição à programação anual dos fãs de música ao vivo.

Um aspecto negativo é que esse público ávido por shows precisou driblar constantemente dois “nichos” que disputavam o espaço: Os fãs dos headliners (com toda aquela velha história de querer pegar lugar na frente e, às vezes, desrespeitar as atrações anteriores) e os que estavam lá para serem vistos, de acordo com alguma ideia de status que o evento deve conferir a alguns (esses, da mesma forma, atrapalharam os shows com constantes conversas altas e selfies).

Enquanto algumas pessoas cantavam todas as músicas de Natalie Prass, por exemplo, alguns enxergaram sua apresentação com a desatenção de quem está acostumado a ter música ao vivo em qualquer barzinho. Ela driblou a situação entregando versões calorosas de suas canções, mesmo as menos conhecidas – My Baby Don’t Understand Me foi a primeira grande música do fim de semana. No caso de Sondre Lerche, com um show explosivo em formato de power trio, seu desfile de hits (com destaque para o encerramento com Bad Law) chamou bastante atenção e rendeu novos fãs ao norueguês, mas não ao ponto do que acontecia no palco ser uma atração maior do que a selfie com a hashtag do evento.

Emicida teve grande destaque dentro da programação do primeiro dia – e foi uma pena seu show ter atrasado devido a um detalhe técnico, o que fez com que sua apresentação começasse de surpresa e o público desatento nem teve tempo de aplaudi-lo. O mesmo não aconteceu com Barbara Ohana e Cidadão Instigado, com os horários mais “injustos” do sábado. A banda, por exemplo, mesmo para uma casa ainda vazia (o público chegou só para ver Spoon) não economizou em boas músicas, como Dizem que Sou Louco Por Você – uma das melhores do fim de semana.

Iggy Pop e Belle & Sebastian entregaram aos fãs aquilo que eles queriam – mesmo com a banda escocesa concentrando seu repertório no recente e menos elogiado Girls in Peacetime Want to Dance -, e a empolgação do público para os hits do passado nos dois shows é o maior argumento para seus postos de “grandes atrações”. Spoon, por sua vez, fez um show um tanto morno, ainda que tecnicamente impecável, e prejudicado por (adivinhem!) quem queria ver só Belle & Sebastian.

Foi uma bela oportunidade de vermos grandes shows de uma só vez, ainda que parte dos presentes não tenha se dado conta disso. Contudo, seja na mudança de mentalidade ou na facilitação de acesso a bandas que tanto ouvimos nos últimos meses (ou menos anos), o Popload Festival segue fazendo sua parte.

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Autor:

Comunicador, arteiro, crítico e cafeínado.