Por Onde Anda Skrillex?

Produtor que estourou em meados de 2011 e 2012 foge dos holofotes para focar em outros projetos

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Você bem provavelmente já ouviu falar de Soony Moore. O jovem de cabelos bem escuros que trouxe o sidecut para a fama, proporcionalmente baixo e barulhento trouxe uma forma comercial das rádios escutarem o Dubstep e uma massa aceitar o gênero que até então pairava entre o Underground mais escondido e o Industrial menos palatável. O produtor surgiu se apresentando em um single que estourou e nunca quis tomar espaço de ninguém nem ditar nova ordem mundial do estilo, pelo contrário, nem se intitulava produtor de Dubstep. Enquanto isso, renomados produtores, de Skream a Benga, ficavam incrédulos pela autenticidade do garoto que vinha de uma banda Emo e que tinha tanta agressividade e originalidade. Skrillex, então, saía de vez do anonimato e vinha pro mundo – não só suas músicas, mas seu comportamento e seu legado.

Um ano após lançar seu primeiro EP, já tinha cinco indicações do Grammy – e levou três. Skrillex entrava para os charts mundiais, para os festivais mais bombados do mundo e para a lista de credibilidade dos maiores produtores da cena. Foi chamado pra colaborar em diversas faixas, com diversos artistas, e serviu de inspiração para uma leva de Dubstep no Pop que veio de 2011 pra cá, responsável por muitos reféns de rádio conhecerem o gênero. Depois do produtor, o estilo estourou, virou sensação, seguidores e fãs estimularam o nascimento de mais projetos e uma cena mais ligada ao EDM, mais distante com My Name is Skrillex e mais perto de Bangarang, com mais vocal e menos apelo agressivo. O Dubstep tinha entrado de vez no EDM – e (muito) vice-versa.

Skrillex – My Name Is Skrillex

Diante de tudo isso, Moore virou príncipe direto de mãos de Skream e Rusko, o Dubstep se consagrou, o produtor ganhou dinheiro suficiente pra se desvincular de todas as gravadoras que lhe apoiaram e montar seu próprio selo. Surgia a OSWLA. E não só isso: Com o nascimento da OWSLA, começava a desaparecer o Skrillex produtor e aparecer o Soony Moore empresário, preocupado, de fato, com a música e com a indústria Eletrônica. O selo veio com uma proposta incrível, sendo, particularmente pra (e defendido por) mim um dos melhores de 2013: OWSLA apoia artistas desconhecidos e talentosos que tem consigo a música eletrônica como suporte. Zedd, Porter Robinson, Dillon Francis, Kill the Noise, Birdy Nam Nam, são alguns que passaram por lá. Os novos? Acesse este link e ouça sem dó.

Mas então, vamos pra pergunta: Por onde anda Skrillex? Essa questão não é bem querendo saber por onde anda, denotando lugar. Saiu hoje seu novo disco, Recess, colaborou na trilha sonora de Divergente também e recentemente ajudou uma faixa de Ellie Goulding, mas essa pergunta tem um teor mais profundo. Onde Skrillex se encontra hoje enquanto artista? Depois de bom tempo sem parar trabalhando com SebastiAn, Lady Gaga, Black Eyed Peas, Diplo, Nero, Boys Noize etc – somado com sua turnê cheia na Europa, Ásia e América -, resolveu gastar um tempo gerenciando os projetos que apadrinha e, nesse intervalo, se viu numa situação diferente. Sem cobrança com fama, dinheiro, gravadora, contato, selo, se percebeu livre para seguir o que sua liberdade criativa o levasse. Esse, afinal, é o caminho da maioria dos produtores. Crescer de forma comercial e depois aposentar tocando o que quiser, como quiser, sem preocupar com pormenores. Assim que, no ano passado, nasceu Leaving EP, com três faixas, mas talvez as mais significativas de toda a carreira do músico. Trabalhando menos com os graves e mais com camadas e nuances distintas, conseguiu provar sua versatibilidade com estilos diferentes subindo pra outro degrau, deixando pra trás tanto preconceito dos gurus da música eletrônica.

Esse papo de ódio não é de hoje. Crescer em cima de um solo tão polêmico quanto o Emo (de sua banda anterior) e espalhando tudo num terreno tão delicado quanto o Industrial, que tão poucos haviam ousado pisar, são motivos mais que suficientes pra fazer de Skrillex um alvo. Faz um tempo que o produtor não responde mais à imprensa, o que é completamente compreensível, visto tamanhos ataques completamente vazios de pessoas sem o menor fundamento atacando com pedras quem nem está querendo fazer parte de uma batalha. Skrillex sempre pautou seu trabalho em cima de competência, referência e ineditismo, e quem trabalha em cima dessa tríade pouco importa com opinião alheia. Moore faz seu trabalho bem feito e hoje consegue explorar um lado que antes não tinha tempo (ou nem sabia da existência). Fez um Dub que surpreende quem conhece o que lhe fez estourar. Cala a boca de cada um que o julgou indevidamente de uma forma bem humilde, sem escândalo e sem alardes. Na dele, o que dói bem mais.

Nessa paz de espírito que se construiu e foi concebido Leaving. Skrillex não negou suas origens, não traiu o movimento nem mudou o percurso, somente demonstrou maturidade. Teve que crescer muito em tão pouco tempo o que fez do produtor menos Skrillex e, como eu disse, mais Moore, mais humano, mais tocável. Ele ainda está por aí, não parou de produzir ou fazer o que ama, mas no que nos interessa, Skrillex subiu seu patamar porque hoje não comemora somente suas estatuetas e sim faz diferença notória no mundo da música. Cuida, gerencia e exporta música de qualidade, seja no Techno, no Dub, no Electro, Dubstep, Chill, dá oportunidade para novos nomes se consagrarem no mercado e não contribui para a indústria de rádio. Estimula ainda mais com que as pessoas consumam mais música e menos rostos bonitos, mais qualidade e menos popularidade, mais referência e menos superficialidade.

OWSLA vai bem. A turnê está a mil. A agenda de colaborações está lotada. Skrillex foi reverenciado por misturar seu gênero com outros estilos surpreendendo até os ouvintes mais céticos. E nessa ousadia que trouxe uma figura diferente de todas, que trouxe um artista único que chutou a porta de entrada, deu a cara à tapa pra mostrar seu som e enfiou seu nome goela abaixo do mundo inteiro. Pegou o mais difícil e deu aula para todos. E serve de exemplo. Não importa muito onde ele esteja fisicamente. Skrillex está crescendo de patamar exponencialmente, e o agradecimento de hoje vai a legião de haters que, durante os últimos anos, falou, erroneamente, que Skrillex envergonhava a cena. Skrillex agrega. Em silêncio.

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ARTISTA: Skrillex
MARCADORES: Eletrônica

Autor:

Publicitário que não sabe o que consome mais: música, jornalismo ou Burger King